As mudanças climáticas estão colocando novos desafios para a indústria brasileira de árvores cultivadas e devem acelerar investimentos em pesquisa, melhoramento florestal e biotecnologia. A avaliação é de Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que defendeu a busca por novas soluções para aumentar a resiliência das florestas que abastecem principalmente as indústrias de celulose, papel e produtos de madeira.
O tema foi abordado nesta terça-feira (6), durante a abertura do Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), em São Paulo.
Segundo Hartung, o setor construiu ao longo das últimas décadas uma trajetória de avanços em melhoramento genético e clonagem de árvores. Diante das transformações do clima, porém, o momento exige ampliar as possibilidades tecnológicas e estudar novas alternativas oferecidas pela biotecnologia.
A preocupação está diretamente relacionada à produtividade e à capacidade das florestas plantadas de enfrentar condições climáticas cada vez mais adversas.
Mato Grosso do Sul lidera expansão florestal
Nesse cenário, Mato Grosso do Sul aparece novamente como protagonista. Dados antecipados pela Ibá, que deverão integrar o relatório anual da entidade, mostram que a área de árvores plantadas no Estado cresceu cerca de 220 mil hectares no último ano.
Em todo o Brasil, são aproximadamente 10,7 milhões de hectares destinados às florestas plantadas. De acordo com a entidade, o setor planta diariamente cerca de 2,2 milhões de árvores no País.
O avanço sul-mato-grossense acompanha um dos maiores ciclos de investimentos industriais da história do setor de celulose.
Entre os exemplos citados por Hartung está a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, considerada a maior unidade de produção de celulose em linha única do mundo.
Outro destaque é o Projeto Sucuriú, da Arauco, em construção em Inocência. O empreendimento foi mencionado pelo presidente da Ibá como um dos símbolos do atual ciclo de expansão da indústria brasileira. O projeto prevê capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Crescimento aumenta demanda por profissionais
Além dos desafios relacionados ao clima, a formação de mão de obra aparece entre as principais preocupações para os próximos anos.
A expansão industrial, combinada com digitalização, automação e inteligência artificial, está modificando o perfil dos profissionais demandados pela cadeia florestal.
Para Hartung, o setor precisará ampliar sua capacidade de formar trabalhadores preparados para essa nova realidade tecnológica. A demanda tende a envolver desde as operações florestais e industriais até logística, tecnologia, manutenção e áreas especializadas.
A questão ganha peso especialmente em regiões que concentram grandes projetos, como o chamado Vale da Celulose de Mato Grosso do Sul.
Infraestrutura acompanha desafio da expansão
Outro ponto considerado estratégico é a infraestrutura necessária para acompanhar o crescimento da produção.
Rodovias, ferrovias, portos e conectividade no meio rural estão entre os gargalos apontados pela Ibá. Para a entidade, a atração de investimentos privados, inclusive de capital estrangeiro, será fundamental para sustentar a expansão da cadeia.
Nesse processo, segurança jurídica, estabilidade regulatória e fortalecimento das agências reguladoras são considerados fatores importantes para ampliar a confiança dos investidores.
O debate ocorre em um momento de forte expansão da indústria. A Ibá aponta que o Brasil produziu cerca de 30 milhões de toneladas de celulose no último ano e exportou 20,7 milhões de toneladas, consolidando o País como maior exportador mundial do produto.
Para Mato Grosso do Sul, que lidera a ampliação das florestas cultivadas e concentra grandes investimentos industriais, o desafio agora vai além de aumentar a produção. O novo ciclo passa pela combinação entre tecnologia, produtividade florestal, qualificação profissional, infraestrutura e capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
Fonte: Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), com informações apresentadas durante o Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel da ABTCP 2026.
