Hoje, o dia amanheceu mais silencioso. Mais triste. A notícia do falecimento do Pastor João Gilberto Romano ecoou como um sussurro de saudade profunda. Um amigo querido, um conselheiro sensível, um homem de fé – desses que, mesmo sem alarde, transformava tudo ao seu redor com palavras serenas e presença acolhedora.
Eu não era da “igreja dele”, e ele fazia questão de lembrar, com aquele olhar manso e sorriso no canto dos lábios: “Deus não fica entre paredes.”
Era assim que ele via a espiritualidade: ampla, generosa, livre.
Pastor João foi um dos primeiros articulistas da Revista FALA! e colaborador do portal Hojemais Andradina. Nunca falhou com uma edição. Sempre trazia uma reflexão poderosa sobre fé, humanidade, esperança e compaixão. Seu texto era tão vivo quanto sua presença – e quem teve o privilégio de conhecê-lo, sabe: ele falava como escrevia, com alma.
Lembro-me das visitas à redação, quando ele passava para um café, mesmo com a agenda apertada. Ficávamos ali, entre sorrisos, silêncios confortáveis e conversas cheias de propósito. Era só ele entrar que a casa se enchia de paz. Paz de quem conhece a dor e ainda assim escolhe espalhar amor.
Sofreu como poucos com a partida de sua amada Raquel. Dizia, com olhos marejados, que havia sido amputado: “Vivi mais tempo com ela do que sem ela.” Mas não se entregou. Seguiu. Com fé. Com coragem. Continuou sua missão de consolar, orientar, acolher.
Pastor João era um homem grandioso em sua simplicidade. Brincalhão, não perdia uma piada. Tinha o dom raro de nos fazer rir e refletir no mesmo instante. Nunca se colocou acima de ninguém – se fazia próximo, acessível, verdadeiro. Um homem inteiro, mesmo depois de tantas perdas.
Hoje, com o coração apertado, agradeço por cada palavra, cada oração, cada conselho que ofereceu a mim e à minha família. Agradeço por sua amizade sincera e por sua entrega incansável ao propósito de servir.
Foi uma honra dividir momentos da minha vida com você, Pastor João. Foi um privilégio ter sua voz nas páginas que editei. Agora, sei que está ao lado da sua Raquel, sorrindo, orando por nós, e – quem sabe – preparando mais uma das suas crônicas celestiais.
Adeus, meu amigo. Até um dia.
Fique com esta imagem que eterniza um momento lindo seu – porque sua luz, essa jamais será apagada.
