Cotidiano

Secretaria de Justiça de SP é acionada no caso de menina encontrada em terreiro de candomblé 

Ofício pedindo a apuração de eventual prática de intolerância religiosa foi enviado na última sexta-feira (7) pela deputada estadual Leci Brandão da Silva

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
10/08/20 às 20h00
Secretaria de Justiça e Cidadina do Estado de São Paulo (Foto: Divulgação)

O caso da mãe que perdeu a guarda da filha, em Araçatuba (SP), após a menina ser encontrada em cerimônia de iniciação do candomblé, foi levado à Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo.

Um ofício pedindo a apuração de eventual prática de intolerância religiosa foi encaminhado pela deputada estadual Leci Brandão da Silva (PCdoB).

A guarda foi concedida provisoriamente à avó materna da adolescente, que tem 12 anos, na semana passada. Ela foi encontrada com a cabeça raspada em um terreiro em Araçatuba em julho. O fato ganhou repercussão nacional.

No documento enviado à secretaria na última sexta-feira (7), Leci Brandão faz um apelo ao secretário da pasta, Paulo Dimas Mascaretti, citando um resumo dos acontecimentos e utilizando como base uma reportagem divulgada pelo site Uol.

“Mui respeitosamente, convém ressaltar a importância de apurar tais acontecimentos e tomar as devidas providências. Tal diligência deverá ser executada pela Secretaria de Justiça e Cidadania, como disposto no art. 4º, §3º da Lei 17.157/2019, que dispõe sobre penalidades administrativas a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação por motivo religioso. Aproveito a oportunidade para renovar meus protestos de consideração e respeito”, diz no documento.

O caso também chamou a atenção da deputada estadual Erica Malunguinho (Psol), que divulgou no seu Twitter um texto requisitando uma reunião com o procurador-geral de Justiça de São Paulo para denunciar o caso como racismo religioso.

Importância

Para o centro cultural Obadará Africanidades, que representa as religiões de matriz africana em Araçatuba e região, as atitudes das deputadas são importantes para o caso.

“O ofício da Leci, mais o questionamento da Erica, pedindo explicações ao procurador, são ações importantes. Se nós temos um presidente, vários prefeitos e governadores que se declararam cristãos, é importante que tenhamos essa fala das deputadas” , afirma. 

“Tanto o questionamento da Erica quanto o ofício da Leci, nada mais são do que o papel delas na Assembleia, que é garantir o direito ao exercício da religiosidade ou não religiosidade do povo. Cabe aos deputados a garantia dos nossos direitos”,  finaliza.

Linha do tempo

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O caso teve início no dia 23 de julho, quando a polícia militar recebeu denúncia de possíveis maus-tratos e abuso sexual contra uma menina de 12 anos, que passava por um ritual típico do candomblé e por isso teve seu cabelo raspado (matéria completa sobre o ritual no link: “Ato sagrado de raspar a cabeça jamais deve ser comparado a maus-tratos” ). 

No terreiro indicado pela denúncia, os policiais foram recebidos por uma mulher, que seria responsável pelo imóvel, que relatou o que ocorria e negou maus-tratos. A menina deu a mesma versão, assim como sua a mãe, uma manicure de 41 anos, que afirmou que estava sabendo do fato e não quis representar criminalmente contra a responsável pelo espaço.

Exame de corpo de delito foi feito no IML (Instituto Médico Legal), devido ao cabelo raspado, pois poderia configurar lesão corporal.

No último dia 5, a Justiça de Araçatuba concedeu a guarda provisória à avó materna. A mãe já entrou com um pedido para que a filha volte para a casa e aguarda audiência.

Ao Hojemais Araçatuba , a mulher disse que o fato ganhou essa proporção por uma questão de intolerância religiosa, já que a avó que está com a adolescente é de outra religião.

Para informações mais detalhados do caso, acesse as matérias dos links relacionados, logo abaixo.

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.