A Santa Casa e a Prefeitura de Araçatuba (SP) assinaram nesta terça-feira (13), um termo de parceria com o objetivo de aumentar a oferta de córneas ao SET (Sistema Estadual de Transplantes), que passarão a ser coletadas também de pacientes com óbito por parada cardíaca.
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, dará apoio logístico ao transporte de córneas captadas, seja com veículos da própria secretaria ou outro da frota municipal.
A córnea é um tecido transparente que fica na parte da frente do olho, podendo ser comparada ao vidro de um relógio ou a uma lente de contato. Se a córnea se opacifica (embaça), a pessoa pode ter a visão bastante reduzida e até perdê-la. E o transplante permite que pessoas com alguma deficiência visual por problemas de córnea recuperem a visão.
As captações pela Santa Casa de Araçatuba são feitas pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante. Segundo o médico Rafael Saad, que é coordenador dessa comissão, a dificuldade em realizar em tempo hábil o transporte de córneas após a captação era um dos entraves para viabilizar o procedimento.
A partir do horário do óbito, a comissão tem 6 horas para avaliar o prontuário, entrevistar a família e fazer a retirada das córneas. Elas precisam ser mantidas em refrigeração por no máximo 6 horas até a entrega ao HB (Hospital de Base) de São José do Rio Preto, referência na região noroeste no recebimento, análise, preparação e distribuição de córneas ao SET.
O HB também é referência para transplantes em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) na região noroeste. Os tecidos são colocados em preparo especial por até 14 dias, prazo necessário para conclusão dos exames que podem validar o transplante.
Essas córneas são distribuídas pelo Sistema Estadual de Transplantes conforme a fila única regionalizada e cada doação beneficia dois pacientes. O processo é sigiloso, visando manter a segurança e a confidencialidade de doadores e receptores.
Parada cardíaca
Até então, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante organizava os processos para captação de múltiplos órgãos e tecidos de doadores em morte encefálica. A partir de agora, a comissão passa a ter estrutura específica para a captação de córneas de pacientes em óbito por parada cardíaca.
A exemplo do que ocorre nos casos de morte encefálica, a enucleação, nome científico da retirada de tecidos oculares, só pode ser feita mediante autorização de familiares de até segundo grau, manifestada durante entrevista e expressa em assinatura de termo de doação.
Protocolo do Ministério da Saúde prevê que os doadores devem ter idade acima de 2 anos e abaixo de 80 anos e não podem ter doenças malignas nos olhos, as infectocontagiosas e as linfoproliferativas crônicas, como leucemia, linfoma e mieloma.
Demanda
Segundo o Sistema Nacional de Transplantes, 24.319 pacientes estão na fila de espera por transplante de córnea no Brasil. O número, referente a maio deste ano, dobrou entre 2019 e 2022. O tempo de espera por um transplante de córnea no país é de 13,2 meses em média.
“Hoje temos quase 25 mil pacientes na fila de espera e não é admissível um transplante não ser realizado por falta de transporte”, comenta o prefeito Dilador Borges (PSDB), em entrevista à assessoria de imprensa do hospital, ao oficializar a parceria.
