Cotidiano

Feliz dia do feminismo!

Essa data deve ser interpretada como dia de luta coletiva pela vida das mulheres

Breenda Karolainy Penha Siqueira - Hojemais Araçatuba 
08/03/19 às 15h09

O que se comemora no dia das mulheres? A vida? A delicadeza feminina? A fertilidade ou maternidade? A força que elas encontram para enfrentar 2, 3 ou mais jornadas de trabalho dentro e fora de casa? O carinho, amor, atenção e dedicação que elas empregam em toda função que executam? Gratidão por tudo o que as mulheres ao nosso redor fizeram, fazem e farão um dia? Qual o sentido disso? Tradições existem, mas não é crime nenhum questioná-las. E é isso que faremos aqui.

8 de Março foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Dia Internacional da Mulher no ano de 1975 e desde então é comemorado em todo o mundo.

As mulheres recebem flores na Arábia Saudita, onde só tiveram autorização para votar em 2015. Recebem chocolates na Indonésia, onde ainda são açoitadas em praça pública quando fazem sexo fora do casamento. Recebem homenagens no Brasil, onde há seis vezes mais chances de morrer nas mãos de namorados, noivos, maridos ou ex-cônjuges do que vir a óbito por causas naturais ou acidentes. Recebem presentes na Índia, onde são obrigadas a casar, mesmo na infância, com qualquer homem que as estupre.

Mulheres são parabenizadas na Rússia, onde a violência doméstica foi descriminalizada, porque homens "têm direito de corrigir as posturas de suas respectivas mulheres". São parabenizadas na China, onde se compreende por beleza algo que faz apologia à pedofilia, exigindo corpos femininos extremamente pequenos, magros, alvos e infantilizados, coagindo mulheres adultas a se automutilar para fins estéticos.

Na verdade, a pergunta que não quer calar é por que se comemora o dia das mulheres e, principalmente, o que é ser mulher?

A socióloga brasileira Heleieth Saffioti diz que a diferença entre os gêneros feminino e masculino não passa de uma divisão criada para determinar os indivíduos humanos respeitados e privilegiados daqueles desumanizados, violentados e tratados como propriedade.

Para ela, essa divisão sexual deve ser compreendida com um regime de escravidão socialmente enraizado de maneira em que somos levadas a nos identificar com uma função de servidão. Cremos que nascemos e morreremos assim, porque sempre foi assim. Salvo raras exceções no tempo e espaço.

Mas o que nos diferencia como mulheres? O que representamos para a sociedade? Qual é o nosso lugar? O que fazemos para mudar essa realidade?

O dia das mulheres não é para mim. É para todas as mulheres ainda presas e subjugadas que direta ou indiretamente também me detém e domina. Como diria a escritora caribenha Audre Lorde: "Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira. Mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”.

A existência de um "Dia das Mulheres" tem um significado muito forte. Conquistamos muito, mas ainda temos muito para conquistar. Essa data deve ser interpretada como dia de luta coletiva pela vida das mulheres. E disso as feministas entendem.


Breenda Karolainy Penha Siqueira é estudante de história e integra o Gedeg (Grupo de Estudos Diversidade, Educação e Gênero), que colabora com o Hojemais Araçatuba a cada quinze dias. 

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