Surpresa
No trevo de Mirandópolis, Érico e Eliana foram surpreendidos por familiares e amigos, que prepararam uma recepção ao casal. Após o encontro, sem apertos de mãos e abraços, para respeitar o distanciamento social, todos seguiram em carreata pela cidade até a casa dos repatriados.
Na frente do imóvel, nova surpresa: a recepção dos pais deles que seguram cartazes de boas-vindas. “Foi uma sensação inexplicável”, resumiu.
Feliz por estar de volta ao País, Érico conta que ele e a esposa já se colocaram à disposição para o retorno ao trabalho e aguardam orientações. Por enquanto, se mantêm em quarentena, embora não tenham nenhum sintoma de gripe ou qualquer indisposição.
Questionado sobre o que de bom ficou de tudo o que aconteceu, Érico diz que a palavra é solidariedade. “Somos muito pequenos diante de tudo o que está acontecendo. É preciso valorizar a família, amigos e as pessoas. Recebemos muita solidariedade, desde orações até oferta de dinheiro, o que graças a Deus não precisamos. Então, vimos o quanto a solidariedade é importante. Com certeza depois de tudo isso vamos ser muito mais solidários com as pessoas também”, disse.
Érico também afirma que o casal não pretende voltar para a Itália tão cedo, pois passou muito medo e incertezas, por estar num lugar com uma língua desconhecida, com leis diferentes e até certo radicalismo.
Viagem
Conhecer a Itália era um sonho do casal que passou anos planejando a viagem. O passeio teria duração de 51 dias, incluindo uma estadia em Medicina, terra natal do bisavô de Érico.
Eles pegaram voo em Guarulhos, em 29 de janeiro, com escala em Lisboa (Portugal) e destino a Bolonha (Itália). A previsão de retorno, também via Portugal, era 20 de março.
Quando embarcaram para o exterior, o novo coronavírus era um problema localizado apenas na China, sem alcance em outros países. No entanto, em 11 de março, próximo da data de retorno, com passagens compradas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia por conta do avanço da covid-19.
Dois dias depois, Érico e Eliana viram um comunicado do fechamento das fronteiras de Portugal e o cancelamento dos voos da TAP, empresa aérea pela qual eles retornariam ao Brasil.
Eles conseguiram comprar passagem por outra companhia, de última hora, para o dia 17 de março. Porém, no dia 16, as autoridades de Medicina fizeram lookdown, bloqueando todas as fronteiras da cidade. Outras passagens foram compradas, mas todas canceladas porque a saída de Medicina foi negada aos brasileiros.
Desde então viviam dias de incertezas, trancados num apartamento na casa de um parente em Medicina.
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Pandemia impede casal da região de retornar ao Brasil