Cotidiano

Aparelho de tomografia do PS de Birigui quebra e não há recursos para reparo

Equipamento realiza, em média, 300 exames por mês, e é o único do SUS instalado no município; OSS aguarda repasse para conserto

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
02/05/20 às 12h00

Em plena pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o único aparelho para exames de tomografia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no município de Birigui (SP) está quebrado há mais de 15 dias.

A Santa Casa de Misericórdia, responsável pela gestão do pronto-socorro municipal, onde está instalado o aparelho, diz que aguarda recebimento de recursos para fazer a manutenção do equipamento, que custará mais de R$ 200 mil.

O problema com o equipamento foi denunciado à reportagem do Hojemais por uma moradora de Birigui. Ela contou que uma amiga dela, que passou mais de 20 dias internada na Santa Casa do munícipio, teve a alta adiada porque precisava se submeter ao exame, que não poderia ser feito no hospital, porque o aparelho estava quebrado.

A mulher contou que a paciente fez o exame, mas em estabelecimento particular, e só depois foi liberada para ir para casa.

Responsabilidade

Questionada sobre o caso, a Prefeitura informou que as perguntas deveriam ser feitas diretamente à OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Misericórdia de Birigui, sem dar detalhes sobre a responsabilidade pelo equipamento.

A OSS confirmou que o equipamento está em manutenção desde o dia 14 de abril, após constatação de erros no tubo de raio X, que deverá ser substituído.

O custo para manutenção do equipamento está orçado em R$ 209.400,00, valor que incluiu a peça a ser substituída e mão de obra.

Custo para manutenção do equipamento está orçado em R$ 209.400,00 (Foto: Divulgação)

Exames

Ainda de acordo com a gestora, o aparelho realiza, em média, 300 exames por mês, e não há outro instalado no município.

Porém, a Santa Casa garante que o município não teve gastos extras com a realização de exames de tomografia neste período e que nenhum paciente deixou de passar pelo procedimento. “Quando necessário, é acionada a CROSS (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde)”, afirma.

A entidade de saúde ressaltou ainda que o exame de tomografia, assim como muitos outros exames, são de suma importância para diagnosticar várias doenças, dentre elas a causada pelo novo coronavírus, mas não é fundamental (no caso da covid-19).

“Por fim, informamos que a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui receberá, na primeira quinzena do mês de maio, valor específico para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o qual será utilizado para a manutenção do equipamento”, finalizou em nota.

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Custeio

Algumas perguntas feitas pela reportagem à Prefeitura e à Santa Casa não foram respondidas, entre elas, sobre convênios para custeio do equipamento.

Em requerimento protocolado na Câmara dos Vereadores em março do ano passado, assinado por José Fermino Grosso e Eduardo Fonseca da Luca, foi questionado o valor repassado para custeio do tomógrafo, considerando que havia um convênio aprovado pelo DRS 2 (Departamento Regional de Saúde) de Araçatuba em março de 2012.

Na resposta, assinada pela diretora técnica de Saúde Claudinéia Cecília da Silva, foi confirmada a aprovação desse convênio, que está inclusive registrada em ata, no entanto, de acordo com a diretora, não foram encontrados repasses nas pesquisas realizadas no portal de finanças da Secretaria de Estado da Saúde. A orientação era para que o município fizesse uma nova solicitação. Não há informação se a recomendação foi atendida pela Prefeitura.

Segundo Fermino, o convênio aprovado na época seria no valor R$ 40 mil mensais, o que somaria R$ 480 mil por ano. Considerando os mais de três anos do aparelho em funcionamento, significa uma perda superior a R$ 1,5 milhão.

Emenda

O aparelho de tomografia computadorizada protagonizou várias polêmicas em Birigui. O equipamento é uma conquista do ex-vereador Fermino, que fez a solicitação ao deputado federal Vanderlei Macris ainda em 2011. O pedido foi atendido, por meio de emenda parlamentar, em novembro de 2013.

Em agosto de 2014, quando chegou à cidade, não havia local adequado para guardar o aparelho, avaliado na época em R$ 525 mil. Ele seria instalado no pronto-socorro, cujo prédio ainda estava em obras. Enquanto estava guardado em uma sala improvisada, a população enfrentava filas para exames.

A instalação no pronto-socorro só foi feita em junho de 2016, pouco antes da inauguração do novo pronto-socorro, na rua Luiz Oba, no bairro Silvares, conforme notícia divulgada no próprio site da Prefeitura

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