AO VIVO
Saúde

Caramujos africanos invadem quintais de TL no período de chuvas

Moluscos saem da dormência com a umidade e representam riscos à saúde; Setor de Entomologia orienta sobre como agir

Patrícia Acunha - Hojemais - Três Lagoas 
25/09/26 às 10h14
A principal regra é nunca tocar no animal desprotegido (Patricia Acunha/Hojemais)

Eles aparecem sorrateiramente, geralmente depois da chuva, deixando um rastro de gosma pelo caminho. Os caramujos africanos, moluscos de concha listrada e tamanho avantajado, voltaram a ser vistos em quintais e terrenos de Três Lagoas. E não é por acaso.

Embora o Setor de Entomologia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ainda não tenha registrado um salto nos chamados oficiais neste início de período chuvoso, o alerta já está aceso. A bióloga Georgia Medeiros de Castro Andrade, responsável pelo setor, explica que a água desperta os caramujos que estavam enterrados ou escondidos durante a seca. "As chuvas ajudam na eclosão rápida dos ovos e aceleram o crescimento da vegetação, o que resulta em uma enorme oferta de alimento, somada à decomposição de folhas", detalha. Presentes em praticamente todos os bairros da cidade, eles se instalam onde encontram acesso, abrigo, alimento e água.

Além disso, a vegetação cresce mais rápido e a decomposição de folhas aumenta, oferecendo alimento em abundância para os moluscos.

RISCOS À SAÚDE

O caramujo africano não é apenas uma presença incômoda. Ele representa riscos à saúde pública e à agricultura. O contato com o muco liberado pelo animal ou a ingestão de alimentos contaminados por essa secreção pode transmitir vermes perigosos ao ser humano, como os causadores da meningite eosinofílica e da angiostrongilíase abdominal.

Há ainda um risco indireto: quando o caramujo morre, sua concha calcificada permanece no solo e, em períodos de chuva, acumula água parada, tornando-se criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Por ser uma espécie exótica invasora, sem predadores naturais no Brasil, o caramujo africano também compete com moluscos nativos e destrói hortas, jardins e plantações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O QUE FAZER QUANDO ENCONTRAR UM CARAMUJO?

A orientação é nunca tocar no animal ou em seu muco com as mãos desprotegidas. Utilize luvas descartáveis ou sacos plásticos. Para o descarte, coloque o caramujo em uma sacola, adicione solução de água sanitária ou salina, quebre a casca dentro da sacola e descarte no lixo comum.

Frutas, verduras e legumes devem ser bem lavados e deixados de molho em solução de água sanitária (uma colher de sopa por litro de água) por 15 a 30 minutos antes do consumo.

Evite usar venenos ou sal de cozinha em excesso, pois o sal saliniza o solo e prejudica as plantas.

PREVENÇÃO COMEÇA EM CASA

Quintais com matéria orgânica acumulada, entulhos e falta de limpeza favorecem a reprodução dos caramujos. A recomendação é vistoriar o quintal por 10 minutos, eliminar depósitos que possam acumular água, vedar portas, colocar telas de proteção nos ralos e tampas nas pias.

O Setor de Entomologia realiza orientação à população, visitas nas residências, participação em eventos e produção de material informativo para escolas. Em caso de grande quantidade de caramujos, o morador deve ligar para o setor pelo telefone (67) 99207-7462.

"Em todos os bairros pode haver a presença do caramujo africano, se ele encontrar acesso, abrigo, alimento e água", alerta a bióloga. A prevenção, portanto, começa dentro de casa.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM SAÚDE
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WÉSLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.