Por dia, 32 brasileiros cometem suicídio, segundo dados do CVV (Centro de Valorização da Vida). O número de mortes é superior ao das vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer.
Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam uma morte a cada 40 segundos. Por ano, são 800 mil, sendo essa a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos de idade.
A esperança é o fato de que, segundo a própria OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.
Esse é o principal objetivo do Geas (Grupo de Estudos e Amparo ao Suicídio), criado no último dia 27, em Penápolis, para estudar a temática, o comportamento suicida e ao mesmo tempo, propor ações interventivas, do acolhimento ao direcionamento a instituições de saúde pública, como o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e a saúde mental.
A iniciativa também vai ao encontro do Setembro Amarelo, mês que chama atenção da população para o grande número de suicídios.
Necessidade
O psicólogo clínico Júlio César Santos Ribeiro, um dos idealizadores do grupo, explica que a iniciativa surgiu de uma necessidade. Penápolis registrou 13 casos de suicídio no último ano, bem acima da média nacional de seis casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Detalhe: Penápolis tem população estimada em 63 mil habitantes (dados do IBGE para 2018).
Também fazem parte do Geas os psicólogos Rodrigo Tomasini, Janaína da Cunha Presotto, Jaqueline Pereira, o pastor Rodrigo Sonsino (CVV de Penápolis) e a secretária de Assistência Social de Penápolis, Sueli Bondstein.
Além de clínico, Ribeiro atua como psicólogo na Secretaria de Saúde de Coroados e Janaína, em Barbosa.
Outros três psicólogos se propuseram a ajudar a iniciativa, abrindo suas clínicas para casos encaminhados pelo grupo. A intenção, segundo Ribeiro, é ampliar o número de profissionais, atingindo também outras cidades da região. Um profissional de Araçatuba já integra essa rede psicossocial.
Jovens
O assunto que já foi um tabu muito maior ainda enfrenta dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.
A maior dificuldade, segundo Ribeiro, é o atendimento a crianças e adolescentes, pois Penápolis não tem o Caps i, que teria um acolhimento específico.
“Se temos um adolescente de 15 anos apresentando um comportamento suicida, ele não tem para onde ir, porque a saúde mental tem grande demanda e não trabalha especificamente com crianças e a adolescentes. E segundo a OMS, a população que mais está apresentando comportamento suicida vai de 15 a 29 anos”, explicou.
Em Penápolis, no último mês, foram cinco casos notificados nessa faixa etária.
Por isso, um dos principais focos do Geas é esse público. “Vamos trabalhar com redes sociais para propagar conteúdo positivo, de valorização à vida, pois é lá que os adolescentes estão. Queremos dialogar com eles, estar mais próximos.” As pessoas poderão procurar ajuda inbox pela própria página do Geas no Facebook, que terá sempre um psicólogo para responder as mensagens e fazer o primeiro atendimento.
Prevenção
Outra linha de trabalho do grupo é a prevenção, com palestras em escolas e capacitação de profissionais da saúde, como enfermeiros e agentes comunitários, para que eles saibam como conduzir a situação quando se depararem com uma ação suicida, por exemplo.
O grupo também está aberto para a participação de profissionais de outras áreas, como assistentes sociais, nutricionistas e educadores físicos, que poderão atuar como equipe de apoio, já que o tratamento muitas vezes é multidisciplinar.
Serviço
Os integrantes do Geas se reúnem todas as quartas-feiras, em Penápolis. Mais informações pela página do grupo no Facebook.