As medidas foram discutidas durante a roda de conversa virtual “El Niño 2026/2027 e saúde: participação social e resposta nos territórios” , que reuniu representantes do Ministério da Saúde, movimentos sociais, conselhos, lideranças, pesquisadores e representantes de diferentes regiões do país.
O encontro teve como foco o planejamento e a resposta do SUS diante das emergências climáticas , considerando os diferentes riscos e as condições de cada território.
A abertura contou com uma palestra do secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior , que apresentou um panorama das ações previstas para enfrentar os impactos dos eventos climáticos sobre a saúde pública.
Durante a reunião, também foi ressaltada a necessidade de manter o diálogo permanente com movimentos sociais e considerar as desigualdades existentes entre as regiões. A partir das discussões, os desafios apresentados foram organizados por áreas para orientar a elaboração de propostas.
SUS terá atenção reforçada até março de 2027
A partir de outubro, o Brasil entra em um período de maior atenção, que seguirá até março de 2027 . Os riscos podem variar de acordo com as características de cada território.
O planejamento do Ministério da Saúde considera previsões climáticas, histórico de eventos, vulnerabilidades e capacidade de resposta local .
No Sul , a possibilidade maior de chuvas intensas, temporais e inundações, principalmente durante a primavera, levou ao planejamento de medidas como o reforço da Força Nacional do SUS em Porto Alegre , atuação dos Centros de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre e Curitiba, planos de contingência, atendimento em saúde mental após desastres e emissão de alertas e boletins para auxiliar as equipes.
No Nordeste e Sudeste , os principais riscos estão relacionados ao calor extremo, temperaturas acima da média e ondas de calor . Entre as medidas estão o Mapa de Calor Extremo, zonas de resfriamento, pontos de hidratação e protocolos específicos para preparar a rede de atendimento.
No Nordeste, o planejamento também leva em conta a estiagem severa , com bases da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza e envio antecipado de medicamentos. No Sudeste, a Força Nacional atua ainda no Rio de Janeiro, enquanto Belo Horizonte conta com um Centro de Informação em Saúde e Clima.
Norte e Centro-Oeste terão atenção para seca e queimadas
No Norte e Centro-Oeste , a preparação está concentrada principalmente nos riscos de seca, estiagem, calor intenso, queimadas e incêndios florestais .
Entre as ações previstas estão bases da Força Nacional do SUS em Porto Velho, Manaus, Belém, Campo Grande e Brasília , além de Centros de Informação em Saúde e Clima em Santarém, Belém e Cuiabá.
A estratégia também inclui o Painel de Poluição Atmosférica e Saúde Humana , informes sobre queimadas, Mapa de Calor Extremo, zonas de resfriamento e pontos de hidratação.
Na Amazônia , o Ministério da Saúde informou que houve ampliação da atenção básica. Entre 2023 e 2026, o número de equipes de saúde cresceu 24,9% , enquanto a frota de UBS Fluviais aumentou 24,6% .
No mesmo período, houve ainda crescimento de 95% no número de pessoas vinculadas às equipes de Saúde da Família e Saúde da Família Ribeirinha .
Próximas ações
O secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Junior, afirmou que a proposta é garantir uma resposta rápida às populações afetadas, com responsabilidade sanitária e utilização adequada dos recursos públicos.
“O governo federal tem o papel de dialogar, estabelecer parcerias e oferecer apoio técnico e financeiro aos estados e municípios. Entre as medidas estão recursos emergenciais, medicamentos e profissionais da Força Nacional do SUS, que conta com bases regionais para apoiar os territórios conforme a necessidade”, afirmou.
Segundo ele, a participação dos movimentos sociais e dos conselhos de saúde também será importante para mobilizar gestores e ampliar o acesso às ações oferecidas pelo governo federal.
Como próximo passo, o Ministério da Saúde irá organizar as contribuições apresentadas durante o encontro e encaminhar as demandas às áreas responsáveis. Quando necessário, também deverá promover articulações entre diferentes setores do governo federal.
Está prevista ainda a disponibilização dos materiais apresentados, a continuidade do diálogo com movimentos sociais e representantes dos territórios e o aprimoramento das ações de prevenção e resposta às emergências climáticas , levando em conta as particularidades de cada região.
