A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que o glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, atingindo apenas no Brasil cerca de 900 mil pessoas. Trata-se de uma doença grave, cuja perda irreversível do campo visual somente é percebida em estado avançado, quando pode já haver comprometido entre 40% e 50% da visão.
Ainda segundo a OMS, 80 milhões de pessoas devem ter glaucoma no mundo até este ano, o que reforça a campanha de prevenção.
Por se tratar de uma enfermidade grave, e geralmente assintomática no seu início, que leva à perda progressiva da visão, a consulta de rotina ao oftalmologista é crucial para o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento. Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, cujo Dia Nacional de Combate ao Glaucoma é lembrado em 26 de maio.
Para a oftalmologista Ana Carolina Capelanes, do Hospital do Olho de Araçatuba (SP), é imprescindível conscientizar a população da importância da detecção do glaucoma ainda no estágio inicial. “A alteração da pressão intraocular é um dos indicativos de que pode haver algo errado no olho, e é também um dos principais exames para detecção do glaucoma”, comenta.
Mesmo sendo uma doença crônica, que não tem cura, na maioria das vezes pode ser controlada com tratamento adequado. De acordo com The Glaucoma Foundation, no mínimo 90% dos casos não levariam à cegueira se fossem diagnosticados e tratados de forma apropriada. Infelizmente, menos de 50% das pessoas com glaucoma são diagnosticadas, pois a doença na maioria dos casos não apresenta sintomas.
Fatores de risco
A médica explica que fatores de risco são histórico familiar, pressão intraocular elevada, idade acima de 50 anos, diabetes, uso prolongado de corticoides, presença de lesões oculares, entre outros. Só o diagnóstico precoce pode controlar o glaucoma e evitar a cegueira. “O tratamento, na maioria das vezes, é clínico, com uso diário de colírios para controle da pressão intraocular”, ressalta.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda consultas anuais a todos que já têm 40 anos ou mais. A oftalmologista completa que, por ter um caráter hereditário, quem tem histórico familiar deve consultar um oftalmologista com mais frequência.
“Quando detectado em exames, pode ser controlado. É importante compreender que apesar de ser mais comum após os 40 anos, pessoas jovens e até crianças podem apresentar glaucoma. Traumas, problemas congênitos e etnia são fatores de risco para o problema. As pessoas devem visitar o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano para fazer exames de rotina, assim muitas doenças poderiam ser evitadas”, completa.
