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Nova malha ferroviária da celulose em MS reposiciona logística, reduz custos e fortalece rota até o Porto de Santos

A iniciativa reflete a consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos maiores polos globais de celulose e responde à necessidade de substituir gradualmente o transporte rodoviário em longas distâncias, especialmente em trajetos superiores a mil quilômetros.

Da Redação - Vale Celulose
21/01/26 às 10h22

A implantação de uma nova malha ferroviária dedicada ao transporte de celulose em Mato Grosso do Sul representa uma mudança estrutural na logística do setor florestal. Com destaque para o Projeto Sucuriú, da Arauco, o Estado passa a priorizar o modelo ferroviário como principal estratégia de escoamento da produção até o Porto de Santos (SP), em um movimento alinhado à expansão industrial, à redução de custos logísticos e às metas ambientais do setor.

A iniciativa reflete a consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos maiores polos globais de celulose e responde à necessidade de substituir gradualmente o transporte rodoviário em longas distâncias, especialmente em trajetos superiores a mil quilômetros.

(Foto: Mairinco de Pauda)

Estudos e projeções do setor indicam que o transporte ferroviário pode proporcionar redução de até 50% no custo do frete em comparação ao modal rodoviário em distâncias próximas a 1.000 km, além de maior previsibilidade operacional. No caso do projeto da Arauco, está prevista a utilização de trens dedicados, com até 100 vagões, exclusivos para o transporte de celulose.

Do ponto de vista ambiental, a migração para os trilhos pode resultar em redução estimada de até 94% nas emissões de gases de efeito estufa, além de diminuir significativamente o fluxo de caminhões pesados nas rodovias. No Projeto Sucuriú, a expectativa é de retirada de cerca de 7 mil viagens de caminhão por mês, o que também contribui para a segurança viária e a conservação da infraestrutura rodoviária regional.

Investimentos e impacto econômico

O investimento total anunciado pela Arauco no Projeto Sucuriú é de aproximadamente US$ 4,6 bilhões, valor que corresponde a uma parcela relevante da economia estadual quando comparado ao PIB de Mato Grosso do Sul (base 2021). Durante a fase de implantação, as estimativas apontam para picos de 14 mil a 17 mil empregos, com estabilização posterior em torno de 6 mil a 7 mil postos diretos e indiretos na etapa operacional.

Esses números reforçam o papel da ferrovia não apenas como solução logística, mas como vetor de desenvolvimento regional, articulando indústria, serviços, infraestrutura e geração de renda.

A nova estratégia logística envolve a construção de ramais ferroviários privados, conectados à malha nacional existente:

  • Ramal da Arauco: entre 47 km e 48 km, ligando a fábrica em Inocência (MS) à Malha Norte, operada pela Rumo;
  • Ramal da Eldorado: cerca de 97 km, conectando Três Lagoas a Aparecida do Taboado;
  • Trajeto ferroviário total até Santos: estimado em aproximadamente 1.050 km entre Inocência e o litoral paulista;
  • Malha Oeste: projeto de relicitação prevê a reativação e modernização de cerca de 600 km dentro de MS, ligando Corumbá a Mairinque (SP), com potencial para ampliar o escoamento de celulose e minérios;
  • Expansão da Malha Norte: a ampliação em 743 km, no Mato Grosso, reforça o Porto de Santos como principal hub logístico do Centro-Oeste.
(Foto: Reprodução)

Em fevereiro, está previsto o lançamento da pedra fundamental do ramal ferroviário da Arauco, que terá terminal integrado dentro da própria planta industrial em Inocência, marcando o início físico da implantação dessa nova rota logística.

Terminais portuários e estratégia em Santos

Toda a produção de celulose de Mato Grosso do Sul tem como destino o Porto de Santos, onde as principais empresas do setor, Eldorado, Suzano, Bracell e Arauco, possuem terminais próprios ou projetos em implantação, estratégia que garante escala, eficiência e controle da operação portuária.

O terminal da Arauco será voltado a navios do tipo break bulk, com capacidade estimada entre 50 mil e 80 mil toneladas por embarque. Já o projeto da Bracell (STS14A) prevê a construção de um armazém com 44.590 m² e capacidade estática de 126 mil toneladas de celulose. A logística também se integra ao mega terminal ferroviário da Rumo, em Rondonópolis, que consolida cargas do Centro-Oeste rumo ao litoral paulista.

Com a ferrovia assumindo papel central no escoamento da produção, Mato Grosso do Sul avança para um novo modelo logístico, mais eficiente, sustentável e competitivo. A combinação entre grandes projetos industriais, ramais ferroviários dedicados e terminais portuários especializados cria um corredor estratégico alinhado às exigências do mercado internacional.

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