Cultura

Fórum prepara sociedade civil para implementação da Lei Aldir Blanc na região

O grupo composto por cidades da região de Araçatuba integra o Fórum Paulista Aldir Blanc; juntos, os 43 municípios receberão R$ 6,484 milhões para ações emergenciais no setor cultural

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
09/08/20 às 13h50
Recurso vai contemplar editais de diferentes segmentos da cultura, auxílio emergencial e subsídio para espaços (Foto: Banco de imagem)

Desde que foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no final de junho, a Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural (lei nº 14.017) vem sendo amplamente discutida.

Para debater diretrizes da lei e acompanhar e cobrar as políticas públicas dos gestores de cultura, o Fórum Regional Lei Aldir Blanc Araçatuba, formado por artistas e profissionais da cultura, foi criado para compor o Fórum Paulista Aldir Blanc, que possui 17 grupos espalhados em São Paulo. Os encontros são todos on-line e o grupo de comunica por meio do WhatsApp.

A previsão é que os recursos sejam repassados aos estados e municípios já nesta segunda-feira (10), informou o secretário de Economia Criativa da Secretaria Especial de Cultura, Aldo Valentim, na última quinta-feira (6). Somente na região, o repasse será de R$ 6,484 milhões.

A partir do recebimento do dinheiro, os municípios têm até 60 dias para implementar ações e até 120 dias para usar o recurso. Caso isso não ocorra, o montante é devolvido ao fundo estadual.

De acordo com a criadora do fórum, a produtora Fabiana Alves dos Santos, de Ilha Solteira (SP), a região tem um grande número de municípios pequenos, que não possuem profissionais específicos para gerir a cultura. Fabiana conta que foi convidada pelo próprio comitê estadual para dar início a esse agrupamento na região.

Dos 43 municípios que integram a região administrativa de Araçatuba, 30 têm menos de dez mil habitantes. De acordo com Fabiana, a preocupação maior está nesses pequenos municípios, que por não ter profissionais focados nesse segmento, estão precisando de mais orientações sobre o que fazer.

“A nossa primeira ideia era de que todos os municípios fossem informados. Também é importante que as pessoas que são atuantes possam opinar sobre os tipos de editais, porque cada um sabe o perfil da sua cidade”, explica Fabiana.

Conselhos

A Lei Aldir Blanc, que vai liberar um total de R$ 3 bilhões para todo Brasil, poderá ser utilizada de três maneiras pelos municípios da região. Além de viabilizar a abertura de editais a serem definidos localmente, o recurso será usado como um renda básica emergencial para artistas e subsídio para espaços culturais. 

“É importante o dinheiro ficar no município. Há um movimento forte da classe artística para que esse dinheiro fique na cidade”, destaca Fabiana. Para isso, o grupo se mobiliza para garantir a formação dos conselhos municipais de políticas públicas, já que a forma como a lei será implantada, prevê que sejam usados os conselhos e os fundos de cultura, apesar de não ser obrigatório.

A oportunidade de estruturar os conselhos e fundos municipais, para Fabiana, trará um grande avanço para a cultura desses locais. “Isso pode, a médio e longo prazo, representar uma evolução constitucional. Algumas cidades não sabiam nem como fazer a lei de fundo para a cultura. Então, vai trazer um olhar de que a cultura é uma instituição de economia”.

Ilha Solteira receberá R$ 210 mil para as ações. Para receber o montante, o município já tem, há bastante tempo, o conselho constituído e os membros estão se organizando para fazer o comitê que irá gerir o recurso federal, explica Fabiana. Mais um ponto que a produtora destaca do município, é que já iniciaram o cadastramento de todos os artistas de Ilha para que eles possam receber o auxílio e também participar dos editais.

 

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Lei recebe o nome do compositor Aldir Blanc, falecido em maio devido a complicações causadas pela covid-19 (Foto: Instituto Radiodifusão Educativa da Bahia / Divulgação)

Adiantada

O integrante do Consecult (Conselho Municipal de Políticas Culturais), de Birigui, Renato Gomes dos Reis, está no fórum regional e acredita que a cidade está organizada e articulada para receber o recurso, tanto do ponto de vista do poder público, como da sociedade civil. O município receberá R$ 443 mil.

“O conselho está construindo juntamente com a secretaria de cultura os caminhos para estruturar as políticas de editais, seleção, critérios. Ainda temos coisas para definir, até porque o Estado vai colocar o TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) pra acompanhar. Birigui já tem um princípio de cadastro para artistas e agora terá o cadastro estadual para cruzamento de dados, principalmente pelas situações que a lei veta”, explica Reis.  

Em Birigui, outro aspecto que o conselheiro destaca como ponto positivo é a lei que regulamenta o uso da verba. Nesse sentido, ele cita o projeto de lei 91/2020, votado em julho pela Câmara de Birigui, que alterou alguns dispositivos. Com isso, o Fundo Municipal de Cultura poderá financiar ações emergenciais, já com o objetivo de abranger o repasse do governo federal.

A etapa agora é elaborar como serão os editais que serão abertos para os artistas da cidade, ressalta Reis, e aguardar o projeto de lei que regulamenta isso, que está sendo construído pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). “Estamos fazendo reuniões toda semana, convocando os artistas para fazer o debate e construir políticas públicas. Mas estamos numa situação confortável, porque estamos avançando”, finaliza.

Desunião

Araçatuba, que é o município mais populoso na região, receberá o valor de R$1.326.737,46. A coordenadora nacional do GAAA (Grupo de Ações Afirmativas Afrodescendentes) e educadora social, Alessandra Reis, é a representante da cidade no fórum. No entanto, segundo ela, diferentemente de Birigui, o município está atrasado.

“O município está estacionado; não há nenhuma estratégia, muito menos um plano de ação efetivo e bem elaborado para estruturar todos os setores da cultura e muito menos nenhum movimento organizado que vise travar estratégias e políticas pública que vão ao encontro com as necessidades específicas de cada setor”, conta Alessandra.

Além da falta de conselho constituído no município – a gestão do biênio da última formação do conselho terminou em março deste ano -, a coordenadora também nota que o problema está na falta de organização entre a classe artística, o que não acontece em cidades menores.

“Vejo que aqui a classe artística tem dificuldade de se agregar, se organizar enquanto coletivo. Existem setores que são mais avançados, como o teatro, bem fundamentado em relação aos outros segmentos. Os outros setores não conseguem criar planos de ações específicos para cada grupo. Isso dificulta o diálogo com o poder público”, declara Alessandra.

A profissional também destaca a necessidade de se ter uma legislação municipal específica com relação à devido, devido ao uso do Fundo Municipal de Apoio à Cultura. “Araçatuba ainda não desenvolveu isso e ainda está discutindo quem vai ou não para o conselho. Araçatuba está presa ao poder público, não há plano de ação que envolva setor privado, poder público e sociedade civil”, finaliza.

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