Foi difícil conter as lágrimas para quem estava no Salão Azul da Prefeitura de Araçatuba (SP) na manhã desta quinta-feira (24), para prestigiar a cerimônia alusiva ao Dia Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos. A lei, instituída em 2 de setembro deste ano, recebeu o nome de lei “Laís Machado Celoni” .
A data, a ser lembrada anualmente em 27 de setembro, que também é o dia Nacional da Doação de Órgãos, é uma homenagem à menina que tinha apenas 3 anos de idade quando teve a morte encefálica constatada enquanto estava internada na Santa Casa de Araçatuba, em junho de 2025.
Em um momento de extrema tristeza para a família, os pais dela, Aline Adriane Machado Celoni e João Paulo de Oliveira Celoni, ao serem consultados pela equipe médica, concordaram em doar os órgãos. Coração e rins de Laís foram captados e transplantados em três crianças.
E toda essa história foi contada pela mãe dela, que também cantou uma canção, enquanto eram exibidas imagens da filha, que virou um símbolo para toda família. “A Laís não sabia viver pela metade, ela viveu apenas 3 anos, mas ela colocou uma vida inteira dentro desses 3 anos. E ela deixou muitas risadas, muitas histórias, muitas fotografias, brincadeiras, abraços e uma quantidade de amor que não cabe em apenas 3 anos” , declarou Aline.
Sim
Ela revelou que no momento de decidir pela doação dos órgãos, a família pensou no que a Laís sempre foi, uma criança que amava, uma criança que repartia e uma criança que não complicava o amor.
“E então, nós dissemos sim! Pelo que ela poderia ainda trazer de alegria nesta vida. E foi nesse momento que duas histórias que jamais imaginaríamos se encontrar, passaram a fazer parte uma da outra: de um lado uma família que estava aprendendo a viver com uma ausência, com a dor, e do outro lado, uma família recebendo a possibilidade de continuar tendo alguém que ama por perto” , contou, se referindo à menina que recebeu o coração de Laís.
Aline prosseguiu falando da importância da doação de órgãos para que outras histórias continuem sendo contadas, quando quem está perdendo alguém próximo escolhe o amor e a solidariedade ao se despedir.
Árvore da vida
Ao término da cerimônia, que ainda teve a fala das autoridades, todos os presentes foram convidados a escrever uma palavra sobre o sentimento que gostaria de deixar para eternidade, em um coração de papel.
Esse corações, em seguida, foram colocados em galhos secos de uma jabuticabeira, depositados em um grande vaso, para simbolizar uma Árvore da vida. E a palavra escolhida pelos pais de Laís para a árvore da vida, foi amor. “A palavra que melhor representa a Laís, para ser colocada na folhinha desta árvore, é amor, porque ela falava muito de amor” , finalizou.
