Três Lagoas é um dos polos de maior participação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL) em Mato Grosso do Sul. Ao todo, 295 custodiados do município estão inscritos para as provas, que são aplicadas nesta terça e quarta-feira (6 e 7 de outubro).
Desse total, a Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas concentra 156 participantes. O Patronato Penitenciário da cidade acrescenta outros 87 inscritos. Os números colocam Três Lagoas atrás apenas de Campo Grande, com mais de 1,5 mil inscritos, e de Dourados, com 475.
Crescimento no Estado
Em todo o Estado, 4.307 custodiados estão inscritos no Encceja PPL 2026, um crescimento de 13,6% em relação a 2025, quando 3.792 pessoas participaram do exame. São 515 inscritos a mais neste ano. Dos participantes de 2026, 2.461 buscam a certificação do Ensino Fundamental e 1.846 do Ensino Médio.
O resultado mantém uma trajetória de crescimento. Em 2024, foram 3.255 inscritos; em 2025, 3.792. Em apenas dois anos, o número de participantes aumentou em 1.052 pessoas, crescimento de 32,3%. Em relação a 2019, quando foram registrados 2.017 inscritos, o número de 2026 é mais que o dobro.
Participação em todo o Estado
Além de Três Lagoas, outros municípios se destacam. Paranaíba soma 262 inscritos, com a Penitenciária de Paranaíba concentrando 220 participantes, um dos maiores contingentes individuais do Estado. Corumbá registra 261 inscritos, e Naviraí, 250.
Entre as unidades femininas, destacam-se o Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande, com 101 inscritas, e o Estabelecimento Penal Feminino Luiz Pereira da Silva, com 88.
Educação que abre caminhos
O Encceja PPL permite a certificação dos conhecimentos referentes ao Ensino Fundamental ou Médio e representa uma oportunidade para que pessoas privadas de liberdade retomem ou concluam uma etapa da formação escolar. A participação em atividades educacionais também pode produzir efeitos na execução da pena, conforme os critérios previstos na legislação.
Para a chefe da Divisão de Assistência Educacional da Agepen, Mônica Dantas, o aumento no número de participantes reflete o espaço que a educação tem ocupado no sistema prisional. "Representa novas possibilidades de certificação e construção de projetos de vida. Por trás desses números, existe uma grande mobilização das equipes das unidades penais, especialmente dos responsáveis educacionais", destaca.
A diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, também atribui o crescimento das inscrições ao trabalho realizado pelas equipes. "O crescimento representa o resultado da mobilização realizada desde o incentivo à participação até a organização necessária para que os custodiados tenham acesso ao exame", afirma.
