Cultura

Grupos preservam cultura dos povos africanos na região

Tanto em Araçatuba, como Birigui, iniciativas difundem e valorizam a história africana

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
18/11/19 às 13h35
Obadará Africanidade agrega Ponto de Leitura e Oralidade Preta (Foto: Manu Zambon)

Em Araçatuba e Birigui, grupos desenvolvem trabalhos com a finalidade de difundir e preservar a história africana e a identidade afro-brasileira, como é o caso do centro de cultura Obadará Africanidade e o Maracatu Baque D´Orum, ambos de Araçatuba, e o Neabi (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas), em Birigui.

Por meio de projetos culturais, de pesquisa e até mesmo religiosos, a comunidade tem acesso a uma série de atividades e informações. O Obadará Africanidade, por exemplo, é um espaço coletivo, que agrega, inclusive, o Ponto de Leitura e Oralidade Preta, dispondo de livros e textos sobre história dos africanos no Brasil, mitologia dos orixás, entre outros.

Conta ainda com acervo digital de textos, vídeos e áudios, além de ter elaborado um mapa no município que indica a localização geográfica dos territórios sagrados (terreiros). O mapeamento, que ainda não está concluído por falta de recursos financeiros, é o registro desses territórios, a formação de um banco de dados e o levantamento das demandas para a construção coletiva de políticas públicas de inclusão.

De acordo com a ekeji e produtora cultural Eliandra Regina Soleira Barreto, o centro cultural tem protagonizado eventos culturais de terreiro, como samba de caboclo, danças dos orixás, performance sobre lendas africanas, rodas de conversas sobre a importância da cultura e da religiosidade africana na construção do Brasil, palestras, entre outros.

Em Araçatuba, grupo de maracatu foi contemplado pelo ProAC (Foto: Manu Zambon)


Maracatu

Prestes a completar um ano, no próximo dia 24, o grupo de maracatu Baque D’Orum traz para Araçatuba a cultura dos negros da região de Nagô, que difere bastante dos costumes dos negros que chegaram aqui na nossa região. Segundo a fundadora e líder do grupo, Aline do Nascimento Benitez, o maracatu é composto por vários elementos que contam a história do negro escravizado que foi deportado na região onde está Recife (PE).

“Esta cultura quase se perdeu em vários momentos e a formação de grupos fora de Recife, como o Baque D’Orum, foi uma iniciativa de uma rainha do maracatu Nação Porto Rico, mãe Elda de Oxossi, em disseminar essa cultura para além daquele território e garantir que a cultura seja preservada”, detalha. O padrinho do grupo de Araçatuba é Luís "Agua".

No município, a iniciativa, mesmo sendo nova, já comemora algumas conquistas. O grupo foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural) para ministrar oficinas gratuitas de cantos, danças, produção de instrumentos, como alfaia e agbês. Por meio desse prêmio, foi possível trazer para a cidade batuqueiros, como Juliana Viana e Rumenig Dantas.

A maior dificuldade do grupo, de acordo com Aline, é a falta de um espaço pra guardar os instrumentos e para ensaiar, já que os ensaios acontecem a céu aberto, na praça Getúlio Vargas.

Elisandra é representante do Neabi, em Birigui (Foto: Aldenira Cristina Bomfim/ Divulgação)

Neabi

Lançado oficialmente em 20 de agosto de 2015, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas integra o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, incluindo o campus Birigui. Seu objetivo é fazer com que questões étnico-raciais, como o racismo e a xenofobia, não fiquem à margem e sejam encaradas com a devida seriedade nas ações de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito do instituto, explica a professora e representante do Neabi, Elisandra Pereira.

Os projetos não são uniformes, ou seja, cada campus desenvolve um tipo de atividade que aborda as temáticas defendidas no núcleo. Entre as ações, estão roda de conversa, palestras, semana da diversidade, festival, projeto literário, curso de formação, práticas formativas, oficinas, entre outros.

Elisandra conta que iniciou suas atividades como docente no campus Birigui em fevereiro deste ano, como representante Neabi. Na programação, ela destaca a contação de história africana e afro-brasileira e oficina de bonecas abayomi, desenvolvidas em fevereiro para alunos iniciantes dos cursos de ensino técnico integrado ao médio, além de outras ações realizadas em outros meses.

Em novembro, o Neabi ainda organiza o Zayi Festival Afro-Cultural no Instituto Federal, aberto ao público.

“Percebe-se a importância das ações do Neabi no campus Birigui por meio dos resultados que as mesmas produzem, pois o combate ao racismo ocorre por meio da disseminação de conhecimentos ocultados por séculos na nossa educação brasileira. Sendo assim, o curso de formação tem sido um grande exemplo da dimensão dos conhecimentos desenvolvidos em sala de aula, pois percebe-se como os professores e alunos se desconstruíram de concepções racistas e aprenderam a fazer o mesmo com seus alunos”, finaliza Elisandra.

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