O espaço das aulas online
A experiência do professor também está inserida em um cenário de ampliação do uso da internet para estudar. Segundo a
TIC Domicílios 2024
, do Cetic.br, departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (
NIC.br
),
18% dos usuários de internet com 10 anos ou mais fizeram cursos a distância
, ante 12% em 2013.
O avanço de seis pontos percentuais mostra uma expansão no período, embora o indicador tenha oscilado nos anos mais recentes: em 2023, era de 19%. A pesquisa abrange cursos a distância de diferentes áreas e formatos, sem isolar as aulas particulares de idiomas.
Para Lucas, trabalhar nesse ambiente exige mais do que conhecer ferramentas digitais. Antes de escolher os recursos, ele procura entender os interesses, a rotina, o nível de inglês e os objetivos de quem está do outro lado da tela.
“Afinal, o que torna uma aula envolvente para um estudante pode não funcionar da mesma forma para outro”, observa.
Essa preocupação com a finalidade pedagógica também aparece no
Relatório de Monitoramento Global da Educação 2023
, da
Unesco
. O documento aponta que o aproveitamento da tecnologia depende de condições como acesso, preparação dos professores e regras para sua utilização. A presença de equipamentos, portanto, precisa estar acompanhada de planejamento educacional.
Da primeira viagem à vontade de conhecer o mundo
Nas aulas para adultos, o planejamento começa por uma pergunta: para que aquela pessoa quer aprender inglês? As respostas podem envolver trabalho, viagens, provas de proficiência ou realização pessoal.
Lucas recorda o caso de uma aluna que iniciou os estudos antes de sua primeira viagem internacional. Naquele momento, queria aprender o básico para se comunicar e lidar com situações cotidianas. Depois da experiência, decidiu continuar as aulas para ampliar sua capacidade de conversar no idioma.
A mudança de objetivo exigiu também uma adaptação do planejamento. Segundo ele, acompanhar o progresso e rever os materiais faz parte do trabalho para que as aulas continuem atendendo às necessidades do estudante.
Outro cuidado é criar um ambiente em que a pessoa se sinta segura para falar, experimentar e errar.
“O aluno precisa se sentir confortável para se arriscar, experimentar a língua e cometer erros sem medo de ser julgado”, ressalta.
Ao falar sobre os desafios da profissão neste Dia do Professor, Lucas defende que envolver os estudantes passa por oferecer oportunidades reais de participação. Seja diante de uma turma do ensino médio ou em uma conversa pela internet, sua aposta está na combinação de planejamento, prática e confiança.
“O professor continua tendo um papel fundamental, mas precisa encontrar maneiras de transformar o estudante em protagonista da própria aprendizagem.”