Cultura

Eder Giaretta: do erudito ao popular

Pianista tem 26 anos de carreira e ganhou projeção após participar de filme sobre o maestro João Carlos Martins

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
20/07/19 às 13h00
Pianista, que possui experiência internacional, abre a série Mais Artistas produzida pelo Hojemais Araçatuba (Foto: Manu Zambon)

São 26 anos de carreira desde que começou a se apresentar, ainda criança, para o público. Na época, o instrumento ainda era o teclado. Por influência do pai, o músico biriguense Eder Giaretta começou a ter aulas do instrumento com 6 anos, em uma escola.

Após concertos no exterior e capitais brasileiras, trabalhos realizados em casamentos e projetos diversos, o instrumentista, que hoje tem 37 anos, é o primeiro a integrar a nossa série especial Mais Artistas, que tem início neste sábado (20), com o objetivo de valorizar histórias de profissionais locais e seus trabalhos.

“Na escolinha de teclado, logo na primeira aula, eu já peguei a lição rapidamente e quando cheguei com a tarefa no próximo dia, já estava tocando com uma velocidade incomum e decor. Meus professores ficaram admirados por eu ter conseguido alcançar aquilo lá em tão pouco tempo e fazendo o que não era comum”, conta.

Anos depois dessa primeira aula de teclado, Giaretta se consolidou como pianista e ganhou projeção nacional após ser dublê de mãos do maestro brasileiro João Carlos Martins, no filme “João”, que contou a história de superação do ícone da música mundial. A estreia do longa-metragem aconteceu em 2017. No ano passado, também ganhou destaque tocando no casamento do dj Alok, no Rio de Janeiro.

Giaretta estudou piano no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, onde ficou por nove anos. Cursou piano popular e em seguida o estilo erudito, e também se formou em regência instrumental. “Essa parte de orquestra, de analisar sinfonia, aprender a lidar com os outros instrumentos. A regência me deu uma grande capacidade de conhecer todos os instrumentos e muitos compositores, obras, sinfonias”, explica.

O músico também é mestre em música pela Unesp, pelo Instituto de Artes da universidade, em São Paulo, com foco em performance em piano.

Palcos internacionais

Eder Giaretta atua em projetos de piano erudito e popular, sem preferência por um ou outro, ressalta. Um dos trabalhos é com a música de câmara, segmento voltado a pequenos grupos de instrumentos e vozes. Nesta área, o profissional destaca que atua com bastante frequência, trabalhando com músicos como Toninho Carrasqueira, Edson Beltrami e grupo Vale Trio. Com esta última formação, já fez concertos na Alemanha.

Além das terras alemãs, Giaretta também se apresentou, a convite, duas vezes no famoso Teatro Solís, em Montevidéu, no Uruguai, um dos mais tradicionais do mundo. Na França, foi selecionado para participar da 19ª edição da Académie Francis Poulenc, tendo realizado recitais nas cidades de Tours e Noizay.

Atuou como solista na orquestra do “11° Festival Internacional Música nas Montanhas”, em Minas Gerais, e participou da Orquestra Bachiana Filarmônica, Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas e Orquestra Sinfônica Villa-Lobos, estando sob a regência dos maestros João Carlos Martins, Edson Beltrami, Adriano Machado, o chinês Shih-Hung Young e o uruguaio Martin Jorge.

Cineconcertos

No final do ano passado, ele e os músicos Henrique Pereira e Osvaldo Martins, de Araçatuba, e Daniel Fuhrmann, de Penápolis, representaram a região no cineconcerto internacional “La La Land in Concert”. O projeto consistiu em uma exibição do filme com trilha sonora executada ao vivo. O evento contou com a produção da Orquestra Sinfônica Villa-Lobos, com 50 integrantes, e uma banda de jazz.

Na região, Giaretta atua em casamentos e ministra aulas de piano (Foto: Manu Zambon)

Já neste ano, participou de outro cineconcerto, mas dessa vez em projeto que celebrou os 17 anos do lançamento do filme “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”. Integrou apresentações com 250 músicos da Orquestra Sinfônica Villa-Lobos no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

Interior

Sobre ser músico na região, ele afirma que não é uma tarefa das mais fáceis. “É bem árduo, porque aqui realmente não acontece. Na verdade, meu trabalho com música no interior é voltado apenas para o meu preparo. Aqui a gente praticamente se prepara para quando tem a oportunidade de tocar nas capitais e cidades grandes”.

Para ele, isso acontece por conta do descaso dos governantes nas questões voltadas à cultura. No entanto, ele acredita que ainda há esperança diante da falta de valorização e cita o trabalho de um maestro, que no caso está fazendo um projeto em Lins com orquestra, recebendo, inclusive, apoio de toda a cidade.

Platão

“A gente tem que fazer várias coisas para poder alcançar subsídios e termos o ganho necessário para sobreviver aqui, então acabo atuando bastante nas capitais em vários estados”. Na região, Giaretta conta que seus trabalhos ficam mais focados em ministrar aulas de piano e tocar em casamento.

“Mas nem na capital é fácil. A música no Brasil recebe um pouco caso. Como diria Platão, você reconhece o governo pela música que eles dão ao seu povo. E o que temos aí, dependendo dos lugares, é raro ouvirmos uma boa MPB, letras que edificam e músicas instrumentais. Perdeu-se a capacidade de você julgar e reconhecer de fato aquilo que é bom ou não”, finaliza.

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