Economia

Salário mínimo ideal para garantir o básico é de R$ 6.527, diz Dieese

O valor, de acordo com a pesquisa sobre a cesta básica de junho nas capitais, equivale a 5,39 vezes o piso atual, de R$ 1.212 .

R7
06/07/22 às 14h44
Cesta básica já compromete 59,68% do salário mínimo em São Paulo - EDU GARCIA/R7 - 20.04.2022.

O salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas em junho deveria equivaler a R$ 6.527,67, ou 5,39 vezes o piso atual de R$ 1.212,00.

O dado faz parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).  

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em junho de 2022, 59,68% do rendimento para adquirir os produtos da cesta, pouco maior do que o de maio, quando o foi de 59,39%. Em junho de 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual ficou em 54,79%.

O cálculo é feito com base na cesta básica mais cara, que é de São Paulo, levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. 

Em maio, o valor necessário era de R$ 6.535,40, ou 5,39 vezes o piso mínimo. Em junho de 2021, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.421,84, ou 4,93 vezes o valor vigente na época, de R$ 1.100,00.

O custo da cesta básica de alimentos aumentou em junho em nove das 17 capitais onde o Dieese realiza a pesquisa. São Paulo foi a capital onde a cesta básica teve o maior custo (R$777,01), seguida por Florianópolis (R$ 760,41), Porto Alegre (R$ 754,19) e Rio de Janeiro (R$ 733,14). Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 549,91), Salvador (R$ 580,82) e João Pessoa (R$ 586,73).

Entre maio e junho, as maiores altas ocorreram no Nordeste, nas cidades de Fortaleza (4,54%), Natal (4,33%) e João Pessoa (3,36%). Oito cidades apresentaram reduções, sendo que as mais expressivas foram registradas no Sul: Porto Alegre (-1,90%), Curitiba (-1,74%) e Florianópolis (-1,51%).

Na comparação com junho do ano passado todas as capitais pesquisadas tiveram alta de preço, com variações que oscilaram entre 13,34%, em Vitória, e 26,54%, em Recife.

Produtos
De acordo com a pesquisa, entre os produtos cujo preço aumentou em todas as capitais aparece o leite integral com as maiores altas em Belo Horizonte (23,09%), Porto Alegre (14,67%), Campo Grande (12,95%) e Rio de Janeiro (11,09%). No caso da manteiga, as maiores elevações ocorreram em Campo Grande (5,69%), Belém (5,38%) e Recife (3,23%).

Em 15 das 17 capitais o preço do quilo do pão francês subiu, com os maiores percentuais em Belém (10,29%), Salvador (3,36%) e Natal (3,21%). O preço da farinha de trigo, que é coletada no Centro-Sul, teve seu preço elevado em todas as capitais, com destaque para em Brasília (6,64%) e Vitória (5,49%).

O quilo do feijão carioquinha subiu em todas as cidades onde é pesquisado e teve variação entre entre 3,67%, em Belém e 13,74%, em Recife. O preço do quilo do café em pó cresceu em 13 capitais, com as principais altas em São Paulo (4,43%), Belém (3,31%) e Recife (3,31%).

No sentido contrário aparece a batata que apresentou queda de preço em todas as cidades, com as reduções mais expressivas em Campo Grande (-19,60%), Florianópolis (-16,31%) e Belo Horizonte (-14,72%).

Além de serem mais saborosas, por amadurecem no tempo certo, sem a necessidade de uso de aditivos químicos para acelerar esse processo, as frutas da estação são conhecidas por também fazerem bem para o bolso.

A estação ou época corresponde ao período do ano que é mais propício para a colheita de tudo o que foi produzido. É quando há uma grande oferta da fruta, o que, normalmente, faz os preços caírem. No inverno brasileiro, algumas das frutas da estação são banana, mexerica, maçã, caqui e kiwi, entre outras.

Neste ano, ao contrário do que se esperava, elas estão mais caras. 'Um dos motivos desse aumento é o valor do combustível, usado para o transporte dessas frutas. No Brasil, tudo relacionado a hortifrúti é carregado via caminhão. Se aumenta o custo da logística, isso é repassado para o consumidor final', avalia o economista Leandro Rosadas, que fez o levantamento de preços, a partir de encartes de quatro das maiores redes supermercadistas do Rio de Janeiro, que somam 278 lojas no estado. Veja de quanto é o aumento de cada fruta:

EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO-07/06/2022.

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