Cotidiano

Você já sabe

O feminismo é caminho sem volta, é uma porta que nunca mais se fecha

Jamilly Nicácio Nicolete - Hojemais Araçatuba 
10/03/19 às 16h53

Um texto em espanhol, da escritora e professora Cecilia Solá, membra do coletivo #NiunaMenos nos chamou atenção e com base nele, fecharemos a sequência de publicações sobre mulheres, que agora voltará a ser quinzenal.

A autora escreveu: “Você já sabe. Sim, você já sabe. Você não é tonto/a/e. Você já sabe que nos matam. Que o marido, o ex, podem tranquilamente ser o feminicida. Você sabe que voltar é uma loteria. Que nos pegam, violam e nos abandonam em sacos ou containers ou em terrenos baldios. Você sabe também que nos exploram, que não respeitam nada, que cada vez mais cedo nos transformam em coisas: usáveis, descartáveis, silenciosas. Você sabe, eu sei que você sabe. As vezes surpreso por nojo, medo e até raiva, cobrem os olhos com os quais veem que vamos caindo. Eu não tenho aqui que te contar nada, porque você sabe tudo que se passa. Eu venho lhe perguntar se você não pensa em fazer nada?”

Apesar dos mecanismos da nossa socialização para a masculinidade e feminilidade, que nos é posta e imposta diariamente, não é difícil perceber a gravidade da violência contra a mulher que estamos vivendo. Violência física, mas também verbal, moral, patrimonial e psicológica, todas previstas na Lei Maria da Penha. Inclusive, também sabemos que quando a violência física acontece, outras já se concretizaram.

Onde estão os homens bons ou de bem? Por que não se levantam e lutam contra seus pares que nos exploram e exterminam? Por que julgam o corpo gordo feminino ou corpo que ousa sair para se divertir depois de parir (e aqui não importa a idade do filho), mas não combatem o abandono paterno? Abandono que não é privilégio daqueles que se foram, muitos ficam, mas nós permanecemos sós. Por que não se avultam contra aqueles que exploram nossa mão de obra, nosso emocional?

Eu sou feminista e a cada dia convivo com mais mulheres que também buscam levantar as bandeiras de lutas do movimento. Nem eu, nem essas tantas mulheres que conheço andamos nuas pelas ruas ou provocamos a religião alheia como forma de resistência, tais atos, inclusive, são bastante veiculados por aqueles que pretendem a manutenção do patriarcado por se beneficiar dele.

O feminismo é caminho sem volta, é uma porta que nunca mais se fecha, é condição para uma consciência libertadora, mas dilacerante, pois para nós, ninguém precisa dizer nada, a gente sabe!   


Jamilly Nicácio Nicolete  é professora universitária, doutora em Educação, coordenadora do GEDEG (Grupo de Pesquisa em Diversidade, Educação e Gênero), que escreve para o  Hojemais Araçatuba  a cada 15 dias. Na semana da mulher, o grupo irá colaborar com vários artigos com a temática. 

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