“Lançar um livro em Berlim também abre os contatos com escritores brasileiros que moram na cidade, leitores de língua portuguesa que estão na Alemanha. A gente chegou há menos de um ano aqui. Isso é um belo cartão de visita para conhecer a cena de brasileiros e artistas que têm aqui e estrangeiros que se interessam pela língua portuguesa”, relata.
No Brasil, Giacomo fez dois lançamentos em 2018. O primeiro foi em São Paulo e o segundo na biblioteca de Penápolis (SP), sua cidade natal.
O escritor se lançou no mercado editorial em 2012, com o livro de contos “Canções para Ninar Adultos”. Um ano depois veio “Haicais Animais”, que reúne uma série de poesias sobre animais, inspiradas nos antigos poemas japoneses de três linhas, com ilustração de Vanessa Prezoto.
Em 2014, lançou pela editora Melhoramentos o Guten Appetit, organizado pela chef Sabine Hueck, sobre a culinária alemã. Também é autor de “Felicidade Tem Cor” e “Guia Poético e Prático para Sobreviver ao Século XXI”.
Desamparo
O romance “Desamparo” aborda a história da colonização na região noroeste paulista, focando no município de Penápolis. Também envolve os acontecimentos que culminaram na fundação de Araçatuba e Bauru. Na versão fictícia, inspirada nessa colonização, Giacomo mostra o outro lado da história, ou seja, como foi para os índios caingangues e os oti-xavantes.
“Como diz Dráuzio Varella, se você não é Tolstói ou Dostoiévski, que são grandes escritores que podem transformar qualquer história banal em grande clássico, escreva alguma coisa que só você conhece. Então, pensei em contar a história da minha região, de Penápolis, Araçatuba, Bauru”.
O autor consultou livros raros e materiais disponíveis na biblioteca municipal, o Museu Histórico e Pedagógico Fernão Dias Paes, o Museu do Folclore e a 1ª Casa, todos em Penápolis, além de ter tido acesso a teses de mestrados, doutorados e trabalhos de conclusão de curso, entrevistas com pioneiros da região e ter conversado com moradores antigos.
Entre os causos e personagens que ele usa no seu livro, está a figura do famoso matador Dioguinho, que viveu no começo do século XX. Ele não era da região, mas vários livros sobre Penápolis falam que ex-membros do bando dele agiram na região na disputa de terras. “O Dioguinho em si era um personagem interessante, porque era um matador, era homossexual e muito vaidoso. Gostava de usar roupas caras, era muito culto e os fazendeiros contratavam ele”.
Manoel Bento da Cruz, que fundou cidades da região, também aparece na história. Segundo o autor, o livro traz um caso interessante, que possui várias versões em Penápolis. Onze colonos brancos que viviam na região foram assassinados por índios caingangues e esse fato sempre foi usado para falar que esses indígenas eram selvagens.
