A produção brasileira de celulose alcançou um novo recorde histórico em 2025, com 29,4 milhões de toneladas produzidas, crescimento de 6,9% em comparação ao ano anterior. As exportações de celulose também atingiram o maior volume já registrado, somando 20,7 milhões de toneladas comercializadas no mercado internacional, avanço de 11,6%.
Os dados fazem parte do Relatório Anual 2026 da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), divulgado em outubro, e reforçam a importância do setor de papel e celulose para a economia brasileira. O levantamento destaca ainda Mato Grosso do Sul como líder nacional na expansão de florestas plantadas, consolidando o protagonismo do estado na cadeia produtiva florestal.
Mato Grosso do Sul lidera expansão de florestas plantadas
O estado registrou crescimento de 222 mil hectares de florestas plantadas em 2025, o maior avanço entre as unidades da federação. Segundo a Ibá, a expansão ocorreu principalmente em áreas anteriormente utilizadas por atividades humanas, incluindo pastagens degradadas.
O resultado fortalece a posição de Mato Grosso do Sul na produção de celulose, especialmente na região conhecida como Vale da Celulose, que reúne municípios estratégicos como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Água Clara.
A região concentra importantes investimentos da indústria de celulose e papel, com presença de grandes empresas, como Suzano e Arauco, além de fornecedores, prestadores de serviços e operações logísticas que movimentam a economia regional.
Em todo o território brasileiro, a área destinada ao cultivo de árvores para fins industriais chegou a 10,73 milhões de hectares, com ritmo estimado de plantio de 2,2 milhões de árvores por dia.
Indústria florestal movimenta R$ 249,4 bilhões
Além dos recordes de produção e exportação, a indústria brasileira de árvores cultivadas registrou receita bruta de R$ 249,4 bilhões em 2025, equivalente a aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio nacional.
As exportações da cadeia produtiva florestal movimentaram US$ 14,9 bilhões, demonstrando a relevância do Brasil no abastecimento do mercado internacional.
O setor também mantém aproximadamente 710 mil empregos diretos e contribui, direta ou indiretamente, para a geração de renda de cerca de 3,8 milhões de brasileiros.
O Brasil permanece como maior exportador mundial de celulose e segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. A matéria-prima brasileira abastece indústrias de embalagens, papéis sanitários, livros, tecidos e diversos produtos de origem renovável.
Sustentabilidade acompanha crescimento da produção
O levantamento da Ibá também destaca os investimentos em sustentabilidade e conservação ambiental realizados pelas empresas do setor.
Atualmente, a indústria florestal brasileira mantém aproximadamente 7,15 milhões de hectares de vegetação nativa conservada, além das áreas destinadas à produção de madeira para fins industriais.
Outro indicador relevante é o avanço das iniciativas de restauração ambiental, com 57,5 mil hectares destinados à recuperação e regeneração de vegetação nativa.
A expansão das florestas comerciais de eucalipto também contribui para ampliar a oferta de matéria-prima renovável utilizada na fabricação de celulose e outros produtos de base florestal.
Vale da Celulose ganha importância no cenário nacional
Os resultados nacionais reforçam a importância estratégica do Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, região que concentra investimentos industriais, expansão de áreas florestais e desenvolvimento de infraestrutura logística.
Municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo já possuem forte participação na produção industrial de celulose, enquanto Inocência recebe investimentos para ampliar a capacidade produtiva do estado.
A expansão também movimenta setores como transporte, construção civil, comércio, serviços especializados e formação de mão de obra, ampliando os impactos econômicos da cadeia produtiva da celulose.
Mesmo diante das oscilações dos preços internacionais e dos desafios comerciais globais, os recordes de 2025 demonstram a capacidade de crescimento da indústria brasileira de celulose e a participação cada vez mais relevante de Mato Grosso do Sul no mercado mundial de celulose.
