Cotidiano

Santa Casa de Araçatuba afasta administrador

Provedor teria renunciado ao cargo por não concordar com medida; administrador é acusado de postura abusiva

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
27/08/21 às 18h37
Direção da Santa Casa de Araçatuba passa por mudanças (Foto: Lázaro Jr./Arquivo)

O Conselho de Administração da Santa Casa de Araçatuba (SP) promoveu mudanças na direção do hospital, com afastamento do administrador, Mauro Inácio da Silva. Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira (27), o conselho informa que diante da medida, o provedor da Santa Casa, Claudionor Aguiar Teixeira, teria renunciado ao cargo.

Segundo o que foi divulgado, o afastamento do administrador foi decidido pelo Conselho de Administração, presidido interinamente pelo advogado Clemente Cavasana, após reiteradas queixas de colaboradores em relação à postura abusiva por parte dele.

Ainda de acordo com o que foi divulgado, ao ser informado que diante da incompatibilidade do relacionamento profissional Mauro Inácio deveria ser afastado, o provedor não teria concordado com a medida e renunciado ao cargo. “Eu renuncio ao direito e vocês (Conselho) que toquem isso sozinhos”, teria dito, segundo a nota e foi embora.

A decisão de Claudionor teria sido vista pelo Conselho de Administração como decorrente do estado emocional alterado dele. Por isso, Cavasana solicitou a dois conselheiros que o procurassem para tentar demovê-lo da decisão de renunciar ao cargo.

Entretanto, ele teria permanecido irredutível, inclusive em nova abordagem feita no dia seguinte ao ser procurado por outros conselheiros.

Substituto

Diante da vacância do cargo, o presidente interino do Conselho de Administração nomeou o conselheiro Juliano Tonon como novo provedor da Santa Casa. Claudionor não teria concordado com a nomeação, alegando que continuaria no cargo.

Segundo a nota distribuída à imprensa, a situação teria criado um impasse e desde então o Conselho de Administração se reúne quase que permanentemente para encontrar uma solução.

Ainda de acordo com o que foi informado, em nenhum momento o Conselho de Administração foi arbitrário e/ou invasivo, pois teria tomado a decisão de afastar o administrador para garantir a qualidade do ambiente de trabalho dos profissionais que cuidam da saúde dos pacientes. 

A nota informa que a nomeação do novo provedor está sendo questionada pelo procurador jurídico da Santa Casa, mas o estatuto do hospital prevê que cabe ao Conselho de Administração “nomear substituto para o provedor nos casos de vacância ou afastamento".

Atendimento

O presidente interino do Conselho de Administração informa na nota que o órgão trabalha para que essas questões sejam solucionadas o mais breve possível e afirma que os fluxos de atendimento e serviços em todo o complexo hospitalar não sofreram e não sofrerão interrupção de continuidade.

“Estamos trabalhando para ampliar ainda mais a qualidade desses serviços”, informa em nota. A Santa Casa de Araçatuba é referência em atendimento de alta complexidade para 40 municípios.

A reportagem não conseguiu contato com o Mauro Inácio e com Claudionor para comentar sobre a nota divulgada à imprensa pelo Conselho de Administração do hospital. 

Denúncia de irregularidades será encaminhada ao CRM

Ao mesmo tempo em que houve mudanças na direção da Santa Casa de Araçatuba, tornou-se de conhecimento público uma denúncia feita de forma anônima à direção do hospital, sobre suposta negligência médica no atendimento a pacientes, que inclusive teria motivado mortes, segundo o relato.

As supostas irregularidades foram divulgadas em um programa na Rádio Nova Brasil na quinta-feira (26) e nesta sexta-feira (27) o diretor clínico do hospital, Gíulio Stanco Coscina Neto, concedeu entrevista no mesmo programa. Ele informou que um procedimento interno para apurar o caso já foi instaurado e concluído sem confirmar os fatos apontados pela denunciante.

De acordo com ele, os fatos chegaram ao conhecimento da diretoria há cerca de um mês e, apesar de a denúncia ser anônima, foi instaurada uma sindicância e o caso encaminhado ao Conselho de Ética Médica do Hospital, que é um braço do CRM (Conselho Regional de Medicina), para avaliar a conduta do profissional citado.

Segundo Coscina Neto, durante a apuração foram avaliados prontuários médicos, ouvidos profissionais que teriam participado dos atendimentos e a conclusão é de que não há indícios de veracidade na denúncia.

Arrependida

Ainda de acordo como ele, apesar do anonimato, a autora da denúncia foi identificada, ouvida e alegado que havia tomado essa decisão no “calor da emoção” , porque estava nervosa, e que teria se arrependido. 

Segundo o diretor clínico da Santa Casa, é obrigação de todo funcionário comunicar a diretoria em caso de qualquer irregularidade, porém, isso não deve ser feito de forma anônima. Para ele, tudo o que aconteceu foi desagradável e o médico citado na denúncia poderá inclusive registrar um boletim de ocorrência para as devidas providências.

O relatório da sindicância interna será encaminhado ao CRM e também à diretoria administrativa para as devidas providências com relação à autora da denúncia, que segue trabalhando normalmente.

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