Política

Mirandópolis chega a 43 casos de covid e prefeito dispara: ´Dória está fazendo da doença um palanque eleitoral´

Mirandópolis bateu a marca de 43 casos confirmados pela Covid-19 de acordo com um balanço divulgado nesta terça-feira (26) pelo Departamento de Saúde do Município.

Hugo Leonardo - Mirandópolis 
27/05/20 às 10h30
Everton Sodário afirma que palenque de dória é o Covid 19 (Foto: Cleber Carvalho)

Mirandópolis bateu a marca de 43 casos confirmados pela Covid-19 de acordo com um balanço divulgado nesta terça-feira (26) pelo Departamento de Saúde do Município. Além de três novos casos de infecção pelo novo coronavírus desde o fim de semana a prefeitura investiga duas mortes suspeitas da doença.  

Quatro pessoas morreram em decorrência do corona na cidade. A última morte registrada pela doença foi oficializada na quinta-feira (21) com a chegada dos exames de um idoso de 77 anos que morreu no hospital estadual no dia 17 de maio. 31 pacientes se recuperaram dos sintomas da doença e outros 70 pacientes testaram negativo para o novo coronavírus.

Com esses números, Mirandópolis entra na lista das cidades como a terceira cidade com maior número de óbitos da doença no Noroeste Paulista segundo levantamento feito pela TV TEM, afiliada à Rede Globo. São José do Rio Preto (20 óbitos) está em primeiro lugar e Catanduva (8 óbitos) em segundo.

Casos vindos do presídio

Na semana passada o prefeito de Mirandópolis, Everton Sodário (PSL) voltou a criticar o Estado sobre o aumento do número de casos na cidade.

“Infelizmente tivemos um aumento de 6 casos da Covid-19 em Mirandópolis, informo, porém, que todos são advindos das Unidades Prisionais e nenhum está internado. Quero parabenizar a direção e servidores das duas Unidades pois caso não estivessem atuando tão pronta e competentemente, os números de infectados nos presídios seria muito maior. Continuamos Prefeitura, Departamento de Saúde e Presídios trabalhando conjuntamente na atuação de combate ao vírus”, declarou Sodário em sua rede social.

Para o prefeito o Estado joga um peso muito grande nas costas dos municípios, que são responsáveis pela atenção básica em Saúde. “Municípios maiores conseguem estruturar um pequeno hospital de campanha, consegue abrir novos leitos de UTI. Aqui em Mirandópolis nós não temos condições disso. A minha principal UBS funciona das 7 horas da manhã às 10 horas da noite, de segunda a sexta. Não temos unidades que funcionam no final de semana. As demais fecham as 17h. O atendimento de alta e média complexibilidade é responsabilidade do Estado então é o Hospital Estadual de Mirandópolis quem atende e ele é responsável pelo atendimento do estado de mais de quarenta cidades”, disse afirmando que os casos graves de suspeita de covid vão direto para o hospital.

Sodário disse que a atuação do Departamento Municipal de Saúde garantiu o resguardo aos profissionais de saúde com EPIs de qualidade, álcool em gel EPIs, máscaras, luvas, toucas. “Quando eu assumi a prefeitura se faltava de tudo aqui de todo tipo de medicamento, insumos e outras coisas. Os médicos estavam com três meses de salários atrasados. Hoje está tudo em dia”, afirmou.

O prefeito afirma que os casos suspeitos, sem maiores agravamentos são centralizados no Postão onde recebem orientações e são acompanhados. “Fizemos uma boa conscientização para a população e também fazemos a higienização cotidianamente das ruas. A fiscalização junto da Vigilância está passando em lugares que podem funcionar e fazendo as orientações então a gente fez toda uma estruturação ao pé que a prefeitura tem condição”, explicou.

Hospitais de campanha

Sodário afirma que Mirandópolis não tem condição de fazer um hospital de campanha e que isso foi isso uma das coisas que pedidas para o governador João Dória.

“Temos 10 leitos de UTI em Mirandópolis e 16 respiradores. No momento, se eu não me engano apenas um leito de UTI está sendo usado e nenhum respirador. Há alguns anos tínhamos mais de 100 médicos no Hospital Estadual e hoje tem menos de 50. O governador não estruturou o sistema de saúde para o coronavírus. Não aumentou o número de leitos aqui na nossa região. Em Mirandópolis por exemplo, ele não construiu um hospital de campanha na região ele não mandou mais respirador, ele não abriu nem mais leito de UTI então a cidade não teve nenhum suporte a mais do Governo do Estado. Só recebemos a ordem: fecha tudo e fique em casa”, afirmou.

Sodário afirma que esta é sua grande briga com o Estado, que tem montado uma estrutura de grande mídia sobre a doença só investindo onde pode aparecer mais.

“Fazer hospital de campanha no Pacaembu  e no Ibirapuera é fácil. Agora, fazer um hospital de campanha aqui no interior, dentro de um presídio é difícil. Nossos números vão as alturas porque a população carcerária não tem suporte dentro dos presídios e vem para o hospital contabilizando o doente para o município”, disse Sodário afirmando que a grande maioria de casos da cidade são de presos, agentes penitenciários ou de familiares de agentes.

“A cidade assumiu a liderança da região em casos de covid. E vão criticar porque quero abrir o comércio da cidade, sendo que essa responsabilidade não está sendo assumida pelo Estado”, disse.

Para Sodário, o Estado deveria investir na construção de hospitais de campanha nos presídios para que os doentes nas unidades prisionais não ocupem um leito de hospital. “E por que não faz? Porque dentro de um presídio ninguém vai ver. E por que não fazer um hospital de campanha com 100 leitos para atender pelo menos a região de Araçatuba? Araçatuba não tem a visibilidade que tem o Ibirapuera ou Pacaembu. Então eu acho que o governador João Dória tem que parar de fazer politicagem palanque eleitoral com coronavirus para 2022 e começar a administrar”, afirmou Sodário que acredita que o coronavirus virou um palanque eleitoral muito bom para vários pré-candidatos.

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