O diretor executivo do Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), Marco Pilla, é o entrevistado do mês na coluna La Regence Entrevista. Ele está de férias em Andradina, onde além de aproveitar a tranquilidade do interior para recarregar as energias, cumpriu agenda partidária visando as eleições 2016. O técnico agrícola e bacharel em Direito, Marco Aurélio Pilla Souza nasceu em Andradina no dia 10 de março de 1966. Hoje, Marco Pilla reside em São Paulo, onde cumpre uma função estratégica no Governo do Estado de São Paulo para o fortalecimento da agricultura familiar.
Hugo Leonardo: Com 49 anos indo pra 50, a sua vida seguiu os planos?
Marcos Pilla: É até engraçado, você olha pra trás e fala que já passou muita coisa. Quando o meu pai tinha 50 anos, eu achava ele velho e hoje eu não me acho velho, me acho com bastante vigor e potencial ainda pra trabalhar e viver a vida, mas chegar aos 50 anos assusta um pouco.
Hugo Leonardo: Fez planos especiais para a data do aniversário?
Marco Pilla: Eu estou pensando em fazer alguma coisa, até porque eu acabei recebendo uma honraria importante de Andradina a qual a Câmara me agraciou com a Medalha Moura Andrade, que eu recebi do vereador Edgar Dourado, então estou pensando em fazer algo junto com o aniversário.
Hugo Leonardo: Você é um homem do campo, uma pessoa que tem uma tradição muito grande com essa parte e faz 6 anos que você está à frente das políticas de Estado para o campo, você parou pra pensar a proporção disso na sua vida?
Marco Pilla: Eu acho assim, que tudo está nas mãos de Deus. Nunca almejei estar à frente do Itesp, ser o presidente e chegar onde cheguei. Só fiz meu caminho. A gente vai indo, vai trabalhando e quando você vê é reconhecido, então eu fico feliz. Recentemente lá em Venceslau, o Governador Geraldo Alckmin me chamou à frente em um evento e se referiu a mim como homem do interior de São Paulo. Isso é gratificante, principalmente quando ele fala em Andradina se referindo a mim. Hoje eu trabalho com mais de 150 cidades no Estado, então quando o pessoal me identifica que eu levo o nome de Andradina, fico feliz, porque de uma forma ou de outra eu estou representando a minha cidade no cenário estadual, ainda mais junto com a figura do Geraldo Alckmin, um homem sério, com dedicação e integridade que governa. Sou de família pobre e fiz tudo devagarinho e conquistando o meu espaço, sem passar por cima de ninguém. Deus foi muito bom pra mim.
Hugo Leonardo: E como foi chegar lá?
Marco Pilla: Eu entrei na gestão do comando do Itesp no governo do Serra a convite do Aloysio Nunes, senador da República. Mesmo identificado como do time do Aloysio Nunes e do Serra, acabei ficando na gestão do Geraldo a seu convite e já estou no segundo mandato. Mesmo quando a Secretaria da Justiça foi destinada ao PTB, do nosso amigo deputado federal Campos Machado, o próprio Geraldo fez uma distinção: ‘Olha o Pilla fica lá. Ele está fazendo um bom trabalho’. Isso não é um reconhecimento por política, é um reconhecimento de trabalho, o que eu acho gratificante.
Hugo Leonardo: A sua experiência aqui como coordenador regional, de ir a campo, isso te ajudou a mudar a legislação do setor. Como foram essas mudanças?
