O médico intensivista e infectologista Fábio Bombarda enaltece o tratamento oferecido aos pacientes diagnosticados com coronavírus na Santa Casa de Araçatuba.
Ele comenta que os que apresentam quadros mais graves de covid-19 são justamente os mais idosos, como a mulher que recebeu alta neste domingo, após passar mais de um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital.
“Ela é uma das primeiras pacientes que deu entrada na UTI em estado muito crítico. Uma senhora de idade avançada, com várias outras doenças e que teve vários problemas, várias intercorrências, desde de insuficiência renal, ficou em coma por um período prolongado, dependendo de ventilação mecânica, mas teve uma evolução satisfatória e surpreendeu”,
comentou.
Ele disse que autorizar a paciente a voltar para casa traz muita alegria para toda equipe responsável pelo atendimento durante o período de tratamento, devido à gravidade do quadro clínico.
“É uma alegria para gente, numa situação tão grave, ter uma notícia boa dessa”,
argumentou.
Para o médico, esse resultado mostra que o protocolo de tratamento do hospital é eficiente, havendo baixo índice de mortalidade por coronavírus.
“Os óbitos que ocorreram nesse período foram de pacientes extremamente graves, todos idosos que não morreram de, mas com o coronavírus positivo. E foram poucos perto dos muitos pacientes que nós acabamos internando”,
disse.
O médico justificou ainda, que o número de pacientes que precisou ser levado para a UTI até agora é pequeno, se comparado com o número de internações.
“Então, nós entendemos que nossos protocolos acabam tendo um resultado muito bom”,
comentou.
Cloroquina
A cloroquina é um dos medicamentos utilizados pela Santa Casa de Araçatuba nos pacientes com covid-19, segundo Bombarda. Porém, ela é ministrada nos pacientes que não apresentam contraindicação.
Essa seleção é feita por meio de exames.
“Eles começam a tomar no início do tratamento. Se fica internado, a gente faz alguns exames para ver se é possível fazer o uso e, se paciente aceita fazer o uso, nós iniciamos”
, contou.
Entretanto, ele deixou claro que o medicamento é um adendo ao tratamento e não uma medida de cura. “
A gente tem impressão de que há uma diminuição da evolução para formas mais graves e não tiveram nenhuma complicação”,
comenta.
Preparada
Ele explica que a Santa Casa se prepara desde o início da pandemia. De acordo com ele, o hospital tem 19 leitos de enfermaria em uma ala de isolamento, que se conecta por meio de uma passarela à área da UTI, que fica no piso superior do Hospital do Rim.
“
A gente tem todo um trabalho interno, desde o número de leitos disponíveis, fluxo de trabalho, treinamento da equipe, foi muito bem sincronizado. Houve alguma dificuldade no início, por ser tudo muito novo, mas a Santa Casa se adaptou bem e teve bons resultados, tanto no tratamento e na condução dos casos, como no gerenciamento do manejo desses pacientes”
, afirma.
Bombarda explica que os leitos disponibilizados até agora foram suficientes e o hospital nunca ultrapassou mais de 35% de ocupação.
Com a alta dessa paciente de 83 anos, há apenas um paciente com coronavírus na UTI do hospital, de acordo com ele, e outros dois em leitos de isolamento.