Ilha Solteira não deve ser o único caso no país, mas é emblemático. Será que a bipolaridade ideológica de fato existe no Brasil? As campanhas municipais para prefeito e vereadores demonstram que para chegar ao poder ou derrubar um desafeto, os políticos se juntam ou se espalham conforme as conveniências locais, independente de partidos.
Em convenção virtual o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) considerado representação da esquerda no Brasil, se uniu ao PSL – Partido Social Liberado, o partido da direita que elegeu Messias Bolsonaro como presidente, em posições totalmente opostas e até hoje tensas.
Sem qualquer constrangimento, a convenção que deliberou essa união contou com medalhões do PT a nível nacional como os deputados federais Arlindo Chinaglia, Paulo Teixeira e Alencar Santana, e ainda dois deputados estaduais Luiz Fernando e Professora Bebel. Também estavam o dirigente do partido em São Paulo Simão Pedro, o ex-presidente do Incra Welington Diniz e o coordenador Fernando Zar.
Todos vão apoiar o candidato do PL em Ilha Solteira, KoKim do Partido Liberal. O PT não terá candidato a prefeito dessa vez, após décadas de tentativas e derrotas. Serão 14 candidatos somente à vereador. Kokim que é vereador de primeira legislatura é do Partido Liberal, disse ao jornal “Ilha de Notícias” que seu nome abrange extremos da política (como o PT e o PSL), porque todos tem um objetivo comum, que é a mudança no comando do Município.
Toda essa união é para tentar interromper a preferência do eleitorado pela família Gomes. O atual prefeito Otávio Gomes filiado ao PSDB, é o terceiro da família a assumir o cargo. O pai Edson Gomes que foi deputado Estadual, foi três vezes prefeito e sua mãe Odília também administrou o município. Agora Gomes é candidato à reeleição. Foi eleito como vice de Edson, que acabou sendo afastado.
Assumindo a prefeitura Otávio ganhou o prestígio de boa parte da população e sua gestão considerada bem sucedida pelos seus apoiadores, o colocam segundo seus próprios opositores, em condições de provável vitória.
A união de PT e PSL em Ilha Solteira é vista como uma traição ao Partido Popular, exatamente o partido originário da família de Otávio e que na gestão do Governo Petista, foi uma das bases de apoio, tendo como forte liderança estadual o ex-deputado federal Vadão Gomes que é tio de Otávio.
