Iniciativa
De acordo com a docente, a pobreza menstrual - caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e até conhecimento por parte de pessoas que menstruam para cuidados envolvendo a própria menstruação - surgiu como tema em uma aula de redação. A ideia de fazer uma campanha foi sugerida por Ayne e aceita imediatamente pelos estudantes.
“Eles ficaram tão impactados, era um problema que eles desconheciam, pois não faz parte da realidade deles, que aceitaram fazer uma campanha de arrecadação desses absorventes para criarmos um banco de absorventes em Araçatuba, que pudessem ser distribuídos para mulheres carentes necessitadas”.
Além das doações feitas pelas próprias turmas – em torno de 300 a 400 estudantes – alguns foram atrás de mais colaborações. Uma das estudantes, por exemplo, conseguiu uma doação grande do Lions Clube de Birigui; outra, mobilizou o condomínio onde mora e arrecadou em torno de 100 pacotes de absorventes.
Projeto Amor
As arrecadações serão entregues nesta quarta-feira (16), pela manhã, para as escoteiras Thaisa Cabrera Santana e Giovanna Barreto, do grupo Dom Bosco, de Araçatuba. Elas direcionarão os absorventes ao Projeto Amor, que atende famílias carentes no bairro Águas Claras. No entanto, quem tiver interesse de doar, ainda pode levar os absorventes na secretaria do Anglo.
Segundo Thaisa, dependendo da quantidade de produtos arrecadados, uma parte poderá ser doada para mulheres que vivem em situação de rua no município. O Projeto Amor, idealizado no ano passado, já realizou campanha para doar alimentos e roupas para os moradores do bairro, nessa pandemia.
Políticas Públicas
A professora Ayne ainda destaca outra ação que partiu dos alunos. Eles foram além da campanha e procuraram o vereador Wesley da Dialogue (PODE) para conversar sobre o assunto e a viabilidade de um projeto de lei que cria política pública contra pobreza menstrual no município.
“Estamos em conversa com os alunos e pretendemos criar um debate sobre o tema para construirmos juntos um possível projeto para ser apresentado pelo nosso mandato na Câmara”, disse o parlamentar, que fez um requerimento de informação para a Prefeitura de Araçatuba, no mês passado, para saber se o município possui uma política de distribuição de absorventes higiênicos nas escolas municipais e nos equipamentos de assistência social, como o Cras (Centro de Referência de Assistência Social).
Em Araçatuba, apenas a Secretaria de Assistência Social faz a entrega de absorventes para mulheres em situação de rua, quando solicitado.