O coletivo Mulheres de Todos os Tons, de Birigui (SP), publicou nesta segunda-feira (30) nota de repúdio aos atos de negligência no atendimento obstétrico da Irmandade Santa Casa de Birigui.
A manifestação se dá dois dias após uma dona de casa dar à luz uma menina dentro de um veículo. Ela estava com fortes dores e seguia ao hospital, pela quarta vez no período de 24 horas, conforme mostrou reportagem do
Hojemais Araçatuba
publicada no sábado (28).
De acordo com a nota, situações de descaso e violência na maternidade do município têm se tornado cada vez mais corriqueiras.
Como exemplos, o coletivo cita o parto de gêmeos que virou caso de polícia, após um dos bebês morrer durante a cesárea, e o óbito de uma recém-nascida, em abril de 2019, que repercutiu na mídia por indícios de negligência médica.
A carta lembra ainda os escândalos e supostos desvios de verbas de dinheiro público envolvendo a OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Birigui, responsável pela administração do hospital. A operação da Polícia Civil denominada Raio X está em andamento e já prendeu várias pessoas, entre elas, médicos que participariam do esquema.
Compromisso
Em novembro, o mesmo grupo, em parceria com o coletivo RespeitaAsMina, também de Birigui, escreveu e apresentou uma carta compromisso pedindo a implantação de um programa de parto humanizado a todos os candidatos à Prefeitura de Birigui nas eleições de 2020. Todos assinaram o documento.
O pedido era para que o futuro prefeito, junto à Secretaria de Saúde, se comprometesse a efetivar e cobrar que o atendimento humanizado seja dado a todas as mulheres atendidas pelo hospital local.
Menina nasceu dentro de veículo e foi envolvida em uma camiseta (Foto: Arquivo pessoal)
O parto
Na madrugada de sábado, uma dona de casa de 32 anos deu à luz uma menina dentro de um carro.
Com 38 semanas de gestação, era a quarta vez no período de 24 horas que ela procurava atendimento na unidade de saúde. Nas três anteriores, foi dispensada pelos profissionais sob alegação de que ainda não estava na hora de a criança nascer.
A menina nasceu com a ajuda da avó materna e foi coberta com a camiseta que o motorista vestia – o homem é conhecido da mulher e deu carona à gestante que não tem veículo.
Ainda com o cordão umbilical, mãe e filha deram entrada na Santa Casa, onde só então foram atendidas e examinadas por médicos. Elas tiveram alta na manhã de domingo (29).
Problemas
De acordo com a tia da criança, uma dona de casa de 34 anos, a família está preocupada com a saúde da menina, que está com quadro de gripe e várias manchas vermelhas pelo corpo.
De acordo com a pediatra que atendeu a recém-nascida no hospital, a gripe teria sido causada pela mudança de temperatura a qual foi submetida após o parto, já que chegou ao hospital apenas enrolada numa camiseta e na madrugada, quando o clima é bem mais fresco.