Com o advento das redes sociais e da popularização da internet, os tradicionais veículos de comunicação estão perdendo o poder de serem a última palavra na interpretação dos fatos e no comentário de situações.
Há uma nova acomodação social dos veículos que formam opinião pública numa cidade. Especialmente as menores de 60 mil habitantes, que viviam retidas nos conceitos dos proprietários de rádios e emissoras regionais de televisão, jornais e em geral, concentradas nas mãos de poucos e bem sucedidos empresários.
Conheço cidade onde os donos de rádio sempre foram as maiores autoridades do município. Não eram as autoridades de fato quem recebiam a visita dele, mas ele e é quem intimava elas à comparecer em seu escritório. Assim como donos de alguns jornais que eram exclusivos na informação e avaliação dos acontecimentos locais. No entanto, hoje as redes sociais se encarregam de fazer boa parte dessa comunicação à sociedade.
Os candidatos a prefeitos e vereadores, sempre iam até eles solicitar o apoio, o entendimento. Não era conveniente desenvolver uma campanha, tendo o dono da rádio ou do único jornal como opositor pessoal. Os presidentes de entidades assistenciais, filantrópicas, deviam a eles a divulgação de seus eventos para arrecadação financeira. O fracasso dessa negociação, implicava invariavelmente num grande obstáculo. Razão pela qual, os acordos de valores para campanhas públicas publicitárias ficavam dependentes desse apoio, e os contratos futuros, como pagamentos dessa fidelidade.
As redes sociais estão desmanchando essa estrutura de poder do dono do rádio ou jornal de ser a última palavra. Os poderosos donos dos monopólios de comunicação, assim como já ocorreu na eleição do presidente Bolsonaro, estão perdendo a capacidade de manipular informações e de minimizar ou valorizar temas e assuntos, conforme suas vontades e interesses pessoais. Assim como os políticos que já perceberam não serem eles os donos da verdade. Toda informação pode ser questionada nas redes sociais, ou desmentidas. Essa talvez seja a revolução mais importante dessa nova era de comunicação.