Política

Três municípios terão candidato único a prefeito na região

Mesmo assim, postulantes evitam "clima de já ganhou" e esperam votação para conferir legitimidade

LR1
29/08/16 às 08h05

Para serem eleitos, três candidatos a prefeito na região de Araçatuba precisam apenas comparecer à urna, em outubro, e votar no próprio nome. Balanço do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indica que em Alto Alegre, Brejo Alegre e Santópolis do Aguapeí a disputa pelo Executivo será com chapa única, sem concorrentes.

As três candidaturas têm em comum que o PV (Partido Verde) é o partido dos postulantes ao Executivo. Em dois casos (Alto Alegre e Brejo Alegre) os candidatos tentam a reeleição. Em Santópolis, o candidato é um velho conhecido dos eleitores.

O contador Haroldo Alves Pio (PV), o Loi, já começa a fazer planos para os primeiros dias do seu mandato à frente da Prefeitura de Santópolis do Aguapeí, que tem 4,6 mil habitantes. Na coligação dele, além do Partido Verde, estão também o PSDB e o DEM. Na outra coligação, estão PTB, PSB e PRB, mas este grupo só lançará vereadores. 

Para ser o único candidato a prefeito de Santópolis, Loi diz que dois aspectos foram fundamentais: a confiança no trabalho que ele desenvolveu nos dois mandatos que já cumpriu como chefe do Executivo (de 2005 a 2008 e de 2009 a 2012) e também a situação difícil que se encontra a Prefeitura.

“Ter apenas uma candidatura é uma nova experiência. Espero que, com isso, as picuinhas percam espaço em prol ao trabalho que será feito em benefício da população”, comenta o candidato “quase eleito”. Conforme ele, a chapa única foi algo natural, que não demandou acordos de bastidores.

Uma das características dessa candidatura única será também o custo da campanha, que Loi estima ficar entre R$ 20 mil e R$ 50 mil. Mesmo não tendo um adversário, ele garante que não abrirá mão do diálogo com os eleitores. “Vamos fazer uma campanha diferente, nos reunindo nos bairros com as lideranças, fazendo comício no final da campanha e também com material gráfico”, conta.

Mesmo só precisando do próprio voto, ele espera receber uma votação alta. Conforme o candidato a prefeito, quanto mais expressiva for a votação, melhor amparado ele se sairá do pleito para pedir apoio econômico a outros entes federados. “Eu acredito que vamos iniciar o mandato com uma situação que não é das melhores, então teremos pelos menos cerca de dois anos para normalizar a situação”, completa, em referência ao cenário atual da Prefeitura, que registra atrasos nos pagamentos de salários e fornecedores.

REELEIÇÃO

Outro município que terá só uma opção a prefeito e vice nas urnas é Brejo Alegre, com 2,7 mil moradores. Lá, o atual comandante do Executivo, Adriano Marcelo Bonilha, conseguiu chegar em um momento político que nenhum rival "ousou" tirar a cadeira que ele ocupa nos últimos anos.

"Mesmo assim, apostaremos em uma campanha de propostas e ideias, com corpo a corpo, visitando as casas. Inclusive, já comecei pela zona rural", disse o candidato único a prefeito. Conforme ele, este cenário reflete também articulações iniciadas no primeiro ano do mandato.

Apesar da situação relativamente cômoda, ele não desmerece os opositores. "A oposição tem pessoas de nome forte e de muito caráter. Se sou o único candidato, é porque o momento pede união para fazermos um trabalho bonito", disse, esperando também gastar pouco na campanha em comparação com outros municípios.

Por fim, a prefeita Helena Berto Tomazini Sorroche tentará a reeleição à Prefeitura de Alto Alegre, mas sem ter nenhum adversário direto ao posto. Na semana passada, a reportagem não conseguiu contato com ela.

REGRAS

Nos municípios com candidato único a prefeito, o eleitor tem três opções na urna: votar no candidato, branco ou nulo. Mas atenção, eleitor, pois, neste cenário, as duas últimas opções pouco alteram o destino da prefeitura.

"Nos municípios com candidato único, apenas um voto válido pode eleger o prefeito e seu vice, ainda que os demais eleitores votem em branco ou nulo", diz o secretário judiciário do TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul), Hardy Waldschmidt, em artigo divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O motivo é que, conforme decisão do TSE, para o candidato único ser eleito, ele precisa de maioria de votos, mas não a maioria absoluta (50% mais 1). Nesta conta, são também descartados os votos brancos e nulos.

A situação em que um candidato único a prefeito obtenha apenas um voto é bastante improvável, porém, o especialista em direito eleitoral recomenda que os candidatos evitem o clima de "já ganhou". "Na hipótese de ocorrer esta situação, certamente a representatividade dos eleitos restará comprometida", adverte.

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