Cotidiano

Menina de 3 anos vira símbolo de incentivo à doação de órgãos em Araçatuba

Cerimônia em alusão à lei que instituiu o Dia Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos, denominada lei Laís Machado Celoni, foi realizada pela Prefeitura

Agência Trio Notícias
24/09/26 às 21h16
A família de Laís Machado Celoni esteve presente na cerimônia (Foto: Lázaro Jr.)

Foi difícil conter as lágrimas para quem estava no Salão Azul da Prefeitura de Araçatuba (SP) na manhã desta quinta-feira (24), para prestigiar a cerimônia alusiva ao Dia Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos. A lei, instituída em 2 de setembro deste ano, recebeu o nome de lei “Laís Machado Celoni” .

A data, a ser lembrada anualmente em 27 de setembro, que também é o dia Nacional da Doação de Órgãos, é uma homenagem à menina que tinha apenas 3 anos de idade quando teve a morte encefálica constatada enquanto estava internada na Santa Casa de Araçatuba, em junho de 2025.

Em um momento de extrema tristeza para a família, os pais dela, Aline Adriane Machado Celoni e João Paulo de Oliveira Celoni, ao serem consultados pela equipe médica, concordaram em doar os órgãos. Coração e rins de Laís foram captados e transplantados em três crianças.

E toda essa história foi contada pela mãe dela, que também cantou uma canção, enquanto eram exibidas imagens da filha, que virou um símbolo para toda família. “A Laís não sabia viver pela metade, ela viveu apenas 3 anos, mas ela colocou uma vida inteira dentro desses 3 anos. E ela deixou muitas risadas, muitas histórias, muitas fotografias, brincadeiras, abraços e uma quantidade de amor que não cabe em apenas 3 anos” , declarou Aline.

Sim

Ela revelou que no momento de decidir pela doação dos órgãos, a família pensou no que a Laís sempre foi, uma criança que amava, uma criança que repartia e uma criança que não complicava o amor.

“E então, nós dissemos sim! Pelo que ela poderia ainda trazer de alegria nesta vida. E foi nesse momento que duas histórias que jamais imaginaríamos se encontrar, passaram a fazer parte uma da outra: de um lado uma família que estava aprendendo a viver com uma ausência, com a dor, e do outro lado, uma família recebendo a possibilidade de continuar tendo alguém que ama por perto” , contou, se referindo à menina que recebeu o coração de Laís.

Aline prosseguiu falando da importância da doação de órgãos para que outras histórias continuem sendo contadas, quando quem está perdendo alguém próximo escolhe o amor e a solidariedade ao se despedir.

Árvore da vida

Ao término da cerimônia, que ainda teve a fala das autoridades, todos os presentes foram convidados a escrever uma palavra sobre o sentimento que gostaria de deixar para eternidade, em um coração de papel.

Esse corações, em seguida, foram colocados em galhos secos de uma jabuticabeira, depositados em um grande vaso, para simbolizar uma Árvore da vida. E a palavra escolhida pelos pais de Laís para a árvore da vida, foi amor. “A palavra que melhor representa a Laís, para ser colocada na folhinha desta árvore, é amor, porque ela falava muito de amor” , finalizou.

Lei tem caráter educativo e informativo

Evento foi alusivo à lei que incentiva a doação de órgãos (Foto: Lázaro Jr.)

Segundo a Prefeitura, a lei “Laís Machado Celoni” busca ampliar o conhecimento sobre a doação para transplantes, incentivar conversas entre familiares e fortalecer ações de conscientização.

A legislação não obriga ninguém a ser doador: a decisão depende da vontade da pessoa e do diálogo com a família, mas cabe ao poder público oferecer informações oficiais e fundamentadas para que a população possa conhecer o tema e conversar a respeito.

Entre as diretrizes da legislação estão o combate à desinformação, a cooperação com hospitais, instituições de ensino e entidades da sociedade civil, além do acolhimento e a orientação às famílias doadoras.

Diálogo

O prefeito Lucas Zanatta (PL) reforçou em pronunciamento durante a cerimônia, que a lei “Laís Machado Celoni” estabelece uma responsabilidade para a gestão pública, que é promover a informação, a conscientização e o diálogo sobre a doação de órgãos e tecidos. “É criar condições para que as pessoas conheçam o tema, compreendam sua importância e possam conversar com suas famílias sobre a intenção de ser doador” , argumentou.

Assim, a lei prevê que o município promova campanhas, palestras, seminários e ações comunitárias; disponibilize materiais informativos em unidades e repartições públicas; firme parcerias; e divulgue conteúdos educativos nos canais institucionais.

Por fim, ela incentiva a capacitação de profissionais de saúde em comunicação, acolhimento e orientação às famílias sobre a importância da doação de órgãos.

Palestra

Ainda durante a cerimônia, os enfermeiros Cristiani Jesus dos Santos e Matheus Araújo Tonon, que fazem parte da e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplante) da Santa Casa de Araçatuba, ministraram uma palestra sobre todo o processo que vai desde a constatação da morte encefálica até o trabalho feito com os familiares do paciente, que é um potencial doador de órgãos.

Também estiveram presentes a primeira-dama, Priscila Zanatta; a vice-prefeita, Nice Zucon (PL); a secretária municipal de Saúde, Lucila Bistaffa; e o provedor da Santa Casa de Araçatuba, Éverton Santos.

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