Celebrado nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Dia Mundial da Bengala Branca é um convite à reflexão sobre os desafios enfrentados diariamente pelas pessoas cegas ou com baixa visão. Mais do que um instrumento de locomoção, a bengala branca representa independência, liberdade e o direito de circular pela cidade com segurança e dignidade.
A data reforça a importância de ampliar o debate sobre acessibilidade, inclusão social e políticas públicas capazes de transformar a realidade de milhares de brasileiros que convivem com barreiras físicas, tecnológicas e sociais.
Para uma pessoa com deficiência visual, atividades consideradas simples, como atravessar uma rua, utilizar o transporte coletivo, frequentar uma unidade de saúde, estudar ou realizar compras, podem se tornar desafios quando os espaços não oferecem condições adequadas de acessibilidade.
Calçadas irregulares, obstáculos nas vias públicas, ausência de pisos táteis, semáforos sem sinalização sonora e transporte sem recursos acessíveis são exemplos de situações que comprometem a autonomia e aumentam os riscos durante os deslocamentos.
Políticas públicas precisam garantir autonomia
A conscientização proposta pela data também destaca a responsabilidade do poder público na construção de cidades mais inclusivas. Investir em infraestrutura acessível, transporte adaptado, sinalização adequada e capacitação de servidores é fundamental para assegurar os direitos das pessoas com deficiência visual.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) estabelece direitos relacionados à acessibilidade, educação, saúde, trabalho, mobilidade e participação social.
Entretanto, a efetividade dessas garantias depende de planejamento, investimentos, fiscalização e participação das próprias pessoas com deficiência na elaboração das políticas públicas.
Em municípios como Três Lagoas, a discussão envolve a necessidade de avaliar as condições de acessibilidade em calçadas, praças, prédios públicos, escolas, unidades de saúde e pontos de ônibus, garantindo que os espaços urbanos possam ser utilizados por todos.
Inclusão também está nas atitudes do cotidiano
Além das melhorias estruturais, a inclusão exige mudanças de comportamento. Respeitar a autonomia das pessoas cegas, oferecer ajuda sem impor contato físico e compreender a importância da bengala branca são atitudes que contribuem para uma convivência mais respeitosa.
Ao encontrar uma pessoa com deficiência visual que aparentemente necessita de auxílio, a orientação é perguntar primeiro se ela deseja ajuda e como prefere recebê-la. Também é importante não puxá-la pelo braço, não interferir na utilização da bengala e manter livres os caminhos de circulação.
A acessibilidade digital também merece atenção. Sites, aplicativos e serviços públicos precisam oferecer recursos compatíveis com leitores de tela, descrições de imagens e ferramentas que permitam o acesso independente às informações.
O direito de ir e vir deve ser garantido a todos
O Dia Mundial da Bengala Branca lembra que a inclusão não pode ficar restrita a campanhas comemorativas. É necessário transformar a conscientização em ações permanentes, com investimentos em mobilidade urbana acessível, educação inclusiva, atendimento humanizado e oportunidades de trabalho.
A bengala branca simboliza a capacidade de conquistar espaços e exercer a própria independência. Cabe à sociedade e ao poder público assegurar que o caminho esteja livre de barreiras.
Uma cidade verdadeiramente acessível é aquela em que todas as pessoas podem exercer seu direito de ir e vir com segurança, autonomia e respeito.
A data tem reconhecimento histórico desde 1964, quando foi proclamada nos Estados Unidos, e é atualmente destacada por organizações internacionais de defesa dos direitos das pessoas cegas.
A legislação brasileira também estabelece que a eliminação das barreiras de acesso é parte do direito à mobilidade e à participação social das pessoas com deficiência.
