Com quase mil casos de dengue confirmados em Andradina (SP), que vive epidemia da doença, municípios da região de Araçatuba estão intensificando as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.
De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, Andradina tem o maior número de confirmações da doença no Estado, sendo a maioria de dengue tipos 2 e 3. O tipo 2 tende a provocar casos clinicamente mais graves da doença em pacientes anteriormente infectados com outros sorotipos. Já a região noroeste paulista concentra mais de 60% dos casos.
Para tentar amenizar o avanço da doença, Andradina está utilizando a nebulização (bloqueio químico). O cronograma estabelecido pelo município, com divisão por bairros, teve início na semana passada e deve terminar no dia 13 de fevereiro.
Além do fumacê, a Prefeitura tem feito mutirões e intensificado o trabalho dos agentes de saúde e endemias e dos setores responsáveis pela fiscalização e limpeza de terrenos que estão irregulares e podem ser focos de criadouros do mosquito transmissor da dengue.
Um decreto de estado de emergência na saúde pública, por epidemia e risco de outras doenças, foi publicado pelo Executivo.
Outros
Pequenos municípios próximos de Andradina também começam a sofrer com o avanço da doença. Em Guaraçaí, que tem pouco mais de 8 mil habitantes, são 73 casos confirmados e mais de 200 notificações. Em Pereira Barreto e Ilha Solteira, são mais de 100 casos notificados.
Em Araçatuba, apesar do número pequeno - foram registrados oito casos de dengue neste ano - o resultado do último Liraa (Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti), realizado em outubro do ano passado, foi de 6,7%.
Segundo o Ministério da Saúde, índice superior a 4% já é considerado risco de surto de dengue. O ideal é estar abaixo de 1%. De 1% a 3,9%, o município está em situação de alerta.
Com a epidemia em Andradina e o índice elevado do Liraa, o trabalho é de prevenção em Araçatuba. Segundo a dirigente administrativa dos serviços de Vigilância Epidemiológica do município, Priscila Cestaro, as visitas casa a casa não param. “Estamos trabalhando com ações de bloqueio, controle e manejo da doença”, explicou.
Em Araçatuba, a última epidemia da doença foi em 2015, quando a cidade teve 1.678 casos confirmados, todos do sorotipo 1.
Força-tarefa
Em Penápolis, uma força-tarefa de combate ao Aedes já teve início, mesmo apenas três casos positivos da dengue neste ano; outros seis casos aguardam resultado de exames.
Na primeira fase da ação, agentes de combate às endemias e os agentes comunitários de saúde percorrem a região central da cidade, onde há um alto índice de infestação de larvas.
A previsão é que os trabalhos se estendam por seis meses, garantindo a cobertura de todos os bairros da cidade. Equipes de todas as unidades básicas de saúde participam da ação, em um rodízio de servidores a cada 15 dias.
Segundo o secretário de Saúde, Wilson Carlos Braz, será feita uma varredura em todas as áreas do município. Em dois dias de trabalho (na quinta e sexta-feira), foram notificados mais de 30 proprietários de imóveis para a limpeza . O serviço deve ser executado em até 20 dias, sob o risco de multa no valor de R$ 631,45.
Alerta
Em Birigui, onde foram registrados oito casos positivos da doença neste ano, a Secretaria de Saúde também alerta para a necessidade de se manter diariamente as ações de prevenção e combate ao Aedes.
“Cidades da região vivem uma epidemia de dengue, com casos de óbito. A identificação de novo tipo de vírus circulante, o tipo 2, deixa o nosso município em alerta”, afirmou a diretora da Vigilância Epidemiológica, Mauricéia Bruna Alves Gonçalves.