No dia 12 de junho, uma partida de futebol entre as seleções da Dinamarca e Finlândia, pela Eurocopa, chocou muitos torcedores e fãs de futebol, isso porque durante a partida, o dinamarquês Christian Eriksen desmaiou enquanto corria em direção à bola, permanecendo inconsciente durante alguns minutos, gerando uma enorme aflição entre aqueles que acompanhavam a partida.
Após o atendimento realizado ainda em campo e o encaminhamento para o hospital, Christian voltou às redes sociais para tranquilizar os fãs, afirmando ter sofrido uma parada cardíaca, que foi abortada por meio de ressuscitação com compressão torácica e uso de desfibrilador.
Diante desse cenário, o Portal Hojemais conversou com o médico cardiologista da Clínica Vitalcor Três Lagoas, Dr. Ulisses Calandrin (CRM/MS 6601 – RQE 5089), que falou sobre o mal súbito enfrentado por Eriksen e como agir em casos como esse. Para saber mais, continue a leitura e confira!
O que é a morte súbita e por que ela acontece?
De acordo com o cardiologista, o que aconteceu com o jogador se caracteriza como uma morte súbita abortada, quadro esse típico de alguém que tem uma interrupção do fluxo sanguíneo ao cérebro, que na grande maioria das vezes é provocado pelo próprio coração.
A situação é comum entre atletas, sendo um problema ocasionado por uma predisposição hereditária, condições cardíacas, como arritmia e hipertrofia do coração, e até mesmo excesso de exercícios físicos.
O distúrbio altera o ritimo do coração, ocasionando uma desordem nos batimentos cardíacos, que passam a ficar mais acelerados ou mais lentos, dificultando o bombeamento do sangue e a distribuição de sangue pelo corpo, função essa que pertence ao nosso coração.
Por não estar associado ao sedentarismo, o mal súbito pode acometer até mesmo as pessoas mais saudáveis, considerando que a prática de atividades físicas de alta performance pode ocasionar algumas inflamações, alterações eletrolíticas (minerais essenciais encontrados no sangue, suor e urina) e miocardite causada por infecções. Condições essas que não apresentam sintomas e dificilmente são detectadas em exames comuns.
Com isso, a incidência de morte súbita entre atletas torna-se maior do que na população geral, onde somente 0,5% é acometida, enquanto em atletas a taxa pula para 1% e nos esportistas de alta performance chega a 1,5%.
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O que fazer quando alguém sofre um mal súbito e como prevenir
De acordo com o Dr. Ulisses Calandrin, a primeira coisa a ser feita é checar se a pessoa está acordada, caso não exista reação e a pessoa estiver respirando com dificuldade procure por um desfibrilador no local e veja se tem alguém capacitado para utilizá-lo. Enquanto o aparelho não chega, ligue para o SAMU e inicie as compressões torácicas.
“Aqui também é preciso ter conhecimento da técnica, considerando que existe uma posição ideal e uma quantidade correta de movimentos por minuto, pois caso feito de maneira errônea você não obterá sucesso por meio da manobra” – explicou.
Assista ao vídeo da Sociedade de Cardiologia do Estado de SP e aprenda a forma correta para fazer a massagem cardíaca:
Caso tenha o desfibrilador no local, interrompa a técnica e opte pelo aparelho, que identifica de forma automática se a vítima precisa ou não receber a carga. Se mesmo com o uso do equipamento a pessoa não voltar permaneça com a massagem cardíaca até a chegada do socorro.
“Lembrando que o desfibrilador só pode ser usado por uma pessoa que teve treinamento para utilizá-lo, por isso é fundamental ter acesso a esse recurso, pois a cada minuto de atraso no uso, perde-se 10% de chance de sobrevida e mais de 10 minutos sem atendimento o indivíduo vai óbito” – acrescentou.
Portanto, é muito importante checar se no seu centro de treinamento, academia ou espaço dedicado à prática da atividade física existe a presença do equipamento bem como uma equipe qualificada para a utilização, sendo essa a melhor forma de impedir o mal súbito.
“Não existe uma forma de garantir a total prevenção do quadro, pois muitas vezes os fatores que desencadeiam isso não são detectáveis. Entretanto, ter acesso ao socorro apropriado pode ser o fator decisivo entre a vida e a morte, como o caso do jogador Eriksen” - finalizou.
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