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Dia do Professor: Lucas Momentti transforma alunos em protagonistas nas aulas de inglês

Exemplos com a própria turma e atividades de conversação fazem parte das estratégias do professor para incentivar o aprendizado.

Víctor Falco - Hojemais Três Lagoas
15/10/26 às 14h28
Teacher Lucas em sala de aula (Imagem: Arquivo pessoal)

Uma câmera ligada nem sempre significa que o aluno está aprendendo. Foi ao perceber essa diferença durante suas aulas online de inglês que o professor Lucas Momentti começou a repensar a maneira de ensinar. Entre apresentações de conteúdo e explicações gramaticais, ele identificou a necessidade de abrir mais espaço para a participação e conectar as atividades à realidade de cada estudante.

Neste Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro , o relato do educador ao Hojemais Três Lagoas apresenta um desafio que atravessa a sala de aula e a tela do computador: como transformar a presença do aluno em envolvimento com a aprendizagem?

Lucas leciona presencialmente para turmas do ensino médio e também oferece aulas online para pessoas interessadas em desenvolver a conversação em inglês . Nos dois ambientes, passou a investir em exemplos práticos, materiais personalizados e oportunidades para que os estudantes utilizem o idioma.

“Foi quando entendi que estar conectado não significava necessariamente estar engajado ou, de fato, aprendendo”, afirma.

Lucas Momentti em intensivão para o ENEM (Imagem: Arquivo pessoal)

A disputa pela atenção

Para Lucas, o imediatismo associado à internet e à tecnologia está entre as principais dificuldades para manter a atenção dos estudantes. Essa é uma percepção construída em sua experiência como professor e encontra contexto em pesquisas sobre distração digital.

No Pisa 2022 , avaliação internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ( OCDE ), 45% dos estudantes brasileiros de 15 anos relataram se distrair com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de matemática. A média dos países da organização foi de 30%. Outros 40% dos brasileiros disseram se distrair com colegas que utilizavam esses equipamentos. Os resultados se referem às aulas de matemática e ajudam a dimensionar o problema, sem medir especificamente o ensino de inglês.

Na prática de Lucas, uma das respostas foi aproximar o conteúdo das situações vividas pela turma. Ao ensinar comparativos em inglês, por exemplo, convidou estudantes para a frente da sala e pediu que os colegas ajudassem a construir frases comparando suas alturas.

Em vez de apenas copiar regras da lousa, os alunos participaram da elaboração dos exemplos e relacionaram a estrutura gramatical a pessoas que conheciam.

“Acredito que uma das maiores dificuldades para manter a atenção dos alunos hoje seja o imediatismo que a internet e a tecnologia trouxeram para a nossa realidade. Por isso, precisamos entender como adaptar nossas práticas a esse novo contexto e encontrar maneiras de envolver os estudantes ativamente nas aulas”, explica.

Menos tempo de exposição, mais espaço para praticar

Outra mudança foi abandonar a ideia de que explicações extensas e slides detalhados necessariamente produziriam uma aprendizagem melhor. Segundo o professor, exemplos práticos e construídos com os estudantes frequentemente ajudam a compreender o conteúdo mais rapidamente.

“Eu sempre brinco com eles: ‘Olha, vou explicar algo meio chatinho agora, mas prometo que não vou passar mais de 20 minutos falando!’”, conta.

A intenção é reservar o restante da aula para a aplicação do conteúdo, com criação de frases, exercícios e participação. Em uma das atividades de revisão, Lucas organizou uma brincadeira de “Torta na Cara”, com perguntas sobre um tempo verbal estudado anteriormente.

Para ele, a proposta mantém o conteúdo no centro da aula, mas modifica a maneira como os alunos interagem com o conhecimento.

“Isso não significa abandonar as explicações ou deixar de ensinar os conteúdos, mas repensar como fazemos isso.”

Lucas em uma das aulas online (Imagem: Arquivo pessoal)

O espaço das aulas online

A experiência do professor também está inserida em um cenário de ampliação do uso da internet para estudar. Segundo a TIC Domicílios 2024 , do Cetic.br, departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR ( NIC.br ), 18% dos usuários de internet com 10 anos ou mais fizeram cursos a distância , ante 12% em 2013.

O avanço de seis pontos percentuais mostra uma expansão no período, embora o indicador tenha oscilado nos anos mais recentes: em 2023, era de 19%. A pesquisa abrange cursos a distância de diferentes áreas e formatos, sem isolar as aulas particulares de idiomas.

Para Lucas, trabalhar nesse ambiente exige mais do que conhecer ferramentas digitais. Antes de escolher os recursos, ele procura entender os interesses, a rotina, o nível de inglês e os objetivos de quem está do outro lado da tela.

“Afinal, o que torna uma aula envolvente para um estudante pode não funcionar da mesma forma para outro”, observa.

Essa preocupação com a finalidade pedagógica também aparece no Relatório de Monitoramento Global da Educação 2023 , da Unesco . O documento aponta que o aproveitamento da tecnologia depende de condições como acesso, preparação dos professores e regras para sua utilização. A presença de equipamentos, portanto, precisa estar acompanhada de planejamento educacional.

Da primeira viagem à vontade de conhecer o mundo

Nas aulas para adultos, o planejamento começa por uma pergunta: para que aquela pessoa quer aprender inglês? As respostas podem envolver trabalho, viagens, provas de proficiência ou realização pessoal.

Lucas recorda o caso de uma aluna que iniciou os estudos antes de sua primeira viagem internacional. Naquele momento, queria aprender o básico para se comunicar e lidar com situações cotidianas. Depois da experiência, decidiu continuar as aulas para ampliar sua capacidade de conversar no idioma.

A mudança de objetivo exigiu também uma adaptação do planejamento. Segundo ele, acompanhar o progresso e rever os materiais faz parte do trabalho para que as aulas continuem atendendo às necessidades do estudante.

Outro cuidado é criar um ambiente em que a pessoa se sinta segura para falar, experimentar e errar.

“O aluno precisa se sentir confortável para se arriscar, experimentar a língua e cometer erros sem medo de ser julgado”, ressalta.

Ao falar sobre os desafios da profissão neste Dia do Professor, Lucas defende que envolver os estudantes passa por oferecer oportunidades reais de participação. Seja diante de uma turma do ensino médio ou em uma conversa pela internet, sua aposta está na combinação de planejamento, prática e confiança.

“O professor continua tendo um papel fundamental, mas precisa encontrar maneiras de transformar o estudante em protagonista da própria aprendizagem.”

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