O mês de janeiro é dedicado para a campanha do Janeiro Roxo, com objetivo de alertar sobre a importância do diagnóstico e do tratamento da hanseníase, doença infectocontagiosa crônica que causa pequenas manchas despigmentadas na pele. A dermatologista Dra. Maria Angélica Gorga (CRM:1947 / RQE:1035), em entrevista ao “Hojecast”, abordou o assunto para a conscientização da sociedade.
HOJECAST: O QUE É HANSENÍASE E QUAL A ORIGEM DESSE NOME?
Segundo a especialista em hanseníase, a doença leva esse nome em homenagem do médico Gerhard Hansen, responsável por identificar a bactéria causadora da infecção. Esse nome é utilizado apenas no Brasil, enquanto os demais países ainda chamam de lepra.
“Três Lagoas foi por muito tempo uma região endêmica de hanseníase, mas com as campanhas e métodos de prevenção e tratamento, foi possível mudar essa realidade.” - comenta.
HOJECAST: COMO OCORRE O CONTÁGIO?
O contágio ocorre pelo ar, mas a transmissão não acontece simplesmente pela proximidade física ou pela coabitação em um ambiente compartilhado com a pessoa infectada. Ela se desencadeia quando o indivíduo afetado não está sob tratamento e acumula uma elevada carga bacilar. Isso gera o aumento de bactérias no ambiente em que a pessoa mora e possibilita, assim, a transmissão da doença pelo ar para aqueles que convivem com ela.
“Quando um paciente testa positivo para hanseníase, após uma semana com a medicação correta, ele já não contamina mais o ambiente, sem ser necessário o isolamento ou como por exemplo, separar talheres e outros objetos, tendo em vista que nesse cenário a passoa não trasmite mais a doença” - expõe.
HOJECAST: QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS DE CONTÁGIO?
Um dos primeiros sinais na pele é a mancha prolongada por mais de 6 meses, que pode ficar branca ou avermelhada, a depender do organismo de cada pessoa. Essa mancha costuma ser dormente e apresenta alteração de sensibilidade.
Quando um membro da família é diagnosticado com hanseníase, é aconselhável que as pessoas próximas busquem orientação médica e informações em unidades de saúde, isso porque a doença pode se manifestar até 5 anos depois do contágio.
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HOJECAST: COMO A DERMATOLOGIA DESEMPENHA SEU PAPEL NO DIAGNÓSTICO PRECOCE?
“O dermatologista é capaz de fazer um diagnóstico preciso dos casos, mas, o médico clínico-geral tem propriedade para saber identificar a doença e instituir o tratamento da doença, se preciso encaminhar para os especialistas” - afirma.
A dermatologia se encarrega de diagnosticar casos mais difíceis, conduzir o acompanhamento de casos graves e que demandam uma maior atenção, pelo seu conhecimento específico.
HOJECAST: COMO A HANSENÍASE IMPACTA O BEM-ESTAR FÍSICO E SOCIAL?
Apesar da evolução da intervenção médica, ainda há o estigma social e um certo medo da doença. Em alguns quadros, o paciente chega a desenvolver depressão e outros transtornos psicológicos, o que dificulta o tratamento da hanseníase e prejudica o sistema imunológico. Por isso também a importância de um acompanhamento multidisciplinar, com o auxílio de um psicológo caso o médico identifique a necessidade desse amparo ao paciente.
HOJECAST: QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS?
O tratamento é padronizado no mundo inteiro e os medicamentos estão disponíveis apenas na rede pública de saúde. No início da doença e com poucas manchas, os pacientes devem tomar as medicações indicadas por seis meses. Já em casos com muitas manchas, o tratamento ocorre em um ano, apenas em casos extremos e graves esse acompanhamento pode durar até dois anos.
“O diagnóstico precoce é melhor para facilitar a etapa do tratamento, a prevenção é sempre o melhor caminho. Busque ajuda de profissionais nos primeiros sinais notados e, se houver algum caso na família, é preciso procurar as unidades de saúde” - complementa.
Confira a entrevista na íntegra:
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