Neste sábado, 10 de outubro, o Brasil marca o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. A data nasceu nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, em 1980, quando manifestantes se reuniram para protestar contra o aumento dos crimes de gênero. Quarenta e seis anos depois desse marco histórico, o desafio de combater as agressões continua urgente e se reflete diretamente na realidade da Costa Leste de Mato Grosso do Sul.
Um levantamento com base no Monitor da Violência contra a Mulher — alimentado pelo Tribunal de Justiça (TJMS) e pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP-MS) — traça um raio-x preocupante sobre Três Lagoas na última década. O consolidado de 2016 até a primeira semana de outubro de 2026 expõe a persistência das agressões no município.
UMA DÉCADA DE REGISTROS
Ao observar os boletins policiais, os números de violência doméstica formam um platô assustador: a cidade nunca baixou da marca de mil casos anuais entre 2016 e 2025. O ápice desse ciclo de agressões ocorreu recentemente, com 1.110 ocorrências em 2024 e o recorde de 1.137 registros no ano passado. No ano corrente de 2026, até o dia 09 de outubro, 907 mulheres já haviam oficializado denúncias de agressões no ambiente familiar.
Esse cenário de risco contínuo reflete diretamente na corrida por amparo legal. A emissão de Medidas Protetivas de Urgência mais que dobrou no município em dez anos. Em 2016, a Justiça concedeu 427 medidas. Esse número subiu progressivamente, bateu a marca de 856 em 2024 e atingiu o pico de 980 no ano passado. No cenário atual de 2026, 838 três-lagoenses já precisaram acionar o Judiciário para manter seus agressores afastados.
CRIMES
As estatísticas da Segurança Pública também revelam a persistência dos crimes sexuais. Ao longo dos últimos dez anos, a média de estupros em Três Lagoas oscilou na casa de 90 a 100 casos anuais, atingindo a pior marca em 2023, com 111 registros. Neste ano, 55 casos já foram contabilizados pelas delegacias do município.
O dado mais sensível e irreversível do levantamento refere-se às vidas perdidas. Desde 2016, 28 mulheres foram vítimas de feminicídio em Três Lagoas. O ano mais letal foi 2017, com seis mortes. Após um 2023 sem registros do crime, o município voltou a contabilizar quatro perdas em 2024, uma no ano passado e mais um caso confirmado até outubro deste ano.
A rede de amparo também sentiu o peso da demanda. Os atendimentos de emergência, que começaram a ser mapeados de forma mais expressiva em 2018 (com 39 registros), deram um salto nos anos seguintes. O serviço atingiu seu pico máximo em 2023, com 1.247 atendimentos prestados, recuando para 161 no ano passado e somando 168 chamados de urgência até o momento em 2026.
COMO BUSCAR AJUDA
Para reverter essa estatística, a denúncia e a informação continuam sendo as principais armas. Mulheres brasileiras e estrangeiras contam com a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180.
O serviço funciona como um canal de disque-denúncia e orientação. A maior parte da demanda recebida pelo número está relacionada a pedidos de informações sobre os procedimentos legais que devem ser tomados em casos de violação de direitos. A ligação é gratuita, sigilosa e o atendimento funciona 24 horas por dia, conectando as vítimas diretamente à rede de proteção e aos sistemas de segurança do Estado.
