Cotidiano

Para não tomar Coronavac, mulher usa influência para receber dose da Astrazeneca em Birigui

Caso teria ocorrido na UBS 5 Santo Antônio, na última terça-feira (3); denúncia foi feita no Ministério Público

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
06/08/21 às 17h15
(Foto: Divulgação)

Uma advogada de 24 anos, de Birigui (SP), denunciou no Ministério Público e na ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde, um caso que teria ocorrido na última terça-feira (3), durante vacinação contra covid-19 na UBS (Unidade Básica de Saúde) 5 Santo Antônio.   

A denunciante procurou o Hojemais Araçatuba e disse que estava na fila de vacinação na UBS, atrás de duas pessoas que também tomariam a primeira dose contra o coronavírus. Uma delas foi vacinada com a Coronavac e a mulher que seria atendida em seguida, após ficar sabendo qual era a fabricante, ligou para uma pessoa que seria seu familiar.

Na ligação, a advogada ouviu a munícipe reclamando que não tomaria Coronavac e as consequências que teria caso recusasse. Em seguida, quando a advogada já estava sendo atendida, aguardando enfermeiros abrirem um novo lote de Coronavac, ouviu uma das profissionais da saúde atendendo um telefonema. 

Depois da ligação, a mulher que havia reclamado da Coronavac, entrou onde seria o local de aplicação. A denunciante conta que, automaticamente, a enfermeira trocou o lote e aplicou Astrazeneca na munícipe. A advogada chegou a questionar, na hora, o motivo de ter acontecido isso e notou que ninguém sabia explicar ao certo, até uma enfermeira dizer que tinha as duas doses na UBS e as pessoas poderiam escolher. 

“Quiseram justificar, falando que as enfermeiras me perguntaram qual eu queria tomar, mas não me perguntaram, não”, ressalta, lembrando que o outro munícipe que tomou a vacina primeiro do que elas, também recebeu Coronavac e que ele ficou sabendo qual era a fabricante porque perguntou. 

Ligações 

Sendo assim, a advogada protocolou denúncia no Ministério Público, encaminhada para a promotoria de Birigui, e também na ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde. 

A denunciante contou ao Hojemais Araçatuba que ainda recebeu uma ligação de uma pessoa que se identificou como enfermeira-chefe e afirmou que ela poderia ter escolhido entre Astrazeneca e Coronavac no dia da vacinação. 

Indignada com a situação, a advogada ligou em duas outras UBSs, perguntando se estavam vacinando e se havia duas opções para escolher. Em ambas as ligações, as atendentes informaram que isso não era possível e a pessoa tinha que tomar a dose que estava disponível. 

A reportagem teve acesso a uma imagem postada pela munícipe, que mostra o cartão de vacinação contendo o nome da fabricante (Oxford), a data e o local onde tomou. Coincide com o relato da advogada, que também mostrou a carteira de vacinação com a confirmação de que tomou a Coronavac.  

Outro lado 

A Prefeitura de Birigui, por meio da Secretaria de Saúde, informou ao Hojemais Araçatuba que, apesar de ainda não ter sido notificada pelo Ministério Público quanto à denúncia, diz que o caso já está sendo averiguado pela Vigilância Epidemiológica para apurar o que de fato pode ter acontecido. "Assim que for notificada pelo MP, a Secretaria de Saúde prestará os esclarecimentos solicitados". 

Em nota, o Executivo reforça que não existe no município a possibilidade de escolha de vacina. A vacina de primeira dose aplicada é aquela que está disponível no momento nas UBSs e nos drive-thrus.

"A Secretaria de Saúde reitera que todas as vacinas disponíveis previnem casos graves por covid-19, são seguras, eficazes e foram liberadas pela Anvisa. Ao se recusar a tomar a marca disponível no momento, a pessoa está assumindo o risco desnecessário de se expor ao vírus, além de estar atrasando e atrapalhando o processo de imunização no município. Não importa a vacina, o importante é se vacinar e garantir a proteção contra a covid-19". 

A Prefeitura ainda destacou que mesmo com o avanço da vacinação no município, "todos os biriguienses devem continuar seguindo os protocolos sanitários contra o coronavírus, como o uso de máscara facial, higienização das mãos, uso de álcool em gel, manter o distanciamento e evitar aglomerações.  O apoio de toda população é fundamental para seguirmos vencendo essa pandemia". 

Fim da fila

Em Birigui, foi aprovado pela Câmara na última sessão, realizada em 3 de agosto, projeto que transfere para o fim da fila de vacinação pessoas que se recusarem a receber o imunizante contra a covid-19 por não ser da marca de sua preferência.

A mesma medida deve ser aplicada a pessoas flagradas em festas clandestinas e que forem, por isso, citadas em boletins de ocorrência ou termos circunstanciados.

Agora, a medida aguarda o sanção do prefeito Leandro Maffeis (PSL). A aplicação do protocolo inclui que o cidadão que se recusar a tomar a vacina assine um termo. Com isso, ele poderá voltar a procurar o serviço de imunização somente após o término da programação regular de aplicação da vacina aos demais grupos.

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