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Caso Santa Casa: Delegado poderá pedir prisão de envolvidos

No decorrer dos próximos dias, a possibilidade de pedido de prisão de pessoas ligadas às provedorias, diretorias, corpo clínico ou até mesmo dos Conselhos da Santa Casa de  Misericórdia de Fernandópolis não está  descartada.

Fernandópolis - Redação  Hoje Mais Andradina 
26/07/19 às 09h02
As contas de Junior Sequini, Diomar Durval, Geraldo de Carvalho e Sandra Godoy estão sendo investigadas (Região Noroeste)

No decorrer dos próximos dias, a possibilidade de pedido de prisão de pessoas ligadas às provedorias, diretorias, corpo clínico ou até mesmo dos Conselhos da Santa Casa de  Misericórdia de Fernandópolis não está  descartada.

As investigações deflagradas pelo delgado Ailton Canato que investiga documentos da Santa Casatem por objetivo desvendar o que provocou o endividamento exorbitante nos últimos 10 anos, chegando a mais de R$ 50 milhões. 

“Conselheiros fiscais e administrativos deverão responder por negociações que geraram prejuízo, secretários e tesoureiros: vamos passar a limpo as dívidas da Santa Casa! Não é à toa que estou há mais de um ano e dois meses levantando informações, confirmando dados e colhendo depoimentos nessa investigação”, garante o delegado seccional. 

Segundo ele, não há um alvo específico a ser investigado. “Não existe A, B, C ou D sob investigação. Nosso foco é a evolução do endividamento da Santa Casa”, disse o delegado, que realizou busca e apreensão de documentos na entidade no último dia 16. 

Canato também já teria recebido diversas denúncias anônimas de possíveis fraudes cometidas na Santa Casa e que as informações serão checadas, verificando a veracidade dos fatos. 

O inquérito deve apurar a possível venda ilegal de lotes que pertenciam à entidade e que foram comprados por uma empresa ligada a José Sequini Junior, ex-provedor entre os anos de 2007 a 2009. 

As reformas feitas por Junior Sequini poderão ser investigadas e até mesmo serem questionadas confrontando com o artigo 37 do Estatuto da entidade. O objetivo é apurar se alguém favoreceu a si mesmo, ou se alguma pessoa foi favorecida com desvios ilícitos de valores em determinados contratos, negociações, ou mesmo no exercício de algum cargo dentro da Santa Casa.

(Reprodução)

GESTÃO COMPARTILHADA

O inquérito policial, que apura irregularidades na Santa Casa também investiga a suposta "gestão compartilhada" com a Santa Casa de Andradina.

O inquérito policial ouviu o conselheiro administrativo Hélio Maldonado Filho que afirmou que fez um levantamento inerente aos ativos e passivos de forma voluntária e apresentou os números em assembleia, mencionado ainda que naquele momento havia necessidade de contratar pessoas experientes para administrar o hospital. Essas pessoas foram indicadas por membros da OSS Santa Casa de Andradina. Inclusive diretores da entidade andradinense eram comumente vistos no hospital, participando inclusive do recebimento de materiais, assinaturas de convênios, entre outros, que foram registrados pela assessoria de imprensa da Santa Cas de Fernandópolis. Os indicados, em sua maioria, já possuiam passagem com vínculo empregatício na OS de Andradina e unidades de saúde ligados a entidade .    

Em depoimento Helio Maldonado Filho negou que houvesse administração compartilhada entre as Santas Casas e que houve erro de digitação na fala dele na ata, mas chegou a assinar o documento. 

Vera Ferrarezzi, que figura no cargo de escrituraria, sendo responsável pelas anotações, disse em depoimento que quem redigiu a ata de posse da nova diretoria foi Helio Maldonado Filho e que apenas assinou o documento. O inquérito apontou que Helio “falta com a verdade ao negar que explanou na assembleia que empossou a nova diretoria”. 

O ex-presidente da Câmara e atual vereador, Étore Baroni, disse em depoimento que participou da assembleia que empossou a nova diretoria e afirmou que ouviu de Helio que a Santa Casa de Andradina exercia “administração compartilhada” com a Santa Casa de Fernandópolis, sendo que a diretoria seria de Andradina e corpo de conselheiros de Fernandópolis. ´ 

O mesmo entendimento também foi apontado pelo ex-provedor Edilberto Sartin e que a explanação de administração compartilhada feita por Hélio, sendo decisiva para que os “irmãos” ratificassem que nos bastidores já havia sido acordado. 

A conselheira Alice da Silva Ferrarezzi também em depoimento afirmou que tinha conhecimento de uma administração compartilhada entre Andradina e Fernandópolis, a mesma informação sendo confirmada pelo conselheiro Jesiel Bruzadelli Macedo. Para ele existe sim um vínculo a diretoria da Santa Casa e a OSS de Andradina. 

Mas o conselheiro Antonio Luiz Aielo, responsável pela lavratura da ata da assembleia afirmou em depoimento que não existe gestão compartilhada o que causou divergência com os demais depoimentos, ficando a dúvida de que a atual diretoria teria responsabilidade no aumento das dívidas ou se o ônus ficaria inteiramente para a Irmandade de Fernandópolis. 

Na decisão judicial que autorizou a apreensão de documentos na instituição, o juiz Vinicios Castrequini Bufolin destaca que “os ventos precursores da simulação terem sido alvo de apuração pela Policia Judiciária, a indicar a “politicagem” (algo diverso da política, por não fazer parte da função própria dos políticos) para a vinda da OSS de Andradina e que tais fatos devem ser investigados. Apontando uma interferência política na gestão da entidade. 

Bufolin cita ainda que “muitas das pessoas inquiridas podem responder pelo crime de “falso testemunho”, por aparentemente “calar a verdade”, ou seja, deixa de prestarem todos os esclarecimentos necessários, sem omitir questões relevantes sobre a ingerência permanente da OSS de Andradina sobre os negócios da Santa Casa de Fernandópolis” (sic). (Com Região Noroeste)

(Reprodução)
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