Uma decisão da Justiça nesta semana tem potencial para mudar, de forma profunda, o rumo político de Andradina — e, mais do que isso, transformar a eleição municipal de 2028 em uma das mais importantes e disputadas da história recente do município.
O reconhecimento de que a cidade tem direito ao recebimento do ICMS da Usina de Três Irmãos de forma retroativa — desde sua inauguração, em 1991, até o efetivo reconhecimento em 2014, com início de pagamento em 2015 — representa muito mais do que uma vitória jurídica. Trata-se de uma conquista financeira de proporções milionárias, capaz de impactar diretamente o presente e, principalmente, o futuro da administração pública local.
Na prática, estamos falando de 22 anos de valores acumulados que deverão ser repassados ao município. Um volume de recursos que pode colocar Andradina em um novo patamar de investimentos, possibilitando avanços significativos em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Mas, junto com essa oportunidade histórica, nasce também um alerta — e talvez o maior deles: a responsabilidade do eleitor.
Com mais dinheiro em caixa, a Prefeitura passa a ser ainda mais atrativa politicamente. E é justamente nesse cenário que surgem os riscos. A disputa eleitoral de 2028 tende a atrair não apenas lideranças comprometidas com o bem público, mas também aqueles que enxergam na máquina pública uma oportunidade de benefício próprio.
É o momento em que “lobos em pele de cordeiro” começam a aparecer.
Por isso, o cidadão andradinense precisará exercer, mais do que nunca, um olhar criterioso sobre os nomes que começarão a surgir no cenário político. Não bastará discursos bem ensaiados ou aparências cuidadosamente construídas. Será fundamental observar a trajetória de cada pré-candidato.
- Quem são essas pessoas fora do período eleitoral?
- Como construíram suas vidas?
- Há coerência entre discurso e prática?
- Já ocuparam cargos públicos? Qual foi o legado deixado?
- E, principalmente: houve crescimento pessoal e financeiro compatível com o trabalho desempenhado ou existem sombras nesse caminho?
A eleição de 2028 não será apenas mais uma disputa política. Será uma decisão estratégica sobre quem terá nas mãos a responsabilidade de administrar um volume de recursos capaz de transformar — ou comprometer — o futuro de toda uma cidade.
Dinheiro, por si só, não resolve problemas. Ele potencializa gestões. Em mãos corretas, se transforma em desenvolvimento. Em mãos erradas, vira desperdício, retrocesso e frustração.
Andradina está diante de uma oportunidade rara. Mas, como toda grande oportunidade, ela exige maturidade coletiva.
Mais do que nunca, o voto precisará ser consciente, criterioso e responsável. Porque o que está em jogo não é apenas uma eleição — é o destino de uma cidade inteira.
