Desde que comecei a pesquisar e a ler sobre o feminismo, ainda na minha primeira graduação, em História, me deparo com algumas pessoas tendo uma visão totalmente rasa e equivocada sobre o tema. Quem nunca ouviu um “não sou machista, nem feminista” ou aquele “não acho feminismo certo porque eu quero mesmo é igualdade”?
A questão é que não há nenhuma de nós, mulher, que não tenha passado por algum momento constrangedor pelo simples fato de ser mulher. Seja o assédio verbal e humilhação até o estupro. Salários inferiores para o mesmo cargo de um homem até abusos pelo chefe do trabalho. Vai de acharem que a sua roupa é um “convite” até realmente te tocarem e usarem como desculpa que você “estava pedindo”. Vai de nunca se sentir em paz na rua e ter que sempre escolher o caminho menos perigoso por conta do medo até ter que ignorar quando alguém mexe com você porque afinal “isso é coisa de homem, tem que aceitar”.
Ao contrário do que muitos pensam, o feminismo não é um movimento de exaltação da mulher e não tem como objetivo principal a escravização masculina. Não é um movimento de vingança, embora nós mulheres tenhamos motivos para tal (risos).
O feminismo é um movimento de luta por direitos iguais, de mulheres engajando-se para conquistar mudanças nas políticas públicas e sociais e pelo fim da dominação de um gênero sobre o outro. Não há nada de privilégio, de vitimismo e de exagerado nisso. Precisamos aprender.
Conceituando o termo nas palavras da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie: Feminista é “a pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”. Num livro chamado "Sejamos todos feministas", originado de um discurso feito pela autora, ela afirmou: “Não é fácil conversar sobre a questão de gênero. As pessoas se sentem desconfortáveis, às vezes até irritadas. Nem homens nem mulheres gostam de falar sobre o assunto, contornam rapidamente o problema. Porque a ideia de mudar o status quo é sempre penosa”.
Reconhecer e até perceber o machismo estrutural; mudar uma cultura, vigente há tanto tempo, não é algo simples, muitas vezes o discurso pode parecer cansativo, saturado e até ultrapassado. Muitas vezes é chamado de mi-mi-mi.
Afinal, as mulheres já não são iguais? Elas trabalham, dirigem, votam. No Brasil, já não existe até uma lei que protege a mulher? Amanhã e depois traremos mais alguns dados sobre o que é ser mulher em diferentes lugares do mundo, mas apenas para exemplificar a urgência do feminismo, apresentamos dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que revelam o assassinato de 472 mulheres por mês no Brasil, sendo, portanto, 15,52 a cada dia, ou uma mulher assassinada a cada meia hora. Isso é feminicídio, ou seja, “mortes de mulheres por conflito de gênero”, especialmente em casos de agressão perpetrada pelos próprios parceiros. O estudo revela a tragédia do machismo no Brasil.
Obtivemos muitos avanços depois de anos de luta, mas a tão necessária equidade entre os gêneros ainda não é uma realidade. Chimamanda disse: “A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo”.
Por tudo isto, e por todas as mulheres, daremos atenção especial ao tema durante essa semana que marca o Dia Internacional da Mulher.