Marco Pilla: Eu tive a felicidade de ter uma boa equipe comigo. Uma equipe técnica que eu aproveitei nos próprios quadros do Itesp (70%). Com isso consegui pegar pessoas capacitadas, aproveitar o conhecimento de cada um e fazer um bom grupo de trabalho. Acredito que ninguém faz nada sozinho e uma conquista é algo formado com várias mãos. Essa é a escola que eu tive aqui em Andradina. Também criei um sistema de informação pra trocar experiências do campo. Publicava as notícias em um boletim e esse sistema eu levei para o Estado. Hoje todas as ações do Itesp são colocadas em um boletim online semanal do próprio Governo com um mailing de 33 mil divulgadores. Hoje todo mundo conhece o que o Itesp faz. Outros setores do Governo começaram a divulgar também. Também tive a ideia de sugerir que as secretarias, penitenciárias, educação, saúde e outros órgãos do Governo passassem a comprar produtos agrícolas diretamente do pequeno sitiante, seja ele assentado ou tradicional. Batizei o programa com o nome de PPAIS (Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social), e aí virou Lei. Hoje chegamos a R$ 8 milhões de compras públicas de forma direta, sem a figura do atravessador. Uma outra lei importante de uma área de conflito agrário que é região do Pontal do Paranapanema, entre fazendeiros e movimentos sociais. Peguei uma Lei Federal 8629/93 que diz: “Não serão passíveis de reforma agrária a pequena (até 4 módulos fiscais) e média (até 15 módulos fiscais) propriedade rural’’. Se o Incra não desapropria áreas menores que 15 de módulos fiscais, porque que São Paulo não adotaria o mesmo esquema pra região? Trabalhei em uma outra Lei Complementar, junto com Dr Desembargador Nalini, hoje presidente do Tribunal, juntamente com a Arispe (Associação dos Cartórios de São Paulo), na pessoa do Dr Flauzelino e, também da FAESP, Dr Flavio Meireles. Montamos esse grupo e formatamos uma Lei para o Pontal que hoje é regularizada as fazendas de até 450 hectares e até 15 módulos fiscais, ou seja, você pacifica uma área do Pontal. Agora tem uma Lei que eu encaminhei para o Palácio e que já foi para a Assembleia Legislativa. Ela é baseada em uma lei de mais de 30 anos, no Governo de Franco Montoro. Modificamos e assim passaremos a dar a concessão de uso, dando garantias jurídicas de sucessão hereditárias da terra. A terra continua sendo do Estado, mas você tem uma garantia a mais para que quem está no lote possa passar para os herdeiros no caso de falecimento. Essa lei também garante a parceria agrícola já que houve o envelhecimento das pessoas que foram assentadas. Já passaram em media 25 anos já tiveram filhos, netos e essas pessoas que residem no lote do assentamento. Como os iniciais já pegaram os créditos garantidos por lei, então nós vamos fazer a parceria agrícola possibilitando o acesso ao crédito também para os herdeiros, isso pra assentamentos estaduais. Algumas dessas mudanças estão virando exemplos para o Brasil e eu fico feliz de ter participado dessa inovação e de ter levado o meu conhecimento, junto com a minha equipe propondo novas ações de Governo. Oura proposta, levada ao Senado por Aloysio Nunes, vai regulamentar propriedades pequenas de até quatro módulos fiscais que não tem documentação. Se aprovada nós vamos regularizar todas as propriedades a nível de Brasil gratuitamente. Essa é a contribuição de São Paulo para o Brasil.
Hugo Leonardo: E como serão essas férias em Andradina?
Marco Pilla: Agora em outubro tenho alguns dias pra ficar aqui em Andradina pra andar de chinelo e shorts, ir pescar, rever os amigos no campo e, principalmente, estar com meus filhos Rafaela e Vanderlei. Eu sinto falta disso porque a minha rotina de trabalho é como uma ‘máquina de moer carne’. Eu entro às 8h e saio às 21h todos os dias. A necessidade de descanso é extrema. O ritmo na Capital é completamente diferente do ritmo do interior. Eu vou aproveitar também e dar uma mão para o pessoal do partido. As eleições do ano que vem são eleições importantes para o PSDB, que vai ter candidatura própria. Estamos trabalhando para formar uma chapa boa. Temos filiados importantes e tradicionais no partido, que tem um carinho especial pelo PSDB como Paulinho da Skol, Mario Celso e Marcos Citro. Também estamos trazendo gente nova. Vou aproveitar essa minha estadia de férias, essa minha folga para fazer uma campanha política partidária aqui na cidade.