Cotidiano

Comunicações de mortes por acidente de trabalho crescem em Araçatuba

Setores de atividades de atendimento hospitalar, de supermercados e hipermercados e administração pública em geral são os que mais emitem Comunicações de Acidentes de Trabalho

Da Redação - Hojemais Araçatuba
28/04/22 às 15h26

Araçatuba (SP) registrou cinco óbitos decorrentes de acidentes de trabalho em 2021, três a mais do que em 2020, quando foram duas mortes comunicadas, segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho, do MPT (Ministério Público do Trabalho).

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (28), quando são homenageadas as vítimas de acidentes e doenças do trabalho. Ainda de acordo com o levantamento, as atividades de atendimento hospitalar foram as que mais registraram a emissão de CATs (Comunicações de Acidentes de Trabalho) em 2021.

Ela está no topo do ranking dos setores que mais adoecem e acidentam nas cidades de Araçatuba (15%), Campinas (9%), Presidente Prudente (18%), Ribeirão Preto (22%), São José do Rio Preto (25%), São José dos Campos (10%) e Sorocaba (8%).

Segundo o levantamento, nas principais cidades do interior de São Paulo houve crescimento no número de emissões de CATs, entre 2020 e 2021, enquanto em Araçatuba houve queda de 3,8%. Foram 1.315 registros em 2021 contra 1.368 em 2020.

Em Campinas, o crescimento observado foi de 17,7%, totalizando 4.539 acidentes registrados em 2021; em Sorocaba o aumento foi de 33,3%: a cidade de Ribeirão Preto mostrou alta de 31,3%; Araraquara (13,6%); Bauru (16,6%); Presidente Prudente (25,2%); e São José dos Campos (17%).

Imagem: Ilustração

Segmentos

Considerado o conjunto de ocupações e a totalidade de comunicações de acidentes de trabalho, os profissionais do setor de atendimento hospitalar continuam a ter a maior quantidade de notificações em números absolutos e percentuais no biênio 2020-2021.

Com a pandemia, técnicos de enfermagem não apenas sofreram a maior quantidade de acidentes notificados em relação a outras ocupações, mas passaram de 6% total no biênio 2018-2019 (59.094 CATs) para 9% do total (72.326 CATs) no biênio 2020-2021, aumento de 22%.

Os segmentos de supermercados e hipermercados, administração pública em geral e de restaurantes e estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas figuram entre os que registram maiores ocorrências de acidentes e doenças ocupacionais entre os municípios do interior paulista.

Pandemia

O MPT informa que setor hospitalar foi muito acionado nos últimos dois anos em decorrência da pandemia e do grande fluxo de atendimentos decorrentes de questões envolvendo a saúde pública.

Porém, explica que outros segmentos da economia também registram acidentes, mas nem sempre notificam as ocorrências, e essa subnotificação de acidentes e doenças ocupacionais vem sendo combatida pelos órgãos de proteção ao trabalho.

Estima-se que em 2021, em todo o Brasil, não houve comunicação prévia de acidentes de trabalho em cerca de 20% dos benefícios acidentários concedidos pelo INSS, percentual muito próximo da média da série histórica de dez anos considerada, de 21,7%.

Gastos previdenciários

O número de benefícios acidentários concedidos pelo INSS disparou em 2021 no País, segundo o levantamento, saltando de 72.367 em 2020 para 153.333 em 2021, crescimento de 212%.

Destacam-se mais uma vez os afastamentos previdenciários acidentários por lesões graves, como fraturas, amputações, ferimentos, traumatismos e luxações (de 40.117 em 2020 para 93.820 em 2021, um aumento de 234%).

O adoecimento no trabalho, afastamentos causados por doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo, inclusive LER-DORT, sofreu um aumento de 192% (de 16.211 para 31.167 casos).

Já o total de auxílios-doença concedidos por depressão, ansiedade, estresse e outros transtornos mentais e comportamentais (acidentários e não-acidentários) se mantiveram em níveis elevados, na média de concessões dos últimos cinco anos anteriores à pandemia da Covid-19, com cerca de 200 mil concessões.

Data

O “Dia Mundial em Homenagem às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho” foi instituído pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). Nesta data, em 1969, 78 trabalhadores morreram na explosão de uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos.

O coordenador regional da Codemat (Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho), na 15ª Região, procurador Silvio Beltramelli Neto, explica que a data é relevante para lembrar a sociedade da importância de uma cultura de prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

De acordo com ele, essa importância é ainda maior nesse momento da história em que se privilegia a produtividade e o uso diuturno das tecnologias em detrimento do direito a um ambiente de trabalho seguro e à desconexão do trabalho.

“Vemos a saúde dos trabalhadores se deteriorando, ocasionando doenças laborais, e a ânsia por desempenho e rápida entrega, que resulta em mais acidentes. As ocorrências vêm crescendo de forma preocupante, quase atingindo os níveis anteriores à pandemia”, observa.  

Mortes

O Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho, desenvolvido e mantido pelo Ministério Público do Trabalho em cooperação com a OIT, aponta que nos últimos dez anos morreram 22.954 pessoas em decorrência de acidentes de trabalho no Brasil.

No mesmo período foram perdidos, de forma acumulada, cerca de 469 milhões de dias de trabalho. Calculado com a soma de todo o tempo individual em que os afastados não puderam trabalhar, o número é uma das formas de medir, por aproximação, os prejuízos de produtividade para a economia.

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