Política

Sodário: saiba o que pensa a maior `voz` do Bolsonarismo no no Noroeste Paulista

Com 26 anos, o advogado Everton Luiz Fernandes Sodario (PSL) Raimundo é o prefeito no poder em todo o Noroeste Paulista e também o mais jovem já eleito em Mirandópolis (SP) É também o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Hugo Leonardo - Hoje Mais Andradina
26/05/20 às 15h51
Sodário já foi chamado pela grande mídia de "Bolsonaro Caipira" (foto: Cleber Carvalho)

Com 26 anos, o advogado Everton Luiz Fernandes Sodario (PSL) Raimundo é o prefeito no poder em todo o Noroeste Paulista e também o mais jovem já eleito em Mirandópolis (SP) É também o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. 

A simplicidade apresentada desde a posse se replicou no jeito de Sodário governar. Ele assumiu o município em situação “caótica”, como ele mesmo classifica. Liberalmente a prefeitura estava indo abaixo, com o prédio interditado e funcionando provisoriamente no ginásio de esportes do município. Foi neste local é que ele recebeu a equipe do Hoje Mais Andradina para uma exclusiva.

A mesa improvisada onde ele trabalha é ao lado dos outros servidores. Não há segredos nem portas fechadas neste gabinete improvisado. A equipe parece inteirada nos passos do prefeito que também dispensa equipe de imprensa. Qualquer anúncio é feito em primeira pessoa. “recebemos a informação que o antigo passo municipal iria cair, levando junto a rodoviária. Até agora não aconteceu mas estamos aqui improvisados. Hoje eu tenho uma mesa para oficialmente fazer despachos e um gabinete improvisado de onde faço as minhas lives”, disso.

O jeito de anunciar suas conquistas e de falar com a população ele replica fielmente do presidente Jair Messias Bolsonaro, de quem tem um apreço especial e goza de certo prestigio com a família.

Três lives realizadas por Sodário no último mês alcançaram mais de um milhão de visualizações. A campeã de audiência foi a que anunciou o uso da Cloroquina na Rede Municipal de Saúde, que obteve 1.589.601 visualizações (um milhão e quinhentos e oitenta e nove mil, seiscentos e uma visualizações, até o fechamento desta matéria). O segredo, segundo ele é estar afinado com os desejos do brasileiros e ao presidente Jair Messias Bolsonaro, há quem ele é fiel ás ideias.

Apesar de não ter nascido em Mirandópolis ele mora na cidade desde os 4 meses de idade e reside com a avó que o criou até hoje.

 “Minha grande paixão é a política, mas minha profissão é o direito. Tenho registro na OAB desde 2016 (379906), hoje é suspensa né por conta da impossibilidade, incompatibilidade com o cargo de prefeito. Mas a minha profissão é advocacia”, afirma.

(Foto: Cleber Carvalho)

Confira trecho da entrevista com Sodário, pelo jornalista Hugo Leonardo.

Hugo Leonardo: Como foi a sua inserção na política?

Everton Sodário: “Eu sempre gostei muito da política. A vida toda eu tive aspirações e quando eu era pequeno eu dizia que seria presidente do Brasil. Não cheguei lá ainda mas quem sabe um dia eu chegue. Quando eu tinha mais ou menos 18 anos comecei a participar das manifestações de 2013, na época em que começaram os “Fora Dilma”. O início foram aquelas manifestações pelo passe livre. Enfim. Eu já trabalhava no presídio e fui em uma manifestação aqui na cidade. Era só a garotada, nem chegava a 100 pessoas, mas me despertou algo e comecei a participar de algumas manifestações em Araçatuba sempre lá pulando e gritando. Em 2016 eu mudo para São Paulo onde em julho, bem no auge ali do processo de impeachment da presidente Dilma, fui para Paulista, me enturmei com o pessoal lá. Era dia sim, dia não, eu estava na Paulista protestando. Em 31 de agosto foi a cassação definitiva dela e eu estava na Paulista. Comemorei lá. Um dia histórico até hoje”.

Hugo Leonardo: O começo de tudo então?

Sodário: Sim. Em 2016, 2017 e 2018 eu já batendo nessas questões de manifestações quando a equipe do presidente me convidou para ser candidato à deputado. Eles já sabiam que eu já tinha interesse em ser candidato mas não tinha partido ainda. Eu já tinha um bom relacionamento com o Eduardo Bolsonaro aí fui convidado para ser candidato à deputado e resolvi tentar enfrentar o desafio. Gastei menos de R$ 4 mil na campanha e tive 12609 votos.

Hugo Leonardo: foi uma campanha inspirada no “Mito”

Sodário: “O fato de eu ser desse jeito é uma coisa muito natural. Eu não tenho uma equipe de marketing eu faço os meus vídeos. Não tenho fotógrafo oficial. Os meus vídeos as minhas fotos são feitas com esse celular aqui o meu chefe de gabinete vai lá eu falo que vou fazer um vídeo ele pega e grava e eu acho que essa naturalidade e ela que agrada as pessoas. Às vezes fala alguma coisa de mim eu vou lá e falo “gente não é isso a realidade “é essa”, “é essa”, “é essa”. A população também tá cansada de político “coretinho”, daquele “politicamente correto”. “Isso aqui não pode falar”, “não isso aqui não pode fazer”. A população tá cansada disso e quer ouvir a verdade. E esse é o meu jeito de trabalhar. Não tem uma empresa de marketing.

Hugo Leonardo: E como você explica esse sucesso virtual?

