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SUS faz segundo transporte aéreo de sangue raro

Bolsa saiu do Ceará com destino a Minas Gerais em operação gratuita para paciente grave

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas
09/10/26 às 14h38
SUS faz segundo transporte aéreo de sangue raro (Foto: Reprodução | Agência Gov.br)

O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, nesta quinta-feira (8), o segundo transporte de uma bolsa de sangue raro na cabine de um voo comercial . A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e companhias aéreas e tem como objetivo acelerar o atendimento de pacientes que necessitam de transfusões com tipos sanguíneos de difícil localização.

A bolsa foi coletada no Ceará e enviada na quinta-feira, chegando nesta sexta-feira (9) a Juiz de Fora (MG) , onde um paciente em estado grave aguardava a transfusão.

A medida permite reduzir o tempo de deslocamento do material e segue um modelo semelhante ao já utilizado no transporte aéreo de órgãos para transplantes . Antes da mudança, bolsas de sangue raro eram transportadas como carga, modalidade que pode estar sujeita a prazos maiores e restrições.

Segundo a coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Maria de Barros Carlos, a iniciativa amplia a capacidade de resposta da rede.

“O transporte de sangue raro envolve situações clínicas que exigem articulação e colaboração entre diferentes instituições. A inclusão desse serviço na parceria entre o Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a Anac e as companhias aéreas permitirá agilizar o atendimento a pacientes em qualquer estado do país e viabilizar tratamentos que, de outra forma, poderiam não acontecer. Essa iniciativa fortalece a rede de solidariedade que faz do Brasil e do SUS uma referência para o mundo”, afirmou.

Com a atualização do acordo, o transporte de sangue raro poderá ocorrer inclusive durante a noite, nos fins de semana e feriados. Participam da iniciativa o Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e da Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas brasileiras.

Paciente precisava de sangue compatível

O paciente atendido em Minas Gerais passou por um transplante renal e está internado. Durante os exames pré-transfusionais, foi identificada a presença do anticorpo anti-Jsb , dificultando a localização de uma unidade de sangue compatível.

Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) , que identificou um doador no Ceará. O voluntário compareceu ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia.

Por causa da gravidade do quadro, o sangue foi acondicionado em embalagem apropriada, com controle rigoroso de temperatura , e transportado gratuitamente na cabine de uma aeronave comercial até Minas Gerais. Outros doadores também estão sendo convocados para atender às necessidades de transfusão do paciente.

Primeiro transporte ocorreu de São Paulo ao Piauí

A primeira operação desse tipo no Brasil ocorreu em 12 de setembro , quando o Ministério da Saúde viabilizou o transporte gratuito de uma bolsa de sangue raro na cabine de um voo comercial de São Paulo para o Piauí .

O material foi destinado a um paciente com doença renal crônica , em estado grave e com necessidade de transfusão. Após exames identificarem uma combinação sanguínea extremamente rara, o CNSR localizou em São Paulo um doador compatível.

A transfusão foi realizada com sucesso e, conforme a equipe responsável, o paciente apresentou bom estado de saúde após o procedimento.

Como funciona a busca por sangue raro

Além dos sistemas sanguíneos mais conhecidos, como ABO e Rh , existem outros antígenos presentes na superfície das hemácias. Um perfil é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas .

Nessas situações, encontrar sangue compatível pode exigir uma busca em diferentes estados. Exames como fenotipagem e genotipagem ajudam a identificar características específicas do sangue de pacientes e doadores e facilitam a localização de unidades compatíveis.

O trabalho envolve toda a rede de hemoterapia, responsável por localizar doadores, armazenar as bolsas e organizar o transporte.

Entre os avanços previstos estão a ampliação da identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros , a estruturação de laboratórios de referência e a implantação do congelamento das bolsas, técnica que poderá permitir o armazenamento por até dez anos .

Outra medida prevista é a adesão do Brasil à rede mundial de sangue raro , ainda neste mês. A participação permitirá solicitar bolsas a outros países quando necessário e também contribuir com o atendimento de pacientes no exterior.

Cadastro já reúne mais de 2 mil doadores

Criado pelo Ministério da Saúde em 2013 , o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) conta atualmente com 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes .

Quando um hemocentro não encontra uma unidade compatível no próprio estado, o cadastro pode ser acionado. A Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados coordena o processo, identificando possíveis doadores em outras unidades da federação, articulando a coleta e auxiliando na organização do transporte.

Transporte aéreo amplia parceria

O Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas já possibilita o transporte gratuito de órgãos destinados a transplantes.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes , sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) .

Com a inclusão do sangue raro no acordo, a mesma estrutura passa a ajudar no deslocamento de bolsas compatíveis entre estados, inclusive quando o doador está a milhares de quilômetros do paciente.

Com Informações : Ministério da Saúde

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