Cultura
No município, alguns grupos defendem a manutenção do espaço. No último sábado (27), moradores se organizaram para um abraço simbólico na estrutura. A ação teve como objetivo protestar contra a expectativa de demolição do local.
O organizador do movimento, o analista de sistemas Adriano Coelho, destacou que a ideia também é mostrar que o espaço pode ser usado para apresentações de música, teatro e outras atrações culturais.
O arquiteto acredita que a plataforma poderia ser incorporada em uma segunda etapa do projeto do Centro Cultural Ferroviário, realizado pelo Instituto Pedra, ou servir como parte anexa ao Museu Histórico e Pedagógico Marechal Cândido Rondon.
“Ela ligaria os dois lados da cidade, levando os usos culturais para o espaço público, além dos limites do edifício. As áreas internas da bilheteria poderiam ser utilizadas para fins culturais, por exemplo, como salas de ensaio para músicos e dança (...) Sob a marquise, é possível configurar um espaço de exposição, como uma galeria urbana (...) Tudo, obviamente, precisa ser estudado para ter clareza da viabilidade. Mas historicamente, a cobertura constitui o elemento fundamental da sobrevivência humana. Pode não haver paredes, mas se houver cobertura, há proteção. Guardadas as proporções, veja como exemplo o vão do Masp ou a marquise do Ibirapuera”, finaliza o arquiteto.
Demolição
A reportagem procurou profissionais de arquitetura e urbanismo a favor da demolição, mas não encontrou. O espaço está aberto a profissionais da área que gostariam de se posicionar sobre o prédio.
A arquiteta e urbanista e docente da área, Manuella Boreggio, de Araçatuba, também defende a manutenção do espaço. Com o objetivo de preservar o local, protocolou no final de abril um pedido de tombamento no Atende Fácil. Além da sua assinatura, ela reuniu outras 20 pessoas para fazer um pedido coletivo.
De acordo com a Prefeitura, já são sete pedidos de tombamento protocolados, sendo seis no Atende Fácil e um diretamente na Secretaria Municipal de Cultura. No município, a lei que prevê o tombamento é n 7.419, de 29 de novembro de 2011.
Na descrição do documento, Manuella conta que fez uma pesquisa histórica da origem da estação e descreveu as finalidades atuais das dependências da estação.
Dentre as justificativas específicas, ela argumenta que o prédio tem relevância histórica para Araçatuba. “A plataforma, ainda que tenha sido construída posteriormente à instalação da rede (de ferrovia) em Araçatuba, foi construída pela própria para atender o aumento da demanda de cargas e passageiros. Esse aumento de cargas e passageiros, inclusive, coincide com uma fase histórica de crescimento econômico da nossa cidade, reforçando-a como ‘capital’ regional”, detalha.
Manuella ainda explica que a estação também marca a chegada de uma época mais moderna na cidade, uma vez que sua arquitetura é tipicamente do período modernista da arquitetura brasileira.
“Esta estação foi a última a funcionar e testemunha o fim do período da hegemonia da ferroviária, que deu lugar ao período rodoviarista”, completa.
Laudo
Junto ao pedido, foi anexado um laudo técnico preliminar do engenheiro civil Thiago Francisco da Silva Trentin, com o objetivo de atestar a segurança da plataforma. Trentin esteve no local e concluiu, assim como detalhou no documento, que o prédio sofre com algumas fissuras, infiltrações e desplacamento do concreto. Porém, não há risco de desabar.
“No entanto, faço algumas ressalvas. Tem que ser feita uma impermeabilização da estrutura e o concreto da fachada precisa de reparos. Por conta da ação do tempo, da chuva, da temperatura, e falta de manutenção, o concreto se soltou”. É também necessário, do ponto de vista do profissional, reparo em uma trinca na alvenaria.
Para ele, o prédio só está de pé porque a estrutura foi muito bem dimensionada. Mas se continuar sem reparos, o processo de deterioração da plataforma irá continuar.