Sodário: É uma coisa natural. Não tenho que ir buscar seguidor para mim, os meus seguidores são totalmente naturais. São as pessoas que gostaram ali da minha causa, se identificaram comigo. Eles vivem online, me seguem, compartilham os meus vídeos. Eu também não saio compartilhando nada só posto na minha rede e quem quiser assistir, assisti quem quiser compartilhar compartilha. Todas as divulgações as postagens sou eu quem faço eu que posso tudo. Nem o meu chefe de gabinete tem acesso quando você ver algum vídeo nas minhas redes pode ter certeza que foi eu que fiz eu que postei. O presidente Bolsonaro ele é assim também, ele não tem assessoria neste sentido. Se você ver qualquer texto qualquer postagem é ele quem posta. Não é a assessoria e esse é meu modo de agir também.

Hugo Leonardo: Sua grande briga é para a abertura do comércio, como você avalia essa situação na cidade?

Sodário: Nós temos contato direto com Associação Comercial. Conseguimos estabilizar uma dúzia de pequenas lojas que já fecharam, inclusive a última que fechou era uma loja de produtos sofisticados e presentes. Já não abre mais e estão liquidando o que tinha. O que está pesando muito são as demissões. Nós temos aqui em Mirandópolis algumas grandes lojas que já fizeram demissões. Uma fábrica há dois meses atrás ela já tinha dado férias coletivas para não demitir, ela emprega mais de 100 pessoas, produzindo sorvetes para uma rede instalada em shopping centers por todo o país. É a única marca que está exclusivamente em shoppings e todos os shoppings estão fechados. Então a gente não sabe até quando esses empregos vão ser mantidos. O comércio ele tá sendo estritamente prejudicado por decisões irresponsáveis. Muitas vezes tentam insinuar que o Prefeito não tá preocupado com a vida. Que tá só preocupado com a economia. Mas eu estou sim preocupado com vidas. E quando a pessoa não tem emprego, ela não consegue pagar o aluguel, não consegue comprar alimentação. Considero que estas decisões do governador (João Dória) são decisões irresponsáveis e ao meu ver e ilegítimas, pois são contra a Constituição e estão sendo um peso para nossa cidade. Um peso que Mirandópolis não consegue carregar, por conta de uma irresponsabilidade que está vindo lá de cima.

Hugo Leonardo: E qual o peso do setor na economia da cidade?

Sodário: Então quando a gente fala nessa questão do Comércio funcionar, é pequenas cidades como Mirandópolis são pautadas basicamente no comércio. Temos no município três áreas que influem diretamente na economia: o funcionalismo público, a agricultura e o comércio. Não temos grandes fábricas. Temos uma usina que também envolve bastante empregos no agro, mas que também começou a ser prejudicada como todas as áreas da agricultura.

Hugo Leonardo: E você vê uma luz no fim do túnel?  

Sodário: Eu até tenho dito que essa crise vai acabar quando o salário do funcionalismo começaram a faltar. Porque quando faltar salário de Juiz, de Promotor, de Prefeito e de Deputado, poderemos ver uma mudança. Hoje quando a gente entra com alguma decisão no Tribunal de Justiça o promotor “vem na bota” para derrubar. Eu não estou pensando em  mim, que tenho o meu salário público no final do mês, mas imagina para uma pessoa que hoje ganha um salário mínimo e que tem que pagar o aluguel e tem que pagar pela alimentação dos seus filhos. E continua pagando isso e aquilo e precisa de gasolina pra ir trabalhar. São essas pessoas que estão perdendo o emprego. Perder esse único salário é muito difícil. Só não estamos piores pois a cidade tem muito servidor público, tanto na prefeitura quanto nas penitenciárias. Só na Prefeitura são mais de 700 e ainda temos os dois presídios e o semi-aberto e outra centena de servidores estaduais em nosso Hospital Regional. O resultado do fechamento do comércio é gravíssimo e não interfere só apenas na vida do comerciante, pois influi diretamente na arrecadação do município, com ICMS e outros impostos municipais e nós já tivemos quedas absurdas.

Hugo Leonardo: A pandemia já interfere nas contas do município?

Sodário: Eu para o mês que vem estou me virando. Acredito ainda ter dinheiro para pagar o funcionalismo. Mas no outro mês eu já não sei porque a arrecadação tá caindo.  IPTU, ICMS, FPM que são as principais arrecadações do município todas estão saindo e é de onde a gente tira o dinheiro, no meu caso aqui para mais de 700 famílias. E aí a gente fica nesse "fica em casa fica em casa", uma solução grotesca do Governo do Estado, que não apresenta uma solução efetiva. Até hoje eu falo para todo mundo até hoje não recebi um ofício do Governador perguntando se a gente tá precisando de alguma coisa perguntando. Tive duas vídeos conferências com o pessoal do Governo do Estado na quarentena toda. As duas foram com o Marcos Vinholi, nenhuma com o governador, e nem o vice-governador. Já fiz três perguntas e até hoje estou esperando a resposta, então é uma responsabilidade. Uma falta de diálogo que não dá para aceitar. Se a gente tivesse pelo menos um plano em mãos dizendo “prefeito a gente tá fechando aqui mas tá o dia a gente começa a abrir”, “a partir de tal momento a gente faz isso Prefeito”. É isso que pesa muito nessa crise toda, a falta de ser ouvido.

Hugo Leonardo: O que você espera para um futuro a médio prazo?

Sodário: Sabemos que os efeitos desta crise vão se prolongar por mais alguns anos. Sabemos que agora não vai chegar a cura para essa doença, essa vacina. E continuamos sem ter responsabilidade, gerência e respeito pela população de dialogar com os prefeitos e tentar achar uma solução para isso aí. Então espero que precisamos encontrar um caminho mais acertado para se defender vidas.  (continua)

(foto: Arquivo Pessoal)
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