Uma moradora de Campo Grande registrou boletim de ocorrência após descobrir que imagens íntimas manipuladas por inteligência artificial (IA) estavam sendo compartilhadas em um site adulto e grupos no Telegram. O caso foi registrado como divulgação de cena de sexo ou pornografia com possível finalidade de humilhação ou vingança.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima contou que na segunda-feira (3) foi avisada pelo cunhado sobre a publicação. Ele enviou prints de conversas no Telegram onde as imagens e vídeos adulterados eram compartilhados. Com informações do Campo Grande News.
Ao analisar o material, a mulher reconheceu algumas fotos e vídeos verdadeiros, mas afirmou que outras imagens foram manipuladas digitalmente. Segundo ela, fotografias em que aparecia vestida tiveram o rosto inserido em cenas de nudez utilizando tecnologia de deepfake, técnica que permite criar conteúdos falsos com aparência realista.
Suspeita recai sobre ex-companheiro
A vítima suspeita que o responsável pela divulgação seja o ex-namorado, pois, conforme relatou à polícia, apenas ele tinha acesso aos vídeos íntimos originais. Ela manifestou interesse em representar criminalmente contra o suspeito e foi orientada a procurar a Casa da Mulher Brasileira caso deseje solicitar medidas protetivas.
Crime em alta
O episódio ocorre em meio ao aumento de denúncias envolvendo o uso de inteligência artificial para criar imagens íntimas falsas. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou em fevereiro um projeto de lei que criminaliza a manipulação e divulgação de deepfakes com conteúdo sexual, prevendo pena de reclusão de 2 a 6 anos e multa. O texto ainda aguarda votação no Senado.
Levantamento da SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino de dez estados brasileiros, todas mulheres, incluindo alunas e professoras . A organização alerta que os grupos criminosos atuam de forma organizada, utilizando bots de notificação, plataformas como Telegram e fóruns na dark web.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou "crescente alarme" com o rápido aumento de imagens sexualizadas de crianças geradas por IA e reforça que "abuso do deepfake é abuso".
