Cotidiano

Boias de ultrassom reduzem ‘nata verde’ no rio Tietê e trazem esperança de melhora na qualidade da água na região

Projeto-piloto implantado em braço do rio no reservatório de Promissão influencia diretamente a qualidade da água

Da Redação - Hojemais Araçatuba
27/09/26 às 12h07
A secretária de Meio Ambiente do Estado esteve em Sabino na semana que passou (Foto: Divulgação)

A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, visitou na semana que passou, a Prainha de Sabino, no rio Tietê, na região de Lins, para acompanhar o resultado do projeto-piloto que utiliza boias inteligentes que emitem ondas de ultrassom para conter a chamada “nata verde” na água.

Segundo o que foi divulgado, 14 boias começaram a operar em 21 de julho no córrego do Esgotão, um braço do rio Tietê localizado no reservatório de Promissão, que influencia diretamente a qualidade da água da Praia Municipal de Sabino, que durante 245 dias esteve com restrição ao banho.

Essa "nata verde" é causada pela toxina chamada microcistina, que é produzida por determinadas algas e, em níveis elevados, impede o uso recreativo da água. Medição feita em 17 de agosto apontou 23 microgramas por litro, número que caiu para 1,95 micrograma por litro, em 15 de setembro, queda de 91,5% de concentração de microcistina no período.

Ainda de acordo com o que foi divulgado, duas análises consecutivas registraram concentrações abaixo do limite de 5 microgramas por litro: 2,8 microgramas por litro, em 8 de setembro, e 1,95 micrograma por litro, no dia 15. Com isso, a liberação da praia de água doce para o banho ocorreu no dia 18 deste mês. A classificação valeria até sexta-feira (25), quando as condições da praia seriam novamente atualizadas.

Esta é apenas a terceira vez que a prainha de Sabino é considerada própria para banho em 2026. As outras duas foram nos dias 9 e 16 de janeiro. 

Surpreendeu

Em nota divulgada à imprensa, Natália Rezende informa que o resultado obtido em Sabino mostra como a tecnologia, incorporada às políticas públicas do IntegraTietê, pode acelerar a recuperação do rio e devolver esses espaços às pessoas. “É com essa visão que cuidamos do Tietê em toda a sua extensão, de Salesópolis a Itapura” , afirma em nota.

Ainda de acordo com o que foi divulgado, o resultado do projeto-piloto surpreendeu, há que a previsão inicial era de que os primeiros efeitos aparecessem depois de 90 dias, mas em Sabino, a queda da microcistina foi registrada no segundo mês. Ele terá duração de um ano, período em que a Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo) avaliará o desempenho das boias durante a chuva, a estiagem e as variações de temperatura.

De qualquer forma, o diretor-presidente da companhia, Thomaz Toledo, considera o resultado promissor, pois permite à população voltar a usar a prainha. “Agora, vamos acompanhar o desempenho das boias em diferentes condições climáticas” , informa.

De acordo com ele, se a efetividade for confirmada ao longo do projeto, a experiência de Sabino poderá orientar o uso da tecnologia em outros municípios banhados pelo Tietê que, também enfrentam a proliferação de algas e a formação da chamada “nata verde”. Na região de Araçatuba, esse fenômeno é registrado no rio Bonito, por exemplo, em Glicério. 

Como funcionam

Nota divulgada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente explica que as algas precisam ficar na superfície para receber luz solar e realizar a fotossíntese. O ultrassom emitido pelas boias instaladas no projeto-piloto, dificulta que elas permaneçam na superfície. Com menos luz, elas perdem a capacidade de crescer e se reproduzir.

Segundo o que foi divulgado, o sistema não utiliza produtos químicos e atua sem causar danos aos peixes, às plantas ou aos demais organismos aquáticos. O investimento inicial é de cerca de R$ 9 milhões da Cetesb e o projeto cobre 960 mil metros quadrados.

A área coberta equivale a mais de 130 campos de futebol, o que corresponde a aproximadamente 7 milhões de metros cúbicos de água, volume suficiente para encher 2.800 piscinas olímpicas. As 14 boias trabalham de forma interligada, sendo que cada uma tem alcance aproximado de 500 metros de diâmetro. 

Monitoramento

Quatro delas também funcionam como estações de monitoramento, com sensores que medem, 24 horas por dia, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina. Os dados alimentam um sistema que ajusta automaticamente a frequência e a intensidade das ondas. 

Uma estação meteorológica acompanha chuva, vento e temperatura. Toda a estrutura funciona com energia solar e baterias de lítio. Desenvolvida na Holanda, a tecnologia já é utilizada em cerca de 60 países.

Além disso, desde junho a Cetesb usa imagens de satélite e inteligência artificial para acompanhar grandes extensões do rio Tietê. A iniciativa é inédita no Brasil lembra o uso de satélites para identificar desmatamento e outras mudanças nas florestas. 

Ação

O sistema monitora cerca de mil quilômetros do Tietê, de Suzano a Itapura, além do rio Pinheiros e dos principais reservatórios da bacia. As imagens são atualizadas semanalmente. Cada pixel representa uma área de aproximadamente três metros por três metros. Esse nível de detalhe permite localizar algas, matéria orgânica e outras alterações na superfície.

Quando detecta uma mudança, o sistema emite um alerta. A informação orienta as equipes sobre onde coletar amostras, fazer vistorias ou reforçar a fiscalização. Segundo o que foi divulgado, as duas tecnologias se complementam. Em Sabino, as boias acompanham o córrego do Esgotão em tempo real e emitem ondas de ultrassom, enquanto do espaço, os satélites permitem observar centenas de quilômetros do Tietê de uma só vez.

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