Cotidiano

Momo: especialistas alertam sobre o uso de tecnologia na infância

Animação de boneca reacende debate sobre o uso de aparelhos eletrônicos pelas crianças

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
25/03/19 às 19h00
Para a Academia Americana de Pediatria, crianças com até 1 ano e 6 meses de idade não devem ter contato com tecnologia (Foto: Freepik)

“Se há alguns anos as crianças sonhavam em ganhar bicicletas ou videogames, hoje o objeto de desejo são os smartphones, que, além de servirem como celular, oferecem acesso à internet, jogos, troca de mensagens e muitas outras funcionalidades”.

A observação da psicopedagoga Kátia Regina Pires Calciolari, de Araçatuba (SP), surge a partir de um assunto que foi bastante comentado em noticiários e conduzidos nas redes sociais nos últimos dias: as aparições de vídeos da animação da boneca Momo em conteúdos infantis no YouTube Kids.

Nestes vídeos, relatos que circulam pela rede afirmam que a Momo (que na verdade é uma escultura do artista plástico japonês Keisuke Aiso) induz as crianças a terem atitudes prejudiciais com elas mesmas. Tanto o Google, como o YouTube, negam o conteúdo. 

A discussão levanta um assunto importante: a tecnologia na infância, e traz a reflexão sobre o compromisso dos pais em relação ao uso da internet por seus filhos. 

“Quando uma criança faz uso da internet sem o acompanhamento de um adulto, ela entra em contato com um mundo desconhecido, com o qual muitas vezes, ela não tem capacidade psíquica, emocional e cognitiva para se relacionar”, destaca Kátia, que realiza trabalhos clínicos com crianças e adolescentes há mais de 30 anos.

Em 2016, a Academia Americana de Pediatria estipulou que até 1 ano e 6 meses de idade uma criança não deve ter nenhum contato com meios digitais. Atividades com tecnologia devem sempre ser supervisionadas pelos pais e o tempo limite da navegação na rede pelos pequenos internautas (de 2 a 5 anos) não deve passar uma hora diária.  

Para manter o equilíbrio, é essencial que pais participem de atividades com os filhos no mínimo uma hora por dia (Foto: Freepik)

Equilíbrio

Uma criança exposta ao uso de tecnologia, incluindo jogos, internet e demais aplicativos, podem sofrer consequências negativas, embora não seja um consenso entre os especialistas. Segundo a psicopedagoga, há profissionais da área que apontam a superexposição da criança a celulares e demais aparelhos, está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, impulsividade e problemas em lidar com sentimentos, como a raiva.

Além desses problemas, outros podem surgir, como a obesidade, uma vez que a criança passa a fazer menos atividade física, privação de sono, porque acaba usando a tecnologia no quarto, e o risco de dependência por tecnologia.

Para Kátia, encontrar o ponto de equilíbrio é o desafio das famílias, porque se por um lado há esse prognóstico negativo, há as vantagens trazidas pela rede. Alguns aplicativos e jogos podem oferecer aos pais soluções que divertem, alfabetizam, ensinam matemática e até outras línguas para as crianças.

“Para crianças que começam a sair de casa sozinhas, o smartphone se torna uma ferramenta de comunicação importante, inclusive para os pais. Por outro lado, não parece razoável que crianças com 5 anos de idade já tenham o aparelho”, complementa.

Orientações

Com objetivo de ajudar nesse ponto de equilíbrio, a psicopedagoga destaca a existência do manual com orientações para médicos, pais, educadores, crianças e adolescentes, com o foco na saúde de crianças e adolescentes na Era Digital, lançado em 2016 pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Além dessas instruções, a academia americana também tem suas próprias indicações para o dia a dia em casa. A sugestão é para que os pais promovam uma hora diária (no mínimo) de brincadeiras fora do ambiente digital, limite o tempo para aparelho eletrônico que tenha tela, não instale televisão ou computador no quarto da criança, converse com o filho sobre bullying virtual, ensine sobre os perigos da internet e na hora de estudar ou fazer as refeições, o aparelho deve ficar desligado.

Mesmo assim, o ideal, de acordo com a especialista, é que os pais não estimulem antes do tempo as crianças a manipularem os equipamentos. O melhor é deixar que elas mesmas demonstrem interesse e só depois disso os pais mostrem a elas como usar os aparelhos de forma correta.

Outro alerta é que os adultos fiquem de olho nos próprios conteúdos que postam em rede social, uma vez que fotos de crianças podem estar sujeitas aos perigos de diversas espécies na rede, como pedofilia, morphing (copiam fotos tiradas da internet e fazem uma montagem fotográfica), check-in's (ato de confirmar os locais que determinada criança frequenta pode sujeitá-la a crimes, como furto), viralização (a facilidade de disseminação do conteúdo), entre outros, explica Kátia.

Kids Place está disponível para Android (Foto: Divulgação)

De olho

O especialista em tecnologia da informação e colunista do G1, Ronaldo Prass, diz que atualmente os pais contam com recursos que limitam a navegação das crianças e dão mais tranquilidade aos adultos. Um desses aplicativos que Prass sugere é o Kids Place, disponível apenas para Android.  

A ferramenta permite determinar quais apps poderão ser usados pelas crianças e impede a instalação de novos programas. Além disso, desabilita todos os sinais de rede sem fio e oculta os arquivos na galeria (fotos, vídeos, áudios). Tanto pode ser instalado no celular das crianças, como no dos pais que emprestam o aparelho ao filho.

Kaspersky Safe Kids traz mais segurança aos pais (Foto: Divulgação)

Para Android e também iOS, o especialista indica o Kaspersky Safe Kids, ferramenta completa para o controle dos pais. Com a tecnologia, é possível bloquear sites com conteúdo impróprio, restringir o uso de outros apps, rastrear a localização do celular da criança, gerenciar o uso do celular de acordo com a agenda, acompanhar as atividades públicas no Facebook e receber notificações em tempo real sobre o que ela está fazendo.

Já o Windows oferece recursos nativos para restringir o acesso a conteúdo impróprio, monitoramento de atividades e agendamento de horários livres para conectar na internet.

“Na prática, se os pais usarem esses apps e/ou configurarem o Windows corretamente, as crianças permanecerão protegidas de qualquer outra onda que surgir. Mas nenhuma tecnologia substitui o diálogo e o acompanhamento dos responsáveis pelas crianças”, ressalta Prass, que também é desenvolvedor de sistemas e administrador de redes.

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