Equilíbrio
Uma criança exposta ao uso de tecnologia, incluindo jogos, internet e demais aplicativos, podem sofrer consequências negativas, embora não seja um consenso entre os especialistas. Segundo a psicopedagoga, há profissionais da área que apontam a superexposição da criança a celulares e demais aparelhos, está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, impulsividade e problemas em lidar com sentimentos, como a raiva.
Além desses problemas, outros podem surgir, como a obesidade, uma vez que a criança passa a fazer menos atividade física, privação de sono, porque acaba usando a tecnologia no quarto, e o risco de dependência por tecnologia.
Para Kátia, encontrar o ponto de equilíbrio é o desafio das famílias, porque se por um lado há esse prognóstico negativo, há as vantagens trazidas pela rede. Alguns aplicativos e jogos podem oferecer aos pais soluções que divertem, alfabetizam, ensinam matemática e até outras línguas para as crianças.
“Para crianças que começam a sair de casa sozinhas, o smartphone se torna uma ferramenta de comunicação importante, inclusive para os pais. Por outro lado, não parece razoável que crianças com 5 anos de idade já tenham o aparelho”, complementa.
Orientações
Com objetivo de ajudar nesse ponto de equilíbrio, a psicopedagoga destaca a existência do manual com orientações para médicos, pais, educadores, crianças e adolescentes, com o foco na saúde de crianças e adolescentes na Era Digital, lançado em 2016 pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Além dessas instruções, a academia americana também tem suas próprias indicações para o dia a dia em casa. A sugestão é para que os pais promovam uma hora diária (no mínimo) de brincadeiras fora do ambiente digital, limite o tempo para aparelho eletrônico que tenha tela, não instale televisão ou computador no quarto da criança, converse com o filho sobre bullying virtual, ensine sobre os perigos da internet e na hora de estudar ou fazer as refeições, o aparelho deve ficar desligado.
Mesmo assim, o ideal, de acordo com a especialista, é que os pais não estimulem antes do tempo as crianças a manipularem os equipamentos. O melhor é deixar que elas mesmas demonstrem interesse e só depois disso os pais mostrem a elas como usar os aparelhos de forma correta.
Outro alerta é que os adultos fiquem de olho nos próprios conteúdos que postam em rede social, uma vez que fotos de crianças podem estar sujeitas aos perigos de diversas espécies na rede, como pedofilia, morphing (copiam fotos tiradas da internet e fazem uma montagem fotográfica), check-in's (ato de confirmar os locais que determinada criança frequenta pode sujeitá-la a crimes, como furto), viralização (a facilidade de disseminação do conteúdo), entre outros, explica Kátia.
