Cultura

Alunos de escola estadual lançam livros em Araçatuba

Projeto "Superautor" mobilizou aproximadamente 150 alunos da escola estadual Licolina Villela Reis Alves

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
22/12/19 às 11h00
Histórias criadas pelos estudantes são de diferentes gêneros literarários, como conto e poesia (Foto: Manu Zambon)

Nem todos os “superautores” moram em grandes centros, são formados nas melhores universidades, possuem uma “certa idade” ou são medidos pelo número de best-sellers publicados ou cópias vendidas. Um “superautor” pode ser seu vizinho, morar no mesmo bairro que você, ser da sua família e/ou estudar na mesma escola.

Na escola estadual Profª Licolina Villela Reis Alves, cerca de 150 estudantes tiveram a oportunidade de escrever sua primeira obra. Poesias, textos narrativos, contos e fábulas deram vida a páginas em branco, sob a visão de estudantes de 11 e 12 anos, dos 6º e 7º anos do ensino fundamental.

Para isso, eles trabalharam com o projeto gratuito “Superautor”, que tem como objetivo ajudar as escolas a desenvolverem a capacidade criativa dos alunos por meio da escrita. O lançamento, realizado neste mês em um shopping do município, contou com autógrafos nos livros, publicados em parceria com a Super Livro Editora, do Rio de Janeiro.

Sistema

Além de escrever seus próprios textos, cada jovem teve a oportunidade de editar a publicação e fazer suas próprias ilustrações.

De acordo com a professora de língua portuguesa Angelina de Jesus, que aplicou o método nas quatro turmas, os estudantes já estavam em contato com a literatura desde o início do ano, por meio de atividades, como as rodas literárias. Ela conta que foi trabalhado com eles várias obras de Monteiro Lobato, literatura de cordel, entre outros, permitindo uma familiarização maior com o tema.

O trabalho surtiu resultado e nenhum aluno ficou de fora. Teve quem preferisse escrever uma obra de poesias, como o livro “O Barco do João”, ou um texto mais narrativo, como ‘O Mistério”.

Porém, um trabalho em especial chamou a atenção e emocionou a professora. Francisco Souza Rodrigues, que escreveu “Jogar Bola”, chegou na escola no ano passado com bastante atraso nas disciplinas.

Alunos participaram do lançamento e autografaram obras em evento realizado em shopping (Foto: Divulgação)

Angelina explica que ele não sabia identificar, nem mesmo, as letras do alfabeto. Escreveu o seu livro usando o alfabeto móvel, fez as ilustrações e, com isso, se superou.

Atualmente, ele já está alfabetizado, destaca.
Todos os trabalhos dos alunos podem ser acessados pelo site do projeto (superautor.com.br). Basta ter um código de cada livro. Há também a opção de imprimir e adquirir uma cópia.

Etapas

Angelina explica que a ideia de usar o projeto surgiu após uma coordenadora da escola conhecer o “Superautor” em uma rede social.

Durante as férias de julho deste ano, a docente teve acesso a uma série de vídeos-aulas sobre a aplicação da tecnologia. Ela dividiu em etapas, sendo que as três primeiras foram realizadas com produção do material e correções em sala de aula.

Depois, os alunos passaram a trabalhar nos computadores do laboratório de informática. Com isso, eles tiveram os primeiros contatos com a formatação do livro. Aqueles alunos que tinham a oportunidade, também mexiam no sistema de casa, com a ajuda dos pais ou responsáveis.

No total, o projeto durou cerca de cinco meses para ser finalizado e impresso no formato de livro. “Foi um desafio, porque é o uso da tecnologia. A gente iniciou na sala de aula, trabalhando vários gêneros textuais, incluindo as lendas. Eles também escolheram qual texto eles iriam fazer”, explica Angelina.

Protagonismo

“A gente tem uma dificuldade muito grande com os alunos na leitura e compreensão dos textos. Então um dos nossos focos é esse. Além da aprendizagem, o projeto trouxe outros valores agregados. A gente precisa desenvolver nesses alunos a autonomia, solidariedade e a competência”, ressalta a diretora, Luciana da Silva Benevides.

“Com o projeto, percebemos a evolução do aluno, o protagonismo. No dia do evento no shopping, eles mesmos falaram do protagonismo. Eles têm o próprio livro, eles criaram. Eu falo pra eles: O que é ser protagonista? É fazer a diferença. E vocês estão fazendo”, finaliza Angelina.

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