Eles já sabem a importância da política. Acompanham as mudanças do país e viram a política ser mais debatida na escola, nas redes sociais e na família. Mas a vontade dos adolescentes de 16 e 17 anos de participar das eleições vem diminuindo, principalmente nas eleições municipais.
O direito ao voto, mesmo que facultativo aos 16 e 17 anos, foi garantido a partir da Constituição de 1988. Na época, muitos jovens se mobilizaram, inclusive de forma apartidária, para estimular o voto consciente, pois queriam participar da eleição direta para presidente em 1989 – a primeira desde a ditadura de 64.
Hoje, pesa na cabeça deles promessas não cumpridas, corrupção e representantes distantes da juventude. Tudo isso têm sido os responsáveis pela falta de entusiasmo desses jovens, e muitos deles preferem adiar a estreia nas urnas para os 18 anos. Grande parte não irá votar em outubro próximo.
Mesmo assim, os jovens que irão votar nesta eleição, buscam estímulo para vencer esse desânimo e quebrar barreiras. Um desses jovens é a Naice da Silva Medeiros, que aos 17 anos, já decidiu seus candidatos à prefeito e vereador em Andradina e estimula o debate entre os amigos. “Eu quero participar do futuro e procurei pessoas que me representassem”, disse a jovem, que influiu até na escolha dos pais e irmão, debatendo sobre as propostas dos candidatos.
Sem limites
Naice não é uma pessoa acostumada a se contentar com “limites”. Há 17 anos, o casal Rosemayre da Silva Medeiros e Valdecir Aparecido Medeiros receberam o que eles chamaram de presente muito especial: Naice da Silva Medeiros.
“Eu não posso ter filhos. Mas Deus colocou dois no meu caminho, o Rodrigo que hoje tem 20 anos, e a Naice. Quando soube que tinha uma menininha na Santa Casa de Andradina, eu sabia que ela era minha”, conta Rosemayre, mais conhecida por Rose. Ela conheceu sua filha Naice com apenas 7 dias de vida, pesando 1.900kg e 42 cm.
“Ninguém sabia dizer se ela era prematura, ela ficou 20 dias tomando banho de luz e eu no fórum atrás da guarda. Ela tinha uma infecção no pulmão, segundo a pediatra Dr. Silvana. O Dr. Rogério Conceição era meu advogado da primeira adoção e com isso foi mais fácil adotar a Naice”, lembra.
Com 8 meses de vida, Rose percebeu que Naice não sentava, chorava muito e não rolava. “Procurei diversos médicos, fizemos exames e nada apresentava. Até que o Dr. Hermano pediu uma tomografia e constatamos que Naice teve a falta de oxigenação”, lembra Rose. Neste momento a luta desta mãe começa, uma luta sem fim e que perdura até hoje.
“Falaram que a Naice não sairia da cama”, revela a mãe “Nunca aceitei isso, como alguém pode falar que minha filha jamais fará alguma coisa, para Deus nada é impossível, apenas me segurei em Deus e com apoio do meu marido fui em busca de todo tratamento para ela”.
Naice passou por 11 cirurgias, diversas aplicações de botox nos membros inferiores, saiu da fralda aos 5 anos, andou aos 8 anos de idade. E, no dia 8 de fevereiro de 2014 ela dançou sua valsa de 15 anos com o pai Valdecir.
Naice começou na Apae, passou pela AACD de Osasco, fez tratamentos alternativos, foi para a escola da rede municipal, depois para rede estadual e está quase terminando o segundo grau. E, para quem acha que ela já lutou e conquistou o bastante, Naice avisa: “Vou ser fisioterapeuta!”.
Rose fala que nunca aceitou nenhum prognóstico pessimista de médico. “Deus começa e ele há de terminar, então, sempre pensei assim e mesmo quem tentou me desmotivar para que eu parasse de lutar, nunca dei ouvidos, eu, meu marido, meu filho e a Naice sempre tivemos e temos fé, por isso ela conseguiu e vai conseguir muito mais”, desabafa a mãe.
“Meus pais são muito especiais pra mim e meu irmão. É uma benção em minha vida”, afirma Naice.