Cotidiano

Quais mensagens passamos para nossas meninas?

"Eliminar o sexismo requer instaurar uma igualdade de atenção e de tratamento a meninos e meninas"

Jamilly Nicácio Nicolete - Hojemais Araçatuba 
07/03/19 às 15h33

A filósofa norte-americana Joan Scott aponta que gênero é constitutivo das relações sociais e uma forma primária de demonstração/imposição de poder. A partir de sua análise, é possível pensar o processo histórico como um complexo jogo de apropriação e reprodução-recriação de relações de dominação entre os sexos, no qual o poder ocupa um lugar central.

Um estudo publicado em 2017 pela revista Science apontou que as meninas aprendem a subestimar seu próprio gênero aos 6 anos. Segundo o estudo, as meninas já nessa idade se afastam de atividades supostamente pensadas para os que são “muito, muito inteligentes”.

Para muitas especialistas, as percepções de gênero baseadas em estereótipos podem definir e configurar as aspirações acadêmicas e interesses dos meninos e meninas para toda a vida. As meninas de 6 anos têm menos tendência a pensar que pessoas de seu gênero podem ser brilhantes.

A psicóloga Andrei Ciampian, professora que liderou a pesquisa na Universidade de Illinois, afirma que a associação daquilo que é “brilhante” com os homens “pode prejudicar as aspirações das meninas e suas futuras carreiras”. Essa ideia aliena as mulheres de empregos nos quais percebe-se que essa capacidade é necessária.

Em outro teste, os participantes tiveram que relacionar “melhores notas” à imagem de meninos e meninas. Nesse caso, o teste não apontou diferença significativa, o que também é representativo pois, desde pequenos, eles e elas não percebem a relação direta entre boas notas e brilhantismo. Um importante alerta pois, embora as meninas tirem boas notas, se percebem menos brilhantes.

Autoras como Subirats e Brullet consideram que a discriminação sexista não afeta a capacidade de êxito escolar, o que contribuiria à visibilidade desta forma de discriminação, mas afeta a construção da personalidade e ao próprio sentimento de segurança das mulheres.

Eliminar o sexismo requer instaurar uma igualdade de atenção e de tratamento a meninos e meninas, mas exige também refazer o sistema de transmissão de valores e atitudes, repensar conteúdos, práticas e toda forma de manifestação de ideias e saberes.

      


Jamilly Nicácio Nicolete é professora universitária, doutora em Educação, coordenadora do GEDEG (Grupo de Pesquisa em Diversidade, Educação e Gênero), que escreve para o Hojemais Araçatuba a cada 15 dias. Na semana da mulher, o grupo irá colaborar com vários artigos com a temática. 

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